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E Os Que Precisam de Empregos Para a Sobrevivência?

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Quem não tem dinheiro para o mínimo só vai viver para conseguir sobreviver, ou seja, na maioria das vezes não vai ter espaço para se preocupar em questões filosóficas, matemáticas, poéticas e etc., ele terá que sobreviver e não é espanto ver que boa parte, querendo sobreviver, tentem isso de qualquer forma. Vamos supor alguém que tentou isso de uma forma considerada ideal: fez alguns cursos para formação. É obvio que a tendência maior será de fazer cursos que garantam um lugar no mercado, pois é ali que ele sobreviverá, não há muita escolha, ou eu faço elétrica e sobrevivo, ou faço biblioteconomia e, em longo e curto prazo, continuo numa péssima situação. Por isso que a máxima “O indivíduo é produto do meio em que vive” é verdadeira… Caso fossemos integrantes de uma tribo que tem como pesca e caça as duas atividades econômicas principais, provavelmente seríamos caçadores e pescadores e, quando crianças, ansiaríamos para ter esses dois tipos de papel social. Quando eu tenho ao meu alcance a possibilidade de seguir por outro caminho, eu irei ter mais está experiencia para compor minha personalidade dentro de um determinado contexto.

Depois nos falam que as faculdades públicas são elitizadas… Mas é claro! Não dão a liberdade para que todos estudem conforme querem! O exército de trabalhadores estuda o que convém para o mercado atual, eles não têm outra escolha, e caso perguntem a cada um o que eles querem estudar, eles falaram o óbvio: “queremos estudar <coloquei aqui a profissão que mais emprega>”, não falarão “queremos estudar música erudita” por que não tem liberdade para ter este tipo de pensamento, digo, não que serão mortos caso pensem assim, mas não faz parte da realidade, do mundo concreto e das relações sociais que vivem. Pensar nisto é não pensar na realidade fria em que vivem e se não pensarem nela, morrerão congelados.

A tratativa para estes desejos é manter a defesa. Estudar o que não está em voga no mercado é para vagabundos, já que você não é vagabundo, não pense isto, encare que sua vida é essa, você pode até sonhar em melhorar, mas saiba que melhorar não é acabar com um sistema que, inevitavelmente, coloca pessoas em sua situação, mas é colocar outro sujeito em seu lugar e tomar o lugar daquele porco que vampirizava sua força e lhe dava alguns trocados. Então o que eu havia escrito fica mais claro: eles não tem liberdade em pensar em música erudita, não por que serão concretamente mortos, mas por que serão moralmente “mortos”.

Pode-se ver que há projetos para inclusão dentro de favelas onde esporte, música e etc são ensinados de forma que fiquem gravados como profissão em quem é ajudado no projeto. Mas, Vinicius, então como você escreveu que quem está em situação extrema não pode pensar em música erudita, sob pena de morte moral/social? Nestes casos a música erudita (só para continuar o exemplo) se transforma em profissão de mercado e sai da marginalidade de ser somente uma arte ou ciência.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

Uma resposta »

  1. Pois essa nossa sociedade impõe limites ao amplo mar de possibilidades que um individuo possui para se estabelecer na vida e não simplesmente sobreviver. O produto deste nosso meio é uma pessoa com sonhos restritos, mundanos e com pouca significância para sua existência. A prisão está em nós, quando não enxergamos a origem. Tão amplo o significado de ser livre… Parabéns pelo blog!

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