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Telesena de Presente

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Você vai ganhar! Depende de você!

Comerciais da Telesena costumam ser dividos em dois tipos: os simples, onde o locutor somente fala “Troque sua telesena mais 3 reais por uma nova” e os elaborados, onde existe todo uma trama até a telesena ser apresentada como a salvação de uma determinada situação (rimou).

Um exemplo clássico: a telesena é apontada como presente. Isso mesmo, uma telesena é dada de presente ou é oferecida como um presente.

Eu já cheguei a comentar nesse blog que interpreto as artes, filmes, comerciais, músicas, toda essa porra, como expressões ideológicas por excelência. Dentro de cada um há uma mensagem ideológica inconsciente que é tratada como natural (pois é realmente essa a façanha da ideologia), logo, lá vem uma interpretação que pode parecer retardada, caso não esteja familiarizado com o assunto [como se muita gente lesse esse blog].

Bom, vamos lá.

A telesena é uma forma aleatória de se ganhar algo. Você compra o ‘bilhete’, raspa e vê se ganha uma casa, presta atenção na tv e checa se ganhou com mais pontos ou menos pontos. Depende da sua sorte. O problema é seu. Existe a possibilidade de ganhar e de não ganhar, simples (porém, a possibilidade de não ganhar é muito maior). O que me chama a atenção está na apresentação da telesena como presente.

Você daria um presente onde pode ser que ganhe e pode ser que não ganhe? Isto é presente?

Meus filhos e minhas filhas, percebam, este é o novo presente. Já não depende de você, depende de quem recebe.

Este conceito é completamente ligado a nova noção da relação do empregado-empregador, onde o empregador está dando uma oportunidade para o sujeito, que, como empregado, deverá aproveitá-la, ou não. Caso seja demitido ou caso o contrato de trabalho não seja renovado, a culpa é do empregado/do mercado. Ou seja, ou a culpa é sua ou a culpa é do meio, mas não é do empregador. O empregador não é mais um carrasco, é uma pessoa bondosa que está lhe dando uma oportunidade de trabalhar em sua empresa.

Pior que essa lorota é aquela onde o empregador precisa de você e você precisa do empregador. Mas, hein? Então não é possível causar uma revolução econômico-social e acabar com a relação empregado-empregador atual? Eu preciso do empregador? Ou eu estou forçado à ter uma relação com ele? Ele também está forçado a ter uma relação comigo, porém, seu papel é bem melhor que o meu.

O comercial da Telesena é a expressão perfeita de uma das faces da ideologia, onde há o livre arbítrio e a culpa é sempre de quem mais precisava de algo, por sua falta de atividade para o sucesso da ação que resultaria neste algo. O presente não é mais a responsabilidade de agradar, de causar sorriso, essa responsabilidade deixa de existir e agora, a responsabilidade é de quem ganha o presente, essa pessoa torna-se responsável pela satisfação que o presente irá dar, pois depende totalmente dela a dita satisfação (isso quando ainda há a certeza da satisfação por ação objetiva, mas, quando é puramente aleatório, como uma telesena, ainda depende da sorte, o que ainda tira a responsabilidade do presenteador [essa palavra existe?]).

Então, a culpa nunca é do empregador, sempre da falta de ação do empregado em aproveitar a oportunidade cedida.

 

 

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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