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Sobre Bill Gates

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William Henry Gates III, o Bill Gates, é considerado um visionário, um gênio dos computadores, foi ele que trouxe a revolução dos computadores pessoais e apostou em softwares de praticidade que torna nossa vida do jeito que ela é: computadorizada. Esse cara conseguiu ganhar bilhões de dólares e sempre está na lista dos homens mais ricos do mundo (por que não “indivíduos” mais ricos do mundo? Ah, é! Mulheres dificilmente se tornarão as mais ricas do mundo, no estado atual das coisas, mas poderão ter seu salário extra para comprar maquiagem, oras!).

Entre suas atividades, a filantropia está sempre destacada. Ele doa bilhares de dólares para campanhas e organizações contra diversos tipo de enfermidades, pobreza e etc, etc… É cultuado pela mídia como um homem de bom coração,  como uma das pessoas mais importantes do mundo, que sem sua ajuda, seria ainda pior do que é. Ele é essencial para a melhora do mundo, para a suavização do sistema capitalista, para que o capitalismo seja humanizado.

Mas será mesmo que suas atitudes o transformam em um indivíduo de respeito? Digo, ele lucra bilhares de dólares, acumula isso tudo e, quando a merda toda está feita, ele doa uma parte para a caridade, essa caridade que só existe pelo acúmulo que ele mesmo fez durante anos. Ele é a causa da necessidade de alguma intervenção na situação das pessoas, principalmente, nos países subdesenvolvidos. Ele dá com uma mão e tira com a outra.

O próprio resultado, mais honesto possível, de um capitalismo desenvolvido como o que é vivido hoje, é a pobreza, a iniquidade política e econômica, a iniquidade entre sexos e etc, não é a ajuda do indivíduo que necessariamente causa toda essa trama que vai acabar com a mesma. Bill Gates tenta amenizar o que ele mesmo causa.

E essa face humanizada que as figuras máximas do capitalismo trazem, fazem desse sistema algo que pode ser engolido, desde que haja um pouco de amor no coração das pessoas. Ou seja, desde que eu doe meu dízimo, eu irei para o céu; desde que eu doe para o centro de reabilitação social, eu vou para o céu, pois minha parte eu estou fazendo. Em um mundo onde o próprio dinheiro se torna o fetiche, a relação dele com o perdão é óbvia. Nessa união de cristianismo e capitalismo, as doações assumem um aspecto duplo: tenho paz na terra e tenho paz no céu.

Se eu faço a minha parte, o que me impede de aproveitar a vida do jeito que eu acho que se deve aproveitar? Que se danem os que não conseguem agir do jeito certo que eu ajo, eu estou fazendo a minha parte, estou agindo da maneira certa e até mesmo fazendo a propaganda desta maneira de agir. Leitores, esse pensamento é um perigo.

“Estou fazendo a minha parte” é algo do tipo: Eu estou, honestamente e realmente, certo. Dou a chance para você, pobre desalmado, estar tão certo quanto eu, mas você a rejeita e ainda tenta discutir comigo, desculpe, eu estou fazendo a minha parte, estou te dando a chance de ser tão bom quanto eu, porém você a desperdiça tentando discutir comigo, eu não vou discutir com você, não preciso disso.

Quem “faz a sua parte” vive em seu mundo fechado, limitado, e não quer saber do que está em andamento no resto do mundo. “todos estão errados, por isso que o mundo está perdido”, e aí o sujeito se retira de toda e qualquer culpa que possa cair sobre a humanidade, pois dentro de toda a ideologia, a culpa de acabar com a natureza, de ser pervertido, de ser invejoso, de ser intolerante, etc e etc, fica no ombro dos outros… Eu estou limpo disso, fiz minha parte, se todos fizessem sua parte, o mundo estaria melhor. o problema é que todos fazem a sua parte! Todos agem de uma maneira que acham que se todos agissem assim o mundo seria melhor, muitas vezes deixando certos problemas (que eles não acham ser problemas) de lado, batendo de frente com outros que fazem a sua parte, mas de maneira diferente. Fazer a sua parte não é idiossincrasia.

Então de que maneira poderíamos acabar com a situação dos flagelados? Doando dinheiro a eles? Não! Exatamente o contrário! A doação só faz persistir uma situação onde a pobreza continua, a pessoa imersa no problema ainda sobrevive, mas sobrevive no problema. Doa dinheiro na rua, por exemplo, é aumentar a vida de alguém dentro da pobreza extrema, é dar mais sofrimento ainda para o sujeito. É claro que é horrível ver uma pessoa passando fome, ou um doente sem ter como se remediar, mas a solução definitiva não é doação, é uma mudança total nas estruturas da sociedade, onde situações em que a pobreza é um produto certo não mais existam.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Eu queri ter apenas metade do dinheiro do BILL GATES…já estaria muito feliz!!!1

    Responder
  2. Conheço uma galera aí,que quer superar o Bill Gates HAUHAUA
    porém,não fazem nada em prol disso,grande mestre! parabéns pelo post!

    Responder
  3. Conheço uma galera que quer ser como o Bill,mas não fazem nada em prol disso HAUHAUA.
    Grande mestre,ótimo post!

    Responder
  4. Eu ja sonhei superando a fortuna dele!
    rsrsrs

    Responder
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