Assinatura RSS

Centro Velho de SP

Publicado em

Opa! Caridade da esquerda! Que belo ideal, não?!

Sempre me interessei pelo centro de São Paulo. O lugar, a arquitetura, tudo me interessava, até a decadência me deixava mais atônito pra conhecer melhor o que lá se passava e passa. Foi então que comecei a pesquisar sobre a história da região, sobre o começo da decadência e sobre a instalação da crackolândia.

Foi assim que acabei caindo em alguns blogs onde os autores falavam a respeito da crackolândia, do lugar, dos perigos e das tentativas de ajuda.

No fim, em todos os blogs a conclusão foi a mesma: a maioria está lá por que fez escolhas erradas/é vagabundo filho da puta. Sem contar com os que apontavam a higienização do local como solução (que foram poucos, admito). A maioria dos autores que apresentavam solução colocava o método de conscientização como a resposta. Em outras palavras, para acabar com a crackolândia, é necessário conscientizar a população dos males que o crack trás…

Que nobre colocação…

Logo, para acabar com a crackolândia, temos que manter as condições materiais para existência da crackolândia, mas metendo a real na população.

Então é isso? O pessoal da crackolândia fez escolhas erradas? Eles tinham duas opções, ser um trabalhador honesto, um cidadão-de-bem, barba bem feita, cabelo bem cortado, falando palavras macias com os chefes e pretendendo ser um, mas sabendo que o certo é subir na vida sem prejudicar ninguém, ou, ser um maldito, pária da sociedade, pedaço de cranco vivo, um merda social.

O sujeito acorda e se resolve, “Quer saber, quero ser um merda!”.

É como os religiosos conservadores (pleonasmo?) têm o conceito de homossexualidade: opção sexual. O sujeito termina o banho e se resolve, “Quer saber, quero ser o pária da sociedade, vou escolher ser gay!”. Senta lá, Claudia.

Todos que estão na crackolândia, não estão por que decidiram estar lá. Estarem lá foi produto de vários acontecimentos, não de decisões erradas. Não se para para escolher sobre um assunto tão na cara. A própria decisão é, em si, uma ilusão.

Tenho a leve impressão de que levar tais assuntos para a “decisão pessoal” é quase como falar “eu não decidi estar neste caminho ruim”. Que é, por sua vez, a maneira mais humilde de expressar a própria superioridade moral. “Sou um cidadão-de-bem”. Ou para afirmar “Dei a volta por cima, tudo isso era culpa minha, mas eu me superei e, agora sim, sou um cidadão-de-bem!”.

Legal é que essas pessoas sempre fazem o mesmo discurso de caridade, mas não entendem que só perpetuam a situação abominável de um sujeito, porém não acabam com a consequência necessária de um determinado sistema que é essa situação. São capitalistas com consciência ou anarquistas/comunistas ingênuos. No fim, são mantenedores de algo que dizem “acabar”… Ho ho ho…

 

Anúncios

Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: