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Ecologia

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Em uma aula de Saneamento Ambiental, na faculdade, não pude deixar de ficar estressado. É fabuloso ver que a ideologia dominante domina a cabeça da maioria, digo isso, pois em praticamente todos os comentários a crença em que os humanos são parasitas que destroem a natureza está acoplada. Vejamos isso: “Onde o humano passa, ele destrói a natureza” – “O humano é um parasita, pois ele consome todos os recursos naturais até acabar de vez com a fonte” [1].

O humano é parte da natureza tanto quanto qualquer outro animal e dar-lhe o apelido de “parasita” é ignorar que todos os seres vivos absorvem algo da natureza para sua sobrevivência, de maneira que consiga sobreviver a todos os acontecimentos. Oras, o ser humano não é parasita, ele é parte do todo, não é um corpo estranho, mas eu creio que o pior deste comentário é o conceito de natureza que é expelido: a natureza seria um organismo vivo, complexo e Uno, seria A Natureza. Neste conceito o ser humano, sendo o corpo estranho, suga parte de sua energia vital para próprio benefício e como ele está explorando à passos enormes, a vida da natureza está acabando [1].

No entanto a natureza é a interdependência de vários fatores e de constantes catástrofes. Não seria o nosso principal combustível o produto e catástrofes anteriores? A Terra continuará viva, continuará bem, porém haverá mudanças, entre elas o fim da espécie humana, caso as mudanças naturais sejam de amplitudes suficientes [1]

Quem vai perder é a espécie humana, não a Terra.

Eu até poderia dizer que a pseudo-urgência em acabar com os males dos abusos ambientais é a real-urgência em manter a espécie humana viva, mas para isso seria necessário admitir que há um plano secreto de gênios cientistas que lançaram um desespero mundial de salvamento do meio ambiente como A Natureza, para aumentar a gravidade de um desastre que seria o da espécie humana. Mas, levando em conta a quantidade de cenas de filmes hollywoodianos que eu deveria aceitar como verdade para ficar com esta teoria, prefiro ainda tomar como base a mudança do capitalismo para sua forma mais cultural/ecológica após os movimentos de 1968 e época [1].

E é pelo medo que a ideologia da ecologia se torna hegemônica, o medo do novo, o medo do progresso, onde não podemos agir tecnologicamente por que o mundo está acabando, onde temos que consumir pouco e de maneira sustentável para sempre haver o recurso solicitado e etc, mas essas idéias, são idéias totalmente conservadoras, não há nada mais conservador que insistir no antigo, que ajustar tudo ao sustentável e ficar com o que já é de consciência geral e não buscar no progresso uma arma para acabar com a falta de recursos. Desenvolvimento sustentável é parte da merda conservadora, do medo do futuro, do medo do progresso, do medo do novo, do medo da adaptação e etc[1]

E, dentro dessa onda, grandes corporações “fazem sua parte”, não utilizando vegetais de determinados lugares, não emitindo substancias tóxicas na atmosfera ou destinando seus material para reciclagem, tentam humanizar um processo que é totalmente desumano, tentam humanizar a empresa capitalista que não tem vergonha nenhuma em lucrar até estourar. É esta contradição que passa a imagem de “Capitalismo com face humana”, como se a empresa que é o motor da violência inata do sistema econômico/político atual tentasse desviar o foco da verdadeira forma de violência, daquela que devemos ver e agir, para uma forma onde os culpados são os próprios consumidores.

E, então, a própria força contra os desastres ecológicos, os pseudo-ativistas e etc, se tornam itens de mercado. Acontece a união do hippie e do playboy, onde o resultado é o indivíduo vestido pela moda hippie ou, O Ecoboy [2].

_________________________________________________________

[1] Zizek, Slavoj – Vídeo: “Ecologia, o ópio do povo”, link:  www.youtube.com/watch?v=M0gVeRirQDg

[2] Zizek, Slavoj – Violence – Ed.: Picador, 2008.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

»

  1. Muito interessante sua análise!!!

    Concordo totalmente!!!

    Excluir a humanidade (com seus erros e acertos) é uma besteira. Temos que superar ainda a dicotomia natureza-espírito.

    Interessante você citar o Zizek!
    Parabens pelo blog!

    Vocês estao de parabens!

    http://felipedesouza-psicologo.blogspot.com/

    Resposta
  2. Pingback: Ecobag’s, Sacolinhas de Emprego e As Vítimas das Vítimas. « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek, Louis A

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