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Punição e Repressão

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Até que ponto a educação deve ser levada? Digo, até quando nós devemos forçar a civilidade? Até quando que essa imposição não é a própria civilidade do avesso?

Foi instituída uma nova prática nas escolas de Campo Grande: os alunos que se comportarem mal, quebrando bens públicos, xingando professores ou bagunçando em horário desapropriado são castigados com trabalho em horário pós-aulas. Estão relacionados as tarefas de jardinagem, limpeza de salas de aula e limpeza de banheiro. A reportagem referente à essa prática passou no Jornal das madrugadas da globo no dia 5 pro dia 6 de abril… De ontem pra hoje. O Link com um artigo a respeito está abaixo.

Se o propósito era ensinar aos alunos a ética adequada, aposto que a ética conservadora foi ensinada. De primeira podemos pensar que os alunos estão somente fazendo um trabalho pós-classe (aprovado pelos pais) que os ajudará a respeitar os bens públicos e funcionários do colégio, que ele saberão que cada coisa feita dá um enorme trabalho e toda essa coisa, mas, por trás desse véu de ética se encontra algumas contradições. A primeira delas: ensinar a ética desta forma é ético?

Vamos analisar, você vê que seu aluno te xingou de vadio/vadia e, como modo de fazê-lo aprender que isso é errado, você o coloca de castigo para limpar os banheiros do colégio. Deste modo ele será mais ético e consciente de seus atos. Coléqueé? Sério mesmo? A contradição está em usar de um totalitarismo idiota, somado pela falta de diferenciação de aprendizagem e punição dos pais, para ensinar ética e respeito! Não se ultrapassa a ética para se ensinar ética, não é? Ou será que podemos ser foras-da-lei para ensinar o cumprimento das mesmas?

A segunda contradição está no suposto objetivo do trabalho forçado: ética e responsabilidade. Não se ensina ética e responsabilidade com trabalho forçado, com isso se ensina hierarquia e autoridade. Os castigados não estão aprendendo a respeitar os professores e os bens públicos, eles estão aprendendo que há alguém com maior poder que consegue obrigá-lo a fazer qualquer coisa, como lavar banheiros, salas de aula e jardinagem.

Não se precisa de pesquisa estatística para se ter o conhecimento que lavar banheiro, por exemplo, é um dos trabalhos que causa maior impacto à um sujeito, quando o é colocado como punição. Lavar banheiros está na base da hierarquia de trabalhos, ou seja, não há tombo pior. Fazer os alunos lavarem os banheiros, por exemplo, é a forma perfeita e violenta de mostra que eles são sujeitos passivos e, por consequência, não tem expressão que valha algo ser observada. Ao lavar o banheiro o aluno deve perceber que não tem espaço dentro do corpo ativo da escola. Ele é um ser sem face, igual a todos os outros em todos os aspectos e sem poder.

Sou totalmente contra esse tipo de punição (na verdade, contra qualquer tipo de punição escolar), pois o que é transferido é somente a maneira de ser, pensar e sentir de uma sociedade com bases conservadoras, que ainda apoia a punição corporal, o cansaço físico e mental como formadores de sujeito éticos e responsáveis. Punição na escola é a forma repressiva de se enfiar goela a baixo a ideologia que tentar ser enfiada de maneira leve e macia.

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Link para o artigo.

 

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

»

  1. Cara muito bom mesmo, concordo com você. Um fato parecido ja ocorreu na minha escola, uns rapazes colocaram fogo e um papel na sala, e a punição era ir a tarde limpar as plantas, preferem punir, do que pensar em algo que façam eles mudarem essa atitude, por isso sou a favor de aulas de sociologia e filosofia desde a primeira série

    Resposta
  2. adorei o blog, muito interessante

    Resposta
  3. Espero que esteja aberto a críticas e a elogios.

    Acontece o seguinte: isso é um ponto de vista que você tem, Vinícius.
    Eu não sei a sua profissão, e nem sei se você ainda é estudante, ou é se um antropólogo ou sociólogo. Mas, eu, Brad – convivo nesse meio e tenho uma opinião diferente da sua.
    Eu acredito que esse ato não deve ser nomeado “punição”. Eu acho que deve ser chamado de “correção”.

    Aqui no Brasil, você sabe porque as pessoas matam? Aqui no Brasil, as pessoas saem fácil dos presídios. Tudo bem, em outros países acontecem assassinatos, mas logo, as pessoas, como, por exemplo, nos EUA, logo são corrigidas.

    Quando uma pessoa teme algo, ela evita de errar. Aliás, evita de fazer coisas ruins, ou contraproducentes, pois, sabe que no futuro, ela terá que compensar aquele erro. Não é necessariamente uma punição.

    Pelo contrário. Eu acho que se um aluno é “punido” a fazer jardinagem, ele não está sendo “punido”. Na verdade, ele está sendo até acrescentado culturalmente. É uma coisa que ele aprende além de respeitar a sociedade.

    O aluno acaba vendo que o sentimento de impunidade não existe, se isso acontecer. Mesmo que isso não seja necessariamente uma punição.

    Eu concordo com essa atitude.
    Quando um aluno agride o outro, ou quebra coisas na escola, se não houver uma segurança (isso não é repressão), um monitoramento, um controle, o aluno vai continuar fazendo isso. E todos sabem que – o que faz a escola são os alunos (pelo menos 70%).

    Agora, essa segurança… Esse esquema de EDUCAÇÃO é brutalmente confundido com PUNIÇÃO.

    Falar que isso é repressão é um tanto sensacionalista. Repressão é o aluno não poder ir para escola e não poder expressar o que ele é.
    Aconteceu aqui no Rio de Janeiro, há uns três anos, o caso de um garoto que foi para escola uniformizado normalmente. Porém, pode debaixo da camiseta, ele tinha uma espécie de cordão religioso – que no candomblé tem um significado. E não dava para ver. Estava debaixo da camiseta. Logo, os alunos começaram a chamar ele de macumbeiro, e as professoras (crentes protestantes) fizeram ele sair da sala.

    ISSO É REPRESSÃO!

    Existem muitos outros casos de repressão.

    Então eu discordo do seu ponto de vista.

    Desculpe qualquer coisa.
    http://indoverso.blogspot.com/2011/04/voz-e-teclado.html

    Resposta
    • Isso não é uma opinião, tem fundamento, tem base e lógica, portanto, não é uma opinião.

      Não interessa minha profissão e sim o que está escrito.

      Nem tenta dar uma de “visão positiva” dizendo que isso é inclusão. “pelo menos ele está apredendo jardinagem e respeito”, se toca.

      Se ele percebe que a impunidade não existe, então, por consequência, essa “correção” é, na verdade, uma punição.

      ” Repressão é o aluno não poder ir para escola e não poder expressar o que ele é” Então repressão é somente isso?

      O que vc falou também é um caso de repressão, mas não invalida o post.

      Resposta
  4. o layout do seu blog é muito complicado e dificil de comentar
    deveria repensar nisso…
    quanto ao texto…concordo com quase tudo isso, quando se fala em punição tem muito hipocrisia implicita, o que causa toda essa contradição falada!
    http://alem-da-pele.blogspot.com

    Resposta

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