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Vegetarianismo

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II – Ser vegetariano.

Quando o vegetarianismo é um ato particular, da vida privada, não é vegetarianismo, é dieta.

O vegetarianismo só é vegetarianismo quando consegue modificar a existência, seja incomodando ou apoiando, com dor ou prazer, vegetarianismo se torna uma to político quando sai da esfera da “dieta cool” e se torna aquela coisa chata que um sujeito com roupas amassadas faz (mas não é garoto propaganda!).

A observação é proposital, a propaganda não deve ser ao vegetarianismo, pois sem a base de uma verdadeira teoria subversiva, o vegetarianismo é ideologia da juventude burguesa. Vegetarianismo pelo vegetarianismo é propaganda da industria cultural, do mercado vegetariano, dos modos de se vestir de um vegetariano, do modo de falar de um vegetariano, da machonha que ele supostamente fuma, dos comprimidos para proteína que ele supostamente toma e de como se livrar de tais… Ser bondoso mas pagar com a saúde corporal por isso. É dar à vida o próximo, mesmo sendo (e esta é a parte “fofinha” de ser veg) um animal (olha só, nós não somos animais!).

Esses dias um amigo recém vegetariano me contou um caso: ele estava em casa, sem nada pra comer, somente um miojo de picanha. Puta azar. Qual foi a solução? Jogou fora o tempero de picanha e colocou um outro tempero que estava jogado pela cozinha. Comeu o miojo desta forma.

Minha opinião: seria melhor que tivesse comido o miojo com o molho de picanha.

De que adianta se salvar de ser um maldito comedor de carne se, no fim das contas, ainda alimentou a industria de alimentos práticos, que só existe pela impossibilidade de alguma (muitas… Pra cacete) pessoas fazerem comida pois: 1) não sabem, e é vergonhoso não saber arranjar a própria comida; 2) não tem tempo/disposição?

Ambos os motivos se remetem à pressão sistêmica de não fazer comida pois esse é um subtrabalho (para isso servem as empregadas), pois é coisa de mulher (opa, eu não sou doméstica) e por que não há tempo ou disposição para tal. Perdemos o tempo e a disposição quando a destinamos para coisas erradas… eu diria para o trabalho.

Nós adaptaram com o mundo sem tempo, ao invés de dar-nos tempo para nos adaptarmos ao mundo real, ao prazer das coisas, à vida em si.

No fim: ele foi conivente, mesmo que inconscientemente, com as formas atuais de trabalho e ajudou à manutenção destas, também foi o veg para si mesmo, para livrar o seu espírito de alguma punição por comer carne. Ser subversivo para si não é ser subversivo, é ser narcisista.

 

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Eu defendo o vegetarianismo. Acho que não é apenas um jogo de marketing.
    É uma luta por questões ambientais.

    Conheceço amigos que estão anos sem comer carne. Se eles conseguem viver sem carne, então por que as outras pessoas nao?
    As pessoas comem carne simplesmente pelo prazer da gula.

    E o cara cara deveria comprar um miojo de legumes, assim ele nao financiaria essa industria de carnificina!

    Responder
  2. “Cada qual com seus cada quais”

    Eu prefiro uma bela picanha, verduras somente em casa devidamente lavadas…

    Responder

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