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Morre Steve Jobs, Ficam o Fetichismo pela Maçã e o Capitalismo Zen

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Morreu na quarta-feira Steve Jobs, o super-homem da Apple e criador de diversos produtos que nós não precisamos, mas compramos. Basicamente, após a morte dele, vários comentários foram feitos,vou colocar alguns exemplos no post e depois comento a respeito, mas, somente um me deixou bem cabrera (todos tirados do site da Folha).

“Obrigado por mostrar que o que construímos pode mudar o mundo. Vou sentir a sua falta.” – Mark Zuckerberg

“Estou verdadeiramente entristecido ao saber da morte de Steve Jobs. Melinda [mulher de Gates] e eu estendemos nossas sinceras condolências a sua família e a seus amigos, e para todos que Steve tocou ao longo de seu trabalho”, disse Gates. “Steve e eu nos conhecemos há cerca de 30 anos, e fomos colegas, concorrentes e amigos ao longo de mais de metade de nossas vidas.” – Bill Gates

“mudou o modo como cada um de nós vê o mundo”, o que disse ver como “um dos feitos mais raros da história da humanidade”.

“Steve estava entre os maiores inovadores americanos –corajoso o suficiente para pensar diferente, ousado o suficiente para acreditar que ele poderia mudar o mundo e talentoso o suficiente para fazê-lo” – Barack Obama

Antes de tudo é interessante ver o culto que foi feito em torno dele. Até seu modo de se vestir é apreciado… Caso ele fosse mais um analista de sistema, seria taxado de vagabundo, mas, como é um empresário de sucesso, ele mostrou que “pode” usar uma roupa diferente, ele se torna a autoridade despojada, mas, ainda autoridade. Ele é o exemplo perfeito do Capitalismo Zen, onde o stress de um mundo cheio de reuniões e demissões é deixado de lado e considerado um apego não legítimo com uma realidade que, na verdade, não existe.  A indiferença com o que acontece após as decisões que desempregam milhares de operários, ou ao saber que seus fornecedores utilizam mão-de-obra escrava e etc, é o complemento ideológico perfeito.

E é muito legal ler Bill Gates o relacionando como amigo e concorrente, ou seja, separando a vida profissional com a vida pessoal. Separa o sujeito em dois, como se tivesse duas consciências separadas. hoje em dia, as características negativas de chefe são consideradas um fardo a ser carregado para o bem da empresa, não uma atitude opressora, autoritária e etc. “Quando está na empresa, ele precisa se comportar como chefe, mas não significa que ele realmente seja assim”, é verdade que o indivíduo acaba se representando de formas diferentes em lugares diferentes, porém, sua vida ainda é uma só e ele acaba sendo influênciado (e acaba sendo influência) por tudo, a qualquer momento e em todos os momentos.

A grande sacada é botar a culpa nos empregados quando estão trabalhando mal por que brigaram em casa. Separe sua vida, seria a solução, mas ela não existe. É ilógica. Assim como o modelo de capitalismo de Bill Gates e suas ações “em casa”, quando ele pode mostrar seu lado humanitário.

B. Gates é a representação do capitalismo de face humana, como já postei aqui, sua declaração só reforça a ideia de que, apesar de concorrentes, fora da empresa somos amigos, queremos o bem um do outro, e, fazer o que, o capitalismo é assim, temos que concorrer e ainda bem que concorro com um grande amigo.

Obama e Zuckerberg expressaram opiniões de quem deve falar algo, mas não tem nada a falar. Se não tem o que falar, manda uma do tipo, “Obrigado, meu amigo, você foi inovador e criativo!”. Que criou vários objetos de consumo e que moldou o desejo dos consumidores. A Apple é considerada modelo por que inventou uma necessidade e a explorou.

O que nós precisamos saber, é que tudo que foi criado por Jobs, no fundo, era um objeto de desejo não reivindicado. Todos eles são somente objetos tecnológicos, mas que, não passam de suas funcionalidades genéricas. Eu digo, pois, é intrigante chamarem o iPod de iPod e não de Player, ou de MP3 (mesmo sabendo que não roda .mp3), ou chamarem o iPhone de iPhone, não de celular. É como a Nike… Não é um tênis, é um Nike.

A mercadoria se tornou única, objeto pedestalizado de consumo, é o fetiche em seu maior grau e também a demonstração óbvia de alienação.

Mas, e agora, como proceder? Como combater? Entramos em uma contradição para concluir o pensamento:

  • Se comprarmos outro celular, estaremos alimentado o liberalismo, fortalecendo as concorrências e etc.
  • Se boicotarmos, será um boicote fraco e puramente ególatra. A industria não vai sentir em nada.
  • Se comprarmos Apple, estaremos ajudando na formação de um monopólio.

Parece que não temos saída, que sempre seremos escravos (ou qualquer clichê), entretanto, não seria o monopólio uma maneira de acabar com outras empresas e, ao mesmo tempo, centralizar a luta? Eu quero dizer, o monopolista é aquele que dita como deve ser, logo, teríamos um inimigo muito mais fácil de avistar, não? O ser totalitário perfeito, que comanda como tudo funciona e que tem todo o poder em suas mãos.

 

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

»

  1. muito boa a matéria é exatamente o que ele representava e ainda representa para todos os amantes da tecnologia

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  2. qui pena qui ele morreu ne

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  3. Pingback: Morte de Kim Jong-Il, Personificação do Estado e Brecha na Liderança « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek, L

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