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Liberdade

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A marca do nosso tempo atual é o da escolha. Nós podemos escolher tudo, desde a cor da caneta para escrever aquela carta para o parceiro, até o pedaço do bolo, que óbviamente nós já escolhemos o sabor, para comer. É então dita como a era das escolhas, onde não há repressão, onde existe a total liberdade de expressão e escolha. Assim exaltamos um era onde tomamos total responsabilidade sobre nossas vidas, pois guiamos nós mesmo nossas escolhas e arcamos com as consequências de uma escolha que possa, de alguma foram, agredir alguém ou algo.

É claro que eu não concordo com a ideia do livre-arbítrio, e tenho um conceito de liberdade que não envolve o livre-arbítrio. Defino a liberdade com a possibilidade de haver diferentes conclusões para um impasse, não exatamente significa que vc pode livremente escolher entre uma das conclusões. Quando não existe a pressão direta para uma conclusão ou pressão de sobrevivência, e até e uso da força para manter alguém em uma condição que não existe saída, que não existe a liberdade pra ir ao caminho oposto, quando somente existe a contra-posição e a violência é o único jeito, não caracterizo como liberdade.

A liberdade da nossa era é parecida com a bizarrice social que descrevi no fim do parágrafo acima, podemos escolher entre X e Y, porém X é a escolha certa. São colocados duas soluções, porém deve-se escolher a solução socialmente aceita, onde não se quebram valores já glorificados. Exatamente por isso que dançar com roupas curtíssimas no baile Funk é errado. Podemos escolher entre ir dançar no baile funk ou não, mas não ir é a escolha certa. Podemos escolher entre usar drogas ou não, sofreremos as consequências caso usemos, mas escolher não usar é o correto. Neste jogo de opostos, a liberdade cai dentro da mais funda latrina.

Se existe o certo absoluto e o errado absoluto não há liberdade, estaremos sempre sufocados pela responsabilidade com o certo e o desejo do errado. Mesmo sendo estes conceitos somente culturais e temporais, são levados como absolutos, atemporais, é aí que caímos numa segunda latrina: a latrina da imanência.

É a imanência o prato principal do jantar do conservadorismo, que nunca consegue avançar em conceito nenhum. A defesa contra o mal da inovação é constante.

Logo, a liberdade que temos é somente a sensação de liberdade. Por haver inúmeras propagando, pensamos estar inclusos num mundo onde a escolha delas é possível, porém eu não escolho ter uma ferrari, há limitações econômicas que me impedem de ter uma ferrari, assim como a maioria dos desejadores de ferraris nunca as terão. Eu não saio pelado na rua quando estamos no verão por que eu posso ser preso por atentado ao pudor, tenho liberdade pra escolher entre sair pelado ou não, mas sair vestido é a opção correta. Se eu não sair vestido sofrerei diversas sanções que causarão repressão à meu ato e serei coagido a vestir-me.

A visão de liberdade na atualidade é errônea, é burrice acreditar que haja alguma liberdade. Temos que seguir certas conclusões, senão somos excluídos socialmente, senão nos suicidamos socialmente, senão não sobrevivemos.

Não há liberdade quando há dependência, quando nossa existência depende do mercado e de seus manda-chuvas, não de nós mesmos.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Acho que hoje em dia o certo virou errado, e o errado virou certo.
    Concordo contigo, quando você diz que a liberdade nos é imposta.
    Você escolheu aquilo porque é imposto ou politicamente correto ou escolheu porque não teve escolha?
    Sucesso com o blog!

    Responder
  2. Nosssaaaa, LIBERDADE… adorei o texto! Alias, voltarei aqui outras vezes, para ler mais melhor os seus posts! Abraços.

    Responder
  3. eu gostei muito desse post, mas gostei mais ainda do filme la ”500 dias..” to com muuita vontade de assistir, vc realmente conseguio passar a imagem de que é muito bom e devidamente vale a pena! visita o meu? :*

    Responder
  4. “Se existe o certo absoluto e o errado absoluto não há liberdade, estaremos sempre sufocados pela responsabilidade com o certo e o desejo do errado. Mesmo sendo estes conceitos somente culturais e temporais, são levados como absolutos, atemporais,”

    Mas! Se o “certo relativo” e o “errado relativo” são estabelecidos como critério de liberdade à razão passa a ser instrumentalizada, levando a concepções niilistas (no sentido Hegeliano) e maquiavélicas da moral. Pois a razão será utilizada apenas para justificação dos interesses pessoais,impossibilitando assim de estabelecer um código ético moral, pois este, passa também a ser relativo.

    Você define no segundo parágrafo de seu texto, seu conceito de liberdade “Defino a liberdade com a possibilidade de haver diferentes conclusões para um impasse”, no terceiro parágrafo infuta que a concepção de liberdade da sociedade é parecida com á descrita no parágrafo dois de sua dissertação (segundo minha interpretação um tanto quanto confuso este trecho) “A liberdade da nossa era é parecida com a bizarrice social que descrevi no fim do parágrafo acima, podemos escolher entre X e Y, porém X é a escolha certa.” Mas! Como fazer a escolha correta já que a moral e a verdade é relativizada ?

    “São colocados duas soluções, porém deve-se escolher a solução socialmente aceita, onde não se quebram valores já glorificados.”

    Nesta exortação e no decorrer do seu texto, eu depreendo a idéia, de que a cultura é utilizada como instrumento de opressão das classes dominantes. Porem a cultura é essencial para formação da moral conseqüentemente da verdade e da liberdade. A questão é! Como viabilizar condições para que a cultura deixe de ser um viés de opressão das classes dominantes.sem estabelecer uma verdade ou um saber absoluto e acabado.

    Responder
    • Então, a moral é relativizada enquanto do ser para o meio, mas não enquanto do meio para o ser. Igual a beleza, como descrevi em outro texto.

      De dentro pra fora, tudo é relativo, mas só enquanto é de dentro pra fora, porém enquanto for de fora pra dentro [ou seja, a realidade] não é nada relativo. É objetivo e opressor.

      Sobre o comentário de eu ter definido a liberdade proposta atualmente conforme eu havia dito. Nananinanão:

      “Quando não existe a pressão direta para uma conclusão ou pressão de sobrevivência, e até e uso da força para manter alguém em uma condição que não existe saída, que não existe a liberdade pra ir ao caminho oposto, quando somente existe a contra-posição e a violência é o único jeito, não caracterizo como liberdade.”

      É assim. Quando´só há um caminho lógico, porém ainda há um ilógico e descabível que não será usado na prática, mas é concebido como a opção dentro das escolhas.

      “Nesta exortação e no decorrer do seu texto, eu depreendo a idéia, de que a cultura é utilizada como instrumento de opressão das classes dominantes. Porem a cultura é essencial para formação da moral conseqüentemente da verdade e da liberdade. A questão é! Como viabilizar condições para que a cultura deixe de ser um viés de opressão das classes dominantes.sem estabelecer uma verdade ou um saber absoluto e acabado.”

      Não há como.

      Responder

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