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Clitoridectomia e a Cultura

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A Clitoridectomia é a circuncisão feminina, muito praticado nos países do norte do continente africano. Não tem ligação direta com a religião, mas sua prática ocorre principalmente em países onde o islamismo é a principal religião. É o retrato da submissão feminina às opiniões dos homens da sociedade, pois o ato ocorre quando a menina ainda é pequena e não há respeito ao seu julgamento, somente a imposição da prática cultural e, conforme o próprio Corão, o homem é superior à mulher, e merece obediência.

Dentro do assunto, não levando em conta a saúde feminina, mas a prática cultural dentro de uma sociedade e vizinha de tantas outras sociedade que podem vê-la e questioná-la, chegamos em um impasse: devemos respeitar a cultura que promove a clitoridectomia por ser uma cultura viva, que merece respeito e não é nem pior nem melhor que a nossa, ou devemos tentar aniquilá-la, indo de frente com todas as políticas pacifistas e seguindo o caminho nazista da eliminação dos povos “inferiores”?

Há uma áurea mística em torno de todas as culturas, essa áurea não permite que a cultura seja atacada, pior, a protege de qualquer tipo de crítica. Aquele que critica uma cultura se torna um intolerante nazista. Mas até que ponto isso é verdade? Eu quero dizer, até quando que tolerar mutilação é a forma consciente de agir? Tolerar a mutilação é uma forma de respeitar a cultura?

Quando um indivíduo está suficientemente apto para entender a sua cultura, para renegá-la ou não, para ser livre, deixá-la para trás e procurar algo que mais lhe adequa, existe o mínimo de liberdade dentro de todas as pressões culturais que foram mantidas sobre uma sociedade, porém, quando há a modificação conscientemente aplicada, em que a pessoa que sofrerá essa modificação não é de acordo com tal, ou até não tem a consciência de ser ou não de acordo, já se trata de um abuso por parte dos adultos que forçam esse tipo de inserção.

Isso é denominado Absolutismo Cultural e a teoria da tolerância total, pseudo-respeito e etc, é o Relativismo Cultural.

Faz parte da ideologia atual o relativismo cultural. Desde sempre somos forçados a entender o que ocorre em outros lugares com os olhos das outras pessoas, o que não é ruim, é até muito bom. “Porém a clitoridectomia faz parte da cultural deles, é aceita e respeitada como forma de inserção social e etc..”. Seria esse o entendimento que devemos ter a respeito da clitoridectomia?

Devemos deixar que o povo tome conta da situação, quando é o próprio povo que aceita essa prática. As localidades onde a clitoridectomia é praticada são, na maioria das vezes, lugares em extrema pobreza, onde as pessoas não tem conhecimento de seus direitos básicos.

Muitos citam o fato de que as mulheres, mães, apoiam o ato, e usam como argumento para desviar os ataques à essa prática como uma prática machista, de uma sociedade machista e etc, porém se esquecem que, em uma sociedade machista, todos estão sujeitos aos dogmas machistas, tanto homens como mulheres.

Muitos dizem é a própria mulher que aprova o ato, que o considera necessário e etc. Mas como alguém vai reivindicar pela liberdade, sendo que o próprio conceito de liberdade não é incluso dentro da sociedade que pratica tais atos?

 

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Simplesmente não apoio a prática da Clitoridectomia (parece um xingamento), mas seria inegável e até hipócrita de minha parte condenar tal prática, sem perceber que as mulheres são alvo de mutilações ”desde que o mundo é mundo”, e não me refiro apenas a mutilação genal, e sim a moral e psicológica. Quem nunca ouviu, em tom de deboche, alguém dizer “Mulher gosta de apanhar’’?!
    Condenamos com o mesmo fervor quem profere tal frase da mesma forma que condenamos a cultura que preza a Clitoridectomia?
    Cultura, assim como fé, é indiscutível.

    Reafirmo que julgo a Clitoridectomia como um crime contra o direito da mulher sob o seu corpo, mas ora, mudam-se os meios, mas as mutilações também ocorrem em ”solo tupi”.
    Sejamos contra a prática, ao ato da Clitoridectomia, mas não condenemos toda a cultura.

    Resposta
  2. De fato a chamada “cultura”, como qualquer outra dimensão da vida dos povos, é passível de apresentar aspectos positivos e/ ou negativos; Portanto a cultura é questionável e modificável sim; afinal, modos de vida e sistemas de valores possivelmente construídos para responder a circunstâncias histórico-materiais específicas podem vir a tornarem-se desnecessários num novo contexto. Agora antes mesmo de nos colocarmos na condição de arautos da liberdade dos povos lembremos que a nossa cultura, dita superior e civilizada, está também repleta de hipocrisias e esquemas machistas que oprimem homens e mulheres.

    Resposta
  3. pois é, não confundir submissão com ignorância…

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