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Sobre a classe baixa e o luxo

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A televisão mostra o sonho de consumo da menina rica e da pobre. Para a rica, será uma realidade cotidiana, para a pobre, um luxo momentâneo. Os carros, as casas, as roupas e os lugares…Só serão obtidos caso haja um milagre ou uma presa trabalhadora que gastará cada centavo para o sustento da sonhadora imanente.

A situação feminina no mercado de trabalho é claramente desfavorável. Cargos como de secretária, atendente, faxineira, cozinheira e tantos outros são os mais comuns. A realidade comprova que o número de mulheres em cargos altos é menor que o de homens e que historicamente há trabalhos próprios de homens e próprios de mulheres, reforçando os mitos femininos, onde a mulher é curandeira, a frágil inteligente, a calma e artística, delicada e histérica, dentre tantos estereótipos.

O tesão feminino pelo uso do luxo não é anormal, na verdade ele é o mais normal possível, já que é passado como única opção. Quando uma situação é passada como atemporal, nada nela nos faz querer mudar, só se adaptar. E é isso que a adolescente de classe baixa tenta fazer, se adaptar a um mundo onde ela é discriminada, marginalizada e desprezada. Ela tenta não ser mais desprezada, se aglutinando na multidão, ao invés de modificá-la, de transformá-la para algo mais justo e menos estigmatizado. Ela tenta passar a imagem dos mitos femininos e se encaixar nos padrões.

Dentro deste mundo de luxos efêmeros, a pseudo/futura-patricinha se transforma de pouco em pouco naquilo que quer ser, mas que deve repudiar. O que ela quer ser é o que a oprime feito um martelo contra um prego enferrujado. Culturalmente a vida das mulheres das classes mais altas foi sempre a da imanência extrema e absoluta, sem sequer mover os músculos para algum tipo de trabalho que não seja governar a própria casa, que não seja administrar os empregados ou a loja da família. Já a classe média é um exemplo de classe com orgulho de ter um exército de donas-de-casa lambisgoias, dependentes e alienadas.

Enquanto haver a propaganda deste tipo de vida, a tendência será de continuidade. A menina da classe baixa se sente atraída pelo mundo que não teve e que não terá caso tente, pelas próprias pernas, sobreviver.

É neste contexto que vemos a menina que sempre se vestiu muito discreta, de repente, usar um vestido extravagante, sem motivo aparente nenhum. Ela chega até a se envergonhar de estar “mais bonita”, pois aquele não é seu mundo e ela sabe disso, mas se há aceitação, se há comparação, ela irá gostar dessa situação e manterá o desejo de ser A expressiva.

Em seu emprego de complemento de renda ela ainda será inessencial, continuará a vida de dependente. A maioria das mulheres que trabalham e moram com parceiros, tem de seu emprego, somente um complemento de renda, o salário dela não é o principal. Ela não é essencial.

Sem essa essencialidade, seu valor social continua menor, ela continua parasita do marido e continua a expressar um mundo que não é seu. Um mundo contra qual ela deve lutar!

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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