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Dos Animais Domésticos – Parte I

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Cachorrinhos fofinhos, gatos com pelo macio e lindas aves são muitas vezes compradas ou ganhadas por indivíduos que querem um pouco de companhia e amor. O papel desses animais é maior que só o de mascote, pois parte para o lado emocional: o animal completa seu dono e se torna um companheiro para sempre, que sempre está lá, esperando pelo dono e fazendo todos os seus caprichos.

Os primeiros animais domesticados, o foram para a necessidade das primeiras sociedades, que precisavam de certa proteção/organização que transcendia seus braços e habilidades. A figura do animal que protege a aldeia/gen não desapareceu em alguns anos de progresso tecnológico, já que, analisando toda a história humana, o controle de rebanhos, a proteção dos mesmos, o próprio rebanho e a guarda de propriedades, foram e são de responsabilidade de um animal “criado” para isso.

Reparem bem, eu coloquei a palavra “criado” de propósito, eu queria trazer o impacto e significado que os “criadores” dão à sua “cria”. Os proprietários dos cães e gatos (estou tomando esses dois ramos como exemplo) o consideram suas crias, e como cria, devem dar o maior cuidado e amor possível, exigem também um amor incondicional e obediência que conseguem com adestramento e punição. Isto nos lembra outro velho conceito, não? Aquele do criador amável que oprime sua criação para que lhe adore e caso não aconteça o desejado, a criação sofre eternamente por seu atrevimento. Sei que lembram.

Reparem novamente, utilizei a palavra “proprietário”. Não foi sem intenção. O dono do cachorro não é somente seu responsável social, ele é dono objetivo do cão/gato que permite ao animal a vida ou lhe dá a oportunidade de acabar com o sofrimento das inconstâncias da realidade com o sacrifício. O seu poder de proprietário é tão grande que as definições estéticas se transformam em padrão de cuidado para demonstração de algum pseudo-amor.

Dentro da relação propriedade-proprietário temos, portanto, um detentor de propriedade e a propriedade (animada) sujeita às vontades de seu proprietário. A propriedade é sujeita às vontades de seu proprietário enquanto ela ainda tem alguma autonomia, mesmo que seja instintiva. O escravo era sujeitos às vontades de seu amo e o servo era sujeito às vontades do senhor feudal, caso quisesse sobreviver na Europa medieval.

Em todos esses casos a autonomia social e política dos indivíduos que se tornam servos e escravos se perde.

Por motivos óbvios eu não posso falar sobre autonomia social e política de um cão ou gato, por exemplo, mas posso falar sobre a autonomia de exercer sua animalidade. Enquanto o escravo era proibido de agir conforme quisesse, pois era propriedade de direito de seu amo, o cão/gato é propriedade direta de seu proprietário, mesmo sem haver documentação para tal, enquanto é moralmente justo um ser humano ser proprietário de um cão/gato.

E dentro desse esquema de moralmente correto sobre a propriedade de cães/gatos, acontecem os abusos típicos feitos à objetos inanimados sobre cães/gatos. Creio que o mais visível atualmente é a customização do animal. Após retirarem tudo que há de ser vivo autônomo, lhe imputam as fantasias próprias, como se fosse um bibelô da estante, ou um ursinho do quarto de bebê. É aí que a posse completa é objetivada: o proprietário faz da propriedade imagem e semelhança de sua vontade e/ou de seus costumes, portanto, sua imagem e semelhança, ou pelo menos a imagem que gostaria de transparecer. Desta forma, completando a análise do conceito no terceiro parágrafo.

continua…

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. ta bem escrito,
    mas não eh meu tipo d texto,
    qro ve as outras partes

    Responder
  2. O ser humano é nada mais nada menos do que um outro animal, muitas vezes usando sua suposta racionalidade sendo irracional. Usando como desculpa, muitas vezes, sua suposta superioridade, nos tornamos seres egocêntricos. E alguns podem se enganar ao ponto de não dar-se conta disso.

    Responder
  3. Você escreve muito bem. Exprime sua opinião de forma inteligente.
    http://analisefc.blogspot.com/

    Responder
  4. Concordo com boa parte, mas e que tal então animais abandonados na rua? Não devemos nos importar com esses? Cuidar? E por acaso receber não amor incondicional mas sim lealdade!!! É isso que acredito que recebo do meu cachorro….que várias vezes já fugiu” do prédio, mas mesmo assim voltou pra minha casa, onde ele sabe que também recebe lealdade.

    De qualquer jeito fazer do animal uma vitrine ambulante só pra mostrar pras amigas é algo que eu também não concordo.

    Responder

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