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Rafinha Bastos Afastado do CQC, Extrema Direita e Honestidade do Discurso

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Depois de abusar da sorte politicamente incorreta, Rafinha Bastos foi afastado do CQC, aquele programa sem graça da Band que tenta ser um humor inteligente. Já escrevi um pouco sobre o Marcelo Tas no post sobre a Propaganda da Hope, agora vou falar sobre o Rafinha Bastos, que, pelo contrário do que possa parecer, eu concordo com ele em certos pontos.

Primeiro, eu sei que ele é só a nova cara do conservadorismo. Rafinha Bastos é como o cristão rockeiro, que tem tatuagens e fala cheio de gírias, continua sendo o mesmo cristão de sempre, porém, com roupagem liberal/moderninha. porém, há um ponto no Rafinha Bastos que eu considero como positivo: ele é honesto intelectualmente.

Óbvio que o aumento da popularidade dos programas anti-imigração na Europa se dá exatamento por partidos de extrema direita, que conseguem conversar com o povo, que, por sua vez, está cada vez mais distante de alguma opção partidária, quando a dita esquerda e direita se unem em prol de um capitalismo que seja (supostamente) bom para os dois. Esses partidos utilizam da mesma honestidade que Rafinha Bastos, é essa honestidade que falta na esquerda e nos movimentos sociais.

O Rafinha não é besta nem ingênuo, pela reações que suas piadas idiotas sofreram, ele sabe que quanto mais piadas fizer desta forma, mais reações negativas vai sofrer. Então por que ele continua fazendo esse tipo de piada? Por que ele encarnou o papel do Politicamente Incorreto. Ele não diz que come a Wanessa e o bebê por ingenuidade, mas pelo que ele acredita, que o humor é ácido e incorreto. É exatamente aqui que ficamos indignados.

Nós nos queixamos por ele defender o que acredita. Simplesmente. Nos queixamos por que ele realmente segue aquilo que crê.

Uma sociedade realmente tolerante é regida por uma censura social, e aqui entro no conceito Durkheimiano de coerção social, onde os individuos simplesmente não falam determinada coisa em público por temor de sofrer sanções morais. (Em uma sociedade realmente tolerante) Não se faz piada sexista por saber que o Sexismo é um câncer histórico.

Porém, atualmente, exatamente o contrário está acontecendo. Somos levados a acreditar que a sociedade tolerante é aquela em que todos falam o que quer e não são criticados ou censurados por isso. Pode-se ver que essa é a lógica muito bem usada pela camada conservadora, quando podem expressar sua homofobia sem sofrer nenhuma repressão. Eu acredito que a esquerda deve ser radical e extrema, tomando nas mesmas proporções e levando à sério sua própria cosmovisão.

Justamente neste quesito eu dou dez ao Rafinha, ele foi totalmente honesto com o que acredita. Neste ponto eu acredito que os socialistas/anarquistas devem fazer igual, levar à sério o que acreditam.



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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. gostaria de discutir sua visão acerca do fato que motivou o post, mas deixarei pra depois, se tivermos oportunidade. no momento escrevo aqui apenas para duas observações textuais que considero que deva corrigir: Durkheimiano, e não Durkheiminiano. a auto-correção não ajuda em alguns momentos, não é? e ‘justamente neste quisto’?
    um abraço. até.

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  2. Não acompanho o trabalho do tal Rafinha Bastos, só sei de sua existência por que muitos de meus alunos o adoram. Soube da “frase infeliz” aí em cima e na hora me perguntei se as pessoas que assistem não sabem diferenciar HUMOR politicamente incorreto de quaisquer outras coisas que possam ser enumeradas.

    Lido todos os dias com pessoas adestradas para apontar quaisquer eventos que fujam do politicamente incorreto. Falo de adestramento mesmo, pois não existe consciência entre o fino limiar do que deve ser verdadeiramente uma preocupação. Lembro-me que certa vez realizei uma oficina com professores e falei de um personagem da ficção cuja raça fora amaldiçoada a exibir na pele a escuridão e negritude de suas almas. Isso causou uma comoção entre as professoras que participavam da atividade que por pouco não consigo retomar a oficina.

    Boa lembrança de Durkheim! Mas recorrerei a Kohlberg para contextualizar um pouco mais essa “febre” do politicamente correto. Kohlberg é um psicólogo americano que avança na teoria do desenvolvimento moral de Piaget. Bem, existem níveis (1 a 6) e nós avançamos nestes níveis. Potencialmente todos nós somos capazes de transcender valores culturais em que fomos socializados, não apenas incorporando passivamente. Com isso, nossa própria cultura pode ser modificada.

    Infelizmente a maioria dos indivíduos entram-se no estágio 3. Sabe a expressão “média”, “medíocre”, ela se aplica. O politicamente correto é o dono do estágio 3. “Seja um bom menino se não você não terá amiguinhos na escola”. E pelo medo de não ter amigos você é um bom menino, não por que você QUER ser mas por que você TEM que ser caso contrário não será aceito por seus pares. Essa é a falsa consciência, uma consciência advinda da obrigação social de ser “bom”.

    No cenário de hoje NUNCA teria veríamos o Costinha. É só humor, gente. SÓ isso.

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    • Creio que o problema do politicamente correto não seja nem pela sua prática, mas por como essa pratica aconteceu. Repare, há uns 20 anos era terminantemente proibído socialmente ser racista, mas hoje, existe uma certa tolerância e respeito por aqueles que “simplesmente não gostam de negros, embora não batem em nenhum”. O politicamente correto é ser contra esse tipo de declaração, porém, tal declaração está dentro da liberdade de expressão democratico-liberal e etc., eis que surge o embate, como ser contra um tipo de discurso/prática e ser a favor de uma suposta liberdade de expressão? O politicamente correto nasce da tentativa de conceitualizar as censuras sociais de forma democrático-liberal. É por isso que ele nunca tem assertividade no discurso (o politicamente correto), pois é uma contradição perfeita, mas é uma contradição feita pela exposição das censuras sociais, é como se todos soubessem o por que de não se sentirem à vontade andando pelados na rua e, de repente, duvidassem disso e começassem a andar peladões.

      O grande problema é que todos estão duvidando de por que naõ podem ser racistas, homofóbicos e etc. Isso nunca será bem explicado pelo liberalismo.

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  3. Por favor, ignore os erros de concordância. Escrevi correndo e estou morrendo de sono. 🙂

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  5. Somos composto de corpo e mente. Quando o corpo fala o que a mente pensa, explicitamente, da nisso. Uma verdadeira comoção.

    Pra mim foi só uma atitude transgressora, que incomoda(e muito) os alicerces dos costumes familiares. E ca pra nós, a bem da verdade, trazendo a frase dita para um ambiente diferente e do nosso dia a dia, nada demais ele pensar desta forma.

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  6. Cheguei aqui pelo teu comentário lá no meu blog, e concordo totalmente: gostemos ou não, o Rafinha foi honesto. E isso até facilita a crítica: uma coisa é criticar o ponto de vista de um cara com base no que ele mesmo disse; já com o “politicamente correto” corremos o risco de sermos chamados de “preconceituosos” ao criticar seu conservadorismo – que ele não expressa abertamente, mas se revela em suas atitudes, em seu conformismo.

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