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Dos Animais Domésticos – Parte III

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Até agora a crítica foi sobre as relações que advém da compra de animais, mas eu não justifiquei o porquê disso, tenho que fazê-lo antes que perca a oportunidade.

A compra e venda de animais é totalmente legítima quando analisada de um ponto mercadológico, ou seja, quando se faz de cada animal um produto vendável, sem vontades ou necessidades básicas, no entanto, quando analisado do ponto de vista objetivo, sem mistificações ou considerações ilógicas de maior valor moral do ser humano, vemos que o comércio de cães/gatos, por exemplo, é o comercio de seres que não tem menos direitos que qualquer outro ser. Por que um animal, que é tão animal com nós, teria menos direitos que nós?

Creio que o desenvolvimento tecnológico, ou até o desenvolvimento da própria consciência, do reconhecimento do eu, não podem ser considerados pontos que nos põe em situação superior.

É nisso que o mercado de animais e especialidades se torna imundo, pois os tratam sujeitados a nós, como inferiores e, por conseqüência, merecedores de um senhor: cada um de nós, membros da raça superior. Esse conceito também é fácil de lembrar, não?

Agora foi feita a crítica base ao comercio de animais e a todo o mercado em torno disso, posso retornar à outra parte da crítica.

Ainda sem o ato da compra, pode haver aqueles que continuam tratando o animal como objeto. Retornando ao exemplo cão/gato: mesmo sendo ele pego na rua, no canil, seja lá onde for, ao tratá-lo como objeto, está, necessariamente, reproduzindo relações que transformam o animal como propriedade e ser humano como proprietário, colocando o comércio de animais e acessórios como algo legítimo (oras, se existe a relação propriedade-proprietário, por que o comércio de animais é ilegítimo?).

Em suma, nós não somos criadores de animais. O que realmente somos é educadores de animais. Os educamos conforme nós achamos melhor e expressamos em sua educação, o poder que temos sobre nossas propriedades. Não customizamos nossos cães/gatos por que “quem ama, cuida”, mas sim por que, esse conceito de criação de animal nos envolve em certa esfera de associação que nos dispõem a reproduzir nossa imagem neles, os transformando em nossa imagem e semelhança. Viramos o deus judaico-cristão, e essa confirmação acontece quando mandamos o animal para adestramento. Nós o obrigamos a se comportar de determinada forma, a fazer “o certo” e, caso faça “o errado”, o punimos.

A reprodução das relações se dá principalmente na família e na escola, onde as crianças aprendem como tratar os animais. Aprendem a superioridade que detêm, em comparação aos cães/gatos e que eles estão no mundo para completar a criação, não compreendem que a estadia dos cães/gatos é da mesma nascente da estadia do ser humano: evolução pela seleção natural.

Se as escolas ensinam ciência, por que razão não é ciência que é praticada? Já sei, por que as escolas não ensinam ciência, ensinam a passar no vestibular, quando boas, e nada, quando ruins. No fim, não passa de aparelho ideológico, que consegue reproduzir as relações de produção vigentes.

Todo o mercado de animais é a expressão objetiva da pseudo-legitimidade de nosso agir, sentir e pensar superior ao agir, sentir e pensar dos outros animais. Porém é complicado acabar com essa situação se necessariamente, animais domésticos são domésticos! Como fazemos?

Acabemos com os animais domésticos em ambientes urbanos.

Não me interpretem mal, não quero dizer que deve-se matar todos os animais domésticos das metrópoles, mas que se deve controlar sua reprodução, primeiramente com o término do comércio de animais, que incentiva a reprodução por motivos mercadológicos e depois o recolhimento dos animais das ruas, onde morrer à rodo.

O término de animais tipicamente domésticos é o termino da escravidão de animais que necessariamente não conseguem sobreviver fora de suas prisões. Teríamos que diminuir naturalmente a população de animais domésticos em ambientes urbanos, ou alocá-los para ambiente rurais, onde teriam a mínima liberdade de serem animais, e então, com o passar do tempo, as espécies domésticas passariam a não existir.

Um dos maiores problemas para o combate desse tipo de escravidão é a tradição. As pessoas estão acostumadas a subjugarem outros animais, tanto que já evoluíram todo um sistema complexo que insere como pressuposto a inferioridade de animais domésticos.

A palavra de ordem deve ser “Liberdade!” a qualquer custo.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

Uma resposta »

  1. ótimos textos, acaba por aqui mesmo ou tem mais?

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