Pessoal, eu fiz um texto na minha página do Obvious Lounge, se chama O Legado do Carnaval.
Gostaria que dessem uma força pra esse texto, caso ele seja bem recebido, poderá ir para o Yahoo! Brasil.
Segue um trecho:
A repulsa da classe-média e alta pelo carnaval como expressão social e artística, assim como sua apropriação como forma de puro hedonismo, é o sinal de que este “espaço” é destinado aos outros, estranho a “nós” (classes abastadas) e menos merecedores da real cultura que “nós” temos, mas é também a demonstração de que há algo de errado com tal perspectiva, oras, se há algo para se aproveitar – no caso, a suspensão de moral e o hedonismo permitido – então há algo que ainda está aprisionando o sujeito.
Portanto, assim como no início das festividades, na Grécia, com a inversão dos papéis já denunciando a total desigualdade social e a moral dura, atualmente ainda pode-se ver a sociedade sob a mediação do carnaval. Ainda é possível ver as desigualdades cotidianas com a visão da inversão do carnaval, sua repulsa e a naturalização das características para desempenhar um papel importante no carnaval (o exemplo clássico é a formulação de que mulatas tem “samba no pé” e brancos não tem esse dom natural), já comprovam as premissas da sociedade atual.
A naturalização das capacidades do negro pobre se divertir com as festas e ser “naturalmente” propício à essas festividades já reflete a própria condição não intelectualizada deste esteriótipo na sociedade. O negro pobre é feliz por não ter as crises existenciais do rico branco, tem samba no pé por sua condição natural inferior culturalmente. Naturaliza-se a cultura para reforçar as relações sociais vigentes. No fim, o caráter de modificação das relações só confirma e conserva a anterior, a vigente.
