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I Am Curious, Toddynho, Marcha do Orégano e Não-Violência

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I am Curious é um filme Sueco, de Vilgot Sjöman, que conta a história de um diretor gravando um documentário político com sua namorada. Basicamente, I Am Curious é um filme sobre um filme, ou melhor, é um filme em um filme, onde, no fim o verdadeiro filme é o filme dentro do filme (o documentário), já o filme em primeiro plano, é como a realidade em si. Não que seja, nofim das contas, o filme é fantasia e o documentário filmado dentro do filme é a fantasia da fantasia. Isso é bem retratado até pelos nomes dos personagens, sempre coincidindo com os nomes reais.

A coisa, na verdade, não é a coisa, mas, em análise profunda, continua sendo a coisa, e aquilo que pensávamos ser a coisa, só algo para explicitar o que realmente a coisa é. Em outras palavras, vamos lembrar do caso do Toddynho, onde um lote de embalagens com toddy foram recheadas de detergente utilizado para limpar os reservatórios da fábrica responsável pelo envaze.

A ida de detergente foi, na verdade, a ida da verdadeira substância do recipiente, quero dizer, é muito mais honesto colocar detergente com pH de soda caustica na embalagem que colocar o próprio toddynho. O Toddynho é um produto industrial de larga escala que representa todos lixos industrializados, comerciais e espetaculares. No fim, trocou-se o lixo maquiado por um lixo de rosto desfigurado. A existência de detergente dentro das embalagens do toddynho só afirma que, na verdade, o próprio toddynho é o lixo. Ou, indo até contra o que eu deveria ser a favor, mas tentando fortalecer aquilo que eu acredito, poderia dar como exemplo a marcha da maconha. Apoio totalmente, mas, e a marcha do orégano?!

A marcha do orégano é como quando o pai manda o filho ir pro quarto dormir e o filho fica embaixo das cobertas, no escuro, fazendo força pra não dormir e, dessa forma, desobedecendo a lei expressa do pai.

Lá, a contestação está dentro das leis e dos costumes, digo, qual é o real impacto de uma marcha do orégano? É só a demonstração pura da infantilidade e da falta de teoria na educação política dos integrantes da manifestação. Se levarmos em conta isso, podemos afirmar categoricamente que a mesma falta de teoria falta no bojo da marcha da maconha. A marcha do orégano, sendo assim, feita por quem apoia e participa da marcha da maconha, só ressalta que a própria marcha (da maconha) é constituída, na verdade, por pseudo-revolucionários.

Se a marcha tenta destruir um determinado paradigma social, por que ela trabalha naquilo que não é horrendo para o bojo social? Por que ela não impacta nem um pouquinho as estruturas socais? Estão jogando na cara da sociedade que a maconha não é ruim fumando orégano?!

Ainda no filme, temos a tentativa de Lena, personagem principal, a namorada de Vilgot, aderir à não-violência, a proposta associada à Martin Luther King, que aparece em uma entrevista, no filme.

O que há de mais violento do que a não-violência? É bem ela que exibe à pele nua o que realmente é o aparelho repressivo estatal. A não-violência obriga o aparelho repressivo à não agir, entretanto, ele existe para a ação, então acaba sendo violento com os manifestantes não-violentos. A não-violência, naquele contexto (de Gandhi ou Luther King) era a forma subversiva perfeita contra o Estado e seus aparelhos repressivos, como a polícia.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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