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De Péssimos Humoristas à Falsa Filosofia Natural

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Eu creio que a decadência do humorista é quando ele começa a fazer piadas sobre fezes e flatulência sem parar. É como o político que apela para a quantidade de obras que ele fez, sem perceber que ele foi partidário da ditadura militar, que é corrupto, que já foi preso e que todo mundo sabe disso. É como apelar praquilo em que as pessoas vão se seduzir fácil, do jeito mais tranquilo de conseguir algum partidário.

O humorista de merda e peido faz todo mundo dar risada por que ele se rebaixa ao nível mais básico do que se pode chamar de humor. Estruturalmente, qualquer idiota sabe do que ele está falando e qualquer um tem certo pudor com esses temas… O que nos leva a pergunta: por que existe pudor em relação a temas que advém da mais naturalidade humana?

Creio que seja exatamente por demonstrar nossa animalidade. Enquanto defecamos/peidamos somos tão animais quanto qualquer outro. Percebam, não há boas maneiras nessa parte do dia. É aquilo que precisamos fazer escondido, onde nossa animalidade não seja percebida, pois, caso seja, tornar-se à piada! Se torna, então, uma questão de cunho social. Se existe a repressão, ela existe por uma norma social, não é objetivamente absoluto [se é que existe esse termo].

E ser natural, a nova onda da jovenzada classe-média-alta, se mostra como algo totalmente idiota. Praticamente tudo que fazemos não é natural. Além de comer, dormir e transar, o que alguém faz que pode ser considerado cem porcento de acordo com a mãe natureza? Morar em predios? Tomar banho de chuveiro? Ouvir música no MP3? Falar no celular?

Não há como ser natural, e regredir no tempo pra alcançar este objetivo é retardado, é quase como os pseudo comunistas/anarquistas que propagam a ideia de viver em uma sociedade alternativa, autônoma, onde a tecnologia como conhecemos não consegue ser suportada (por motivos óbvios, não há recursos para isso), é se isolar da realidade tentando fazer uma nova para si, é ridículo, é egoísta e covarde. Não há nada ruim em ser urbano, porra. Não existe pecado em haver tecnologia. O problema não é a tecnologia, a vida urbana, mas sim, o que rege tais aspectos da realidade.

É como o velho conservador que fala para o jovem que em sua época, as coisas eram melhores, e, o jovem o considera um babaca, porém, em sua velhice acaba falando a mesma coisa para outros jovens… Como se uma dia, uma realidade objetiva tivesse sido a realidade perfeita, totalmente adaptada à vida humana e como se voltar no tempo fosse a única opção para aproveitarmos a vida, sem notar que, se houve mudança, ela aconteceu como uma consequência objetiva da própria realidade e das mudanças nas relações sociais que nela ocorrem.

A diferença entre conservadorismo e vanguardismo é básica: em um o sujeito lembra dos bons tempos, em outro o sujeito age por bons tempos.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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