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Dos Animais Domésticos – Parte II

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Porém a autonomia do animal doméstico é já diminuída pelo fato de ser um animal doméstico. Sua vida se torna limitada à bibelô de estante e não há modo de modificar essa existência, já que a maioria dos animais domésticos são propriedade de luxo (quero dizer: não são objetos necessários, mas são objetos fetichizados).

Então a questão colocada neste ponto da análise é: seria correto aprisionar um animal?

Retornando ao primeiro parágrafo, os indivíduos que compram animais domésticos não querem somente uma companhia, querem um companhia customizada, com características tais que todas as vontades deles sejam satisfeitas. Aqui começa a traição ao amável primeiro parágrafo.

Os proprietários que compram cães/gatos poderiam muito bem adotar um cachorro em um canil ou pegar um na rua, mas a escolha da raça, cor e idade é colocada como ponto principal. Escolhem cães/gatos como escolhem celulares, investigam o modelo, as funcionalidades, e a possibilidade de customização. O cão/gato é tratado como objeto inanimado e como objeto customizável, como a propriedade plena, um boneco ou uma peça de roupa.

Ainda destruindo meu primeiro parágrafo, retorno ao lado emocional e funcional. O lado emocional suprido pelo animal é expresso pelo desejo da posse de um ser vivo “inteligente”. Os donos dos cães/gatos comprados exteriorizam o poder que podem estabelecer em sua propriedade com a customização e adestração, oras, é óbvio que o cão será sempre o melhor amigo do homem, ele foi adestrado para isso, caso não o faça será punido.

Ainda no primeiro parágrafo e ligando com a última frase: a adestração é a adequação do animal às vontades do proprietário.

Proprietário nenhum que perder seu poder sobre sua propriedade, pois o interessante de possuir algo é exercer o poder sobre o objeto.

Enquanto caracterizado como objeto customizável, o mercado de customização existirá. É necessário reproduzir as relações sociais para que uma ideologia dominante mantenha-se no topo, e as relações são reproduzidas quando o indivíduo as tem confirmadas em sua cabeça e quando são induzidos a concluí-las. Além da professora que nos ensina sobre a utilização do boi (carregar carroça, arado e, quando estiver sem capacidade para isso, alimento) há os Pet Shops, que promovem a relação proprietário-propriedade entre o animal e seu proprietário, colocando à mostra as formas de customização do bicho.

Logo, as relações de propriedade são confirmadas e reproduzidas, tornando o responsável pelo animal mais proprietário e o animal mais propriedade. Os indivíduos somente respondem a essa interpelação, a esse chamado da ideologia vigente e se sentem integrados/reconhecidos no/pelo grupo. São coagidos a agir pensar e sentir desta forma, reproduzindo todo um sistema de sujeição especista.

continua…

Porém a autonomia do animal doméstico é já diminuída pelo fato de ser um animal doméstico. Sua vida se torna limitada à bibelô de estante e não há modo de modificar essa existência, já que a maioria dos animais domésticos são propriedade de luxo (quero dizer: não são objetos necessários, mas são objetos fetichizados).

Então a questão colocada neste ponto da análise é: seria correto aprisionar um animal?

Retornando ao primeiro parágrafo, os indivíduos que compram animais domésticos não querem somente uma companhia, querem um companhia customizada, com características tais que todas as vontades deles sejam satisfeitas. Aqui começa a traição ao amável primeiro parágrafo.

Os proprietários que compram cães/gatos poderiam muito bem adotar um cachorro em um canil ou pegar um na rua, mas a escolha da raça, cor e idade é colocada como ponto principal. Escolhem cães/gatos como escolhem celulares, investigam o modelo, as funcionalidades, e a possibilidade de customização. O cão/gato é tratado como objeto inanimado e como objeto customizável, como a propriedade plena, um boneco ou uma peça de roupa.

Ainda destruindo meu primeiro parágrafo, retorno ao lado emocional e funcional. O lado emocional suprido pelo animal é expresso pelo desejo da posse de um ser vivo “inteligente”. Os donos dos cães/gatos comprados exteriorizam o poder que podem estabelecer em sua propriedade com a customização e adestração, oras, é óbvio que o cão será sempre o melhor amigo do homem, ele foi adestrado para isso, caso não o faça será punido.

Ainda no primeiro parágrafo e ligando com a última frase: a adestração é a adequação do animal às vontades do proprietário.

Proprietário nenhum que perder seu poder sobre sua propriedade, pois o interessante de possuir algo é exercer o poder sobre o objeto.

Enquanto caracterizado como objeto customizável, o mercado de customização existirá. É necessário reproduzir as relações sociais para que uma ideologia dominante mantenha-se no topo, e as relações são reproduzidas quando o indivíduo as tem confirmadas em sua cabeça e quando são induzidos a concluí-las. Além da professora que nos ensina sobre a utilização do boi (carregar carroça, arado e, quando estiver sem capacidade para isso, alimento) há os Pet Shops, que promovem a relação proprietário-propriedade entre o animal e seu proprietário, colocando à mostra as formas de customização do bicho.

Logo, as relações de propriedade são confirmadas e reproduzidas, tornando o responsável pelo animal mais proprietário e o animal mais propriedade. Os indivíduos somente respondem a essa interpelação, a esse chamado da ideologia vigente e se sentem integrados/reconhecidos no/pelo grupo. São coagidos a agir pensar e sentir desta forma, reproduzindo todo um sistema de sujeição especista.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

Uma resposta »

  1. Aqui não tem nenhum… tinha muitos gatos…domesticos…mas derão fim!quer um??

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