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Sou Chocólatra!

Publicado em

Estou entrando em crise de abstinência!

Esses dias estava pensando em algo curioso.

Vi um programa do Jô Soares, onde dois viciados em chocolates participam, eles contam como é a vida de um chocólatra. Escreveram um livro e etc, na entrevista contam situações inusitadas e essa badalhoca toda. O que me deixou pensativo foi a maneira como tudo era apresentado. Os viciados em chocolate se divertiam com o fato e esse vício era quase apresentado como algo desejável, tudo era muito positivo e cheio de brincadeiras.

Na hora, pensei comigo, “Se fosse viciado em crack não seria a mesma coisa”, com certeza não, pois há um enorme diferença entre o crack e o chocolate, mas o vício ainda persiste, e pior, o vício, em si, é não ter controle do consumo de determinada coisa ou controle de determinado ato. O vício não é bom.

Mas então, por que se orgulhar de ser viciado?

Ser viciado em chocolate é unir o vício (mal) com o chocolate (bem). Quem é viciado em cholocate está dentro do contexto da pessoa que é simpática, entretando, caso você mexa com ela, ela irá mostrar seu lado ruim. Em outras palavras, eu sou malvado por ser viciado, oras, isso é um caso sério de saúde psicológica e física, mas meu vício é em chocolate, algo doce, bom, infaltil, que simboliza o prazer.

Logo, eu declaro ter um vício (algo ruim, evitável) em algo inofensivo (o chocolate) somente pelo status extremo do vício, mas sem as suas consequências: Sou Chocólatra.

Creio não ser nem um pouco ilógico puxar a teoria de Zizek sobre a coisas sem sua própria substância, como o consumo de café descafeinado, carne sem a gordurinha, Coca Diet, Chocolate Laxante e Ciber-Sexo, onde a coisa é consumida sem sua essência, evitando as consequência de seu consumo.

Outra interpretação histórica pode ser ligada ao vício em café. Há símbolo mais reacionário que o orgulho pelo vício numa substância que é popular por deixar acordado pra trabalhar melhor?

O orgulho pelo vício em café é a expressão simbólica perfeita da superprodução. Não importa em quais setores. É ser malvado, porém, ainda um bom trabalhador. Ou pior, ser malvado no mercado de trabalho, malvado na competição do mercado.

Na moral? É mais honesto ser viciado em crack do que em chocolate ou café. Crianças, não fumem crack, o ministério do bom senso agradece.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

»

  1. Interessante. Mas, ainda, sou viciada em chocolate.

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  2. Quem é consumista também é bem visto pela sociedade…é um doente e talz,mas é um doente que ajuda a roda girar,então tudo bem…

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