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Tolerância Ao Intolerável

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Ontem, como sempre, falando sobre bobeiras diversas com meus amigos, chegamos no França e Sarkozy, sobre as leis anti-prática-muçulmana. Nicolas Sarkozy institui uma lei que proíbe a burca na França, um pais com porcentagem alta de muçulmanos, se comparado com outros países europeus.

E chegamos na questão: o islamismo pode ser considerado a religião mais agressiva ou qualquer coisa, mas os seus costumes precisam ser respeitados, pois a religião é escolha do indivíduo religioso e sua escolha não deve ser reprimida.

Foi aí que eu fiz uma comparação inusitada: Vocês respeitariam um machista estuprador?

I – A Pergunta Correta.

As políticas públicas atuais são extremamente apoiadoras do discurso da tolerância, do respeito mútuo e do mundo multicutural, ou seja, ninguém deve ser hostilizado por sua cultura/estilo de vida. Eu até entendo essa posição, mas a própria hostilização tendo como base a cultura ou estilo de vida não é produto de uma determinada cultura e de um determinado estilo de vida?

Vejam só: a proposta correta não é aquela em que a cultura é respeitada, pois a cultura não é a análise substancial de uma determinada maneira de ser/agir/pensar, mas sim aquilo que a gera: as relações socioeconômicas. Não devemos perguntar se é certo ou se é errado ser tolerante à cultura islâmica, mas devemos perceber que o conflito gerador dessas hostilidades não são de origem cultural. Por que, atualmente, os conflitos são ditos questões culturais, mas não exploração econômica, desigualdade política e de gênero?

Devemos ser menos humanistas e mais materialistas, à ponto de esquecer do indivíduo que segue determinada cultura, mas ver as causas dessa cultura. O jeito de acabar com os conflitos culturais é terminando com as desigualdades políticas e percebendo todo o interesse econômico e político que existe por trás de cada ato contra alguma cultura, agindo contra o verdadeiro câncer social.

Não dá pra tentar modificar pra melhor um sistema que é, em seu mais interior, desigual, explorador, manipulador e etc., então, o correto seria lutar para acabar com as estruturas sociais que, necessariamente, trazem consigo todas as desigualdades políticas, de gênero, classe e etc.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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