Conforme aumentam a propaganda pró-meio ambiente, maior também fica o apelo à abolição das sacolinhas de plástico, indicando todos os males que elas podem causar após o descarte, como entupimento de esgoto, poluição em rios e etc. Substituir essas sacolinhas por Ecobags, sacolas sustentáveis, que seriam a salvação para os problemas que a sacolinha de plástico trariam consigo.
Eu não sei qual seria a melhor opção, não quero tomar partido nessa batalha, ao meu ver, imersa em um mar de pressupostos, nem tenho detalhes sob a discussão para analisar qualquer tipo de conteúdo ideológico que já não tenha sido tratado aqui, entretanto, o que me interessa são duas posições levantadas pelos fabricantes de sacolinhas de plástico. 1) a quantidade de pessoas empregadas pelas indústrias e 2) a culpa não é das sacolinhas, mas sim, das pessoas. Automaticamente, parece que fico à favor da substituição e etc, mas a crítica é geral… Podem generalizar, pois, com certeza, já escutamos em várias situações.
Sinceramente, sempre fiquei imaginando a quantidade de pessoas empregadas na época de guerra para a fabricação de armamento ou para prestar socorros às vitimas da guerra e etc, mas nunca concebi alguém tão maquiavélico à ponto de querer que a guerra continue para manter os empregos gerados por ela. Eu penso que a questão dos empregos não é intimamente ligada aos empregos em específico, mas sim, a situação geral do país e como ele consegue lidar com toda a massa de trabalhadores.
Então, acabar com as indústrias que, supostamente, produzem algo que deve ser acabado, mas empregam muitos trabalhadores que precisam do emprego para não morrer de fome e etc é uma péssima e maquiavélica argumentação. A empresa não está fazendo um favor para o trabalhador, ela está, em última instância, explorando o trabalho dele, lhe dando como salário, somente uma parte daquilo que ele realmente trabalhou, portanto, o sujeito não é um sortudo em ter um emprego na determinada indústria, mas, mesmo assim, este salário é aquilo que dá sustento para si.
Como, levando em conta isso, proceder? Como eu já coloquei mais acima, a questão do trabalho não é só uma questão de ‘ter emprego para o povo’. Ela está incrustada em todas as relações entre empregado e empregador, levando consigo todas as lutas entre eles. O fato dessas pessoas em particular terem um emprego não faz do desemprego ser uma fantasia – até mesmo, sendo tão maquiavélico quantos os proprietários das indústrias que seriam afetadas, a falência deles acarretaria o emprego de mais funcionários nos escritórios de contabilidade, que ficariam abarrotados de trabalhos após pedidos de falência, assim como, também haveria aumento de emprego para toda a burocracia estatal, com o aumento de falências e concordatas para análise. O fato de uns estarem empregados não anulo o desemprego, que existe por todo o canto.
É por isso que a criação de vagas de emprego não pode ser deixada às vontades dos empregadores, pois, os mesmo, e por motivo óbvio, empregariam menos possível (alongando a jornada de trabalho e pagando o mínimo necessário). Logo, a firmação de uma empresa no mercado não é a solução, mas sim, normas que apresentem uma jornada menor, menos cansativa e que, por consequência, obrigue a contratação de mais pessoas para suprir as atividades das empresas.
A segunda posição é muito clara, ela redireciona o culpa dos possíveis males das sacolinhas para cada indivíduo da população que não sabe como utilizá-las. A culpa é da falta de educação das pessoas, da cultura do brasileiro preguiçoso e malandro etc e etc, mas não façam o sacrilégio de culpas os fabricantes, afinal, eles não obrigam ninguém a usar as sacolinhas, as pessoas usam por que querem. Senta lá, Cláudia.
