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Desvantagens do Machismo Para o Homem?

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O machismo é um complexo de valores e ideias onde o homem é superior à mulher.

Há um tempo eu ouvi uma discussão onde um sujeito que se dizia feminista teve que ouvir de uma feminista que, na verdade, ele não era e nunca poderia receber tal adjetivo, pois ele é homem e, apesar de não desfrutar de todas as vantagens que o machismo lhe fornece, ele ainda tem a possibilidade de tal atividade.

Eles não age como machista, mas pode e não será subjulgado por isso.

Dentro deste comentário, a questão das vantagens que o machismo fornece foi colocada em questão. O machismo fornece, também, desvantagens. Eu me perguntei, quais desvantagens?! Ser ativo na conquista amorosa/sexual? Ser o provedor? Ser o responsável pela sociedade? Esses são os pontos negativos? Esses são os fardos do homem numa sociedade machista?

Não são fardos, são, também, vantagens.

Em todas essas ”desvantagens” a consequência básica e imediata de sua existência é alguma autoridade para o sexo masculino.

Ser ativo na conquista é a expressão de ser a caça no jogo machista de caça e caçador da sociedade atual. O homem é aquele que sai a procura de sua presa, ele é quem faz gozar, ele é quem goza, a mulher é um instrumento e caso não se comporte de tal forma, será designada por algum adjetivo diferente do normal. Se é o homem o sujeito ativo, é ele quem decide, em última instância, se haverá a relação e, caso não seja ele o sujeito ativo, será caracterizado como sujeito sem masculinidade e a mulher como vadia.

Ser o provedor é maneira mais explícita de autoridade. Ele, sendo provedor, participando da produção, o transforma em responsável e autoridade na sociedade e na família. Se ele que trás a comida, se a comidade é essencial, ele quem decide o que será feito com a família, ele que decide o que deve acontecer. Se ele produz e se a produção é essencial para a sociedade, ele que toma as decisões para a própria sociedade. A participação social é a ligação do sujeito com os assuntos sociais, é a forma que ele justifica sua vida em sociedade, quando não participa, não tem autoridade para as decisões sociais.

Esses “fardos” fazem parte da autoridade do homem. São pontos básicos que constituem o homem social.

E somos levados a crer que homem é quem nasce com pênis e mulher é quem nasce com vagina, mas homem e mulher são conceitos sociais. São definidos por práticas sociais. Homem não é aquele que nasceu com pênis, homem é aquele que pode ser definido por determinadas características socialmente aceitas como características de um homem. Por isso creio que existam mulheres-homens, ou seja, mulheres que se comportam como típicos homens, principalmente nas empresas, onde, para tentar alguma acensão e respeito, precisam se adaptar à cultura do mercado de trabalho, que é machista.

O mesmo pode se estender à outros grupos inferiorizados, como homossexuais e negros. O Obama é negro? Só se for de pele. Homossexuais que são contra o beijo gay em público são realmente homossexuais, ou são homo-heteros?

Sem essa de tentar esteriotipar os grupos e, desta maneira, produzir uma identidade. Sem essa. A intenção é mostrar que esses grupo, ao invés de destruir as identidades sociais que são levadas a sério atualmente e, desta forma, não serem mais vítimas da burrice social, tentam se adaptar.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Oi! Agora que eu me liguei que você também tem um blog 😉

    Achei interessante esse texto – embora eu não concorde com a feminista citada, acho que homens podem se considerar feministas por apoiarem a nossa causa e também lutarem por ela, ainda que eu também ache que não dá pros homens pautarem o feminismo pelo simples fato de que não sofrem a mesma opressão que nós.
    Mas eu só não entendi bem a sua conclusão: de que os grupos tentam se adaptar, em vez de destruir as identidades. A luta do feminismo, por exemplo, é justamente desconstruir as identidades de gênero, que estão fundadas em vários lugares: no nosso discurso do dia a dia, nas narrativas em livros, TV, cinema, orais, ou ainda de forma institucional (dificuldades das mulheres terem acesso a grandes cargos, ou proibições explícitas em lei ou códigos internos) etc etc. Um grupo de homossexuais realizando a Parada do Orgulho Gay justamente para se reafirmar também não me parece uma mera adaptação à sociedade. Daí que não entendi direito qual foi exatamente a sua crítica a esses grupos (eu entendi que era uma crítica!).

    E de resto concordo muito: as idéias de “Negro”, “mulheres”, “gays”, “homens” são de fato idéias construídas socialmente, muito mais do que dados biológicos.

    Até mais!

    Resposta
    • Essa ideia da adaptação ocorre com o orgulho de ter uma Miss negra, por exemplo. Onde, o fato de haver um concurso de miss já se expressa o conteúdo branco hitórico. Haver uma miss negra é simbolo da inclusão de uma negra num mundo de branco, porém, de negra, só lhe resta a pele. Com isso, pode-se concluir que a história da desigualdade com os afrodescendentes é jogada fora, esquecida (ou até, tolerada).

      Em relação aos movimentos gays, percebe-se que existe a reivindicação por tolerância daqueles mais presentes. Como pode pedir tolerância para si? Isso é ridículo! Os movimentos gays não podem cair na armadilha ideológica da tolerância, precisam lutar por igualdade política e social.

      Resposta
    • Lembrei agora! A luta teórica das feministas revolucionárias é realmente a de destruir a forma como se remetem às identidades, atualmente, porém, o grande grupo feminista (as feministas liberais) lutam, em seus programas, por tolerância na realidade socioeconômica atual, sem perceber que é essa realidade que perpetua a desigualdade politica e socio economica das mesmas.

      Resposta
      • Não sei que grupo feminista liberal é esse de que você fala que pede somente por tolerância. Tolerância ao quê, aliás? Tolerância às mulheres? As principais lutas feministas costumam se concentrar em direitos sociais e políticos também: direito sobre o próprio corpo (ex mais famoso:aborto), direito ao ir e vir (esse direito é constantemente ameaçado, uma vez que nosso corpo é visto como propriedade alheia, daí ameças de estupro), direito a nos vestirmos como quisermos, direito à igualdade no trabalho, direito ao voto, ao trabalho etc etc.

        Concordo que uma mudança como a que o movimento feminista espera teria que ser subversivo, no sentido de romper com a ordem atual das coisas radicalmente. Mas acho que isso não se opõe a pedir tolerância.

        Eu entendo que pedir por tolerância pareça ser negar a sua própria legitimidade, e gostei da sua observação sobre a Miss negra, embora eu ache que simbolicamente ela representa muito. Mas acho que você tá confundindo o conceito de tolerância (que é basicamente respeito mútuo entre diferentes) a algum tipo de conformismo. Tolerância é um dos princípios da democracia e da sociedade diversificada, não-homogênea. Me parece lógico pedirmos por uma sociedade tolerante às diferenças. Eu enquanto atéia, espero tolerância dos demais quanto a isso, da mesma forma que busco tolerar os religiosos. Não seria algo unilateral do tipo “eu sei que sou inferior, mas me tolerem por favor”. E, além do mais, uma sociedade sem tolerância como princípio (e ser um princípio não quer dizer necessariamente que sempre será aplicado, mas já é alguma coisa) ou é uma ditadura, ou uma guerra constante.

        Resposta
        • A tôlerancia carrega em si o pressuposto da inferioridade, por que ela carrega em si quem deve ser tolerante e quem deve abaixar a cabeça. Por exemplo, a tolerância religiosa é uma tolerância dos cristãos com as outras religiões (ou das vertentes mais populares com as menos populares do cristianismo). Assim como a tolerância é dos brancos com os negros.

          A questão de pedir tolerância nem pára por aí, também se dá pela forma falsa como é colocada. Realmente, uma sociedade, seja ela qual for, precisa de formas de conduta onde não seja necessário haver guerra pq eu torço pro palmeiras e você para o corinthians, porém, quando o problema das lutas sociais é direcionado como um problema de tolerância e não como um problema social/político/econômico, quando é considerado um problema de cultura, mas não uma falha no próprio sistema vigente, é aí que devemos desconfiar das análises.

          Sobre as feministas, desde sempre há duas vertentes feministas, as chamadas burguesas pelos teóricos de esquerda e as revolucionárias, que seriam aquelas ligadas ao movimento comunista e/ou anarquista. Veja na Europa e EUA, onde o movimento tem raízes préhistóricas, aqueles que tem visibilidade e força, são totalmente dentro da ideologia da tolerância (deviando os problemas econômicos e políticos e os colocando como problemas culturais.).

          E, por fim, tb sou ateu, e não quero que me tolerem por isso, nem tolero alguém por sua religião, só tento formar normas de conduta onde essa afronta/assimilação não seja necessária. Ou seja, viver sem ter que estabelecer uma relação social de alguma autoridade ou obrigação seja necessária. Mas, com certeza, sendo ateu, eu considero que naõ há deus nenhum e que, por consequência, aqueles que creêm estão redondamente errados.

          Resposta
  2. Concordo que os “fardos” são é vantagens (justamente por estabelecerem uma relação de dominação do homem sobre a mulher), mas eles podem também ser “fardos” para o homem que não se enquadra no padrão estabelecido de “homem” em nossa sociedade e que, por conta disso, acaba por ser “marginalizado”.

    Por exemplo, ser o “ativo” na conquista amorosa/sexual é algo extremamente complicado para os homens tímidos – ou seja, tal padrão de “homem” não é uma vantagem para eles, mas sim um fardo. Causado pelo mesmo machismo que impõe à mulher o papel de “passiva”, fazendo serem mal-vistas as que procuram subverter tal ordem.

    Resposta
  3. Sim, porém, o homem tímido ainda é um homem e ainda tem a autoridade, só não a expressa. Basta vencer a timidez que a situação clássica do homem caçador, poderoso, volta.

    Obrigado pelo comentário!

    Resposta
    • Concordo c o RoDrigo, e embora vc tenha respondido algo, sua resposta nao pode generalizar todos… Ja que vc parte da premissa q todo mundo quer participar dessa cansativa corrida pelo poder, autoridade… Mas não, é desgastante ser humano e ir atrás de fetiches como o corpo perfeito, o dono do poder, a mulher perfeita ou o homem ideialConcordo c o Ro

      Resposta
  4. Pingback: Masculinismo, Equilibrio dos Papéis e Doutrina Dogmática « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek, Louis Althusse

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