Assinatura RSS

Garotinho, Bolsonaro, Myriam Rios e Lacan

Publicado em

Pelo que eu conheço, as pessoas que estão aqui são como eu já fui um dia: agnósticos, marxistas. Isso não reflete a sociedade brasileira. Não podem estar em um conselho em que, mesmo não sabendo, a sua visão pessoal acabará prevalecendo sobre a visão do coletivo.

Essa foi parte do discurso de Anthony Garotinho em reunião do Senado.

O que me deixa intrigado: então os grupos minoritários não têm voz em decisões públicas? Isso é fascismo! Mais uma vez, uma artimanha conservadora, se aproveitando de brechas ideológicas da democracia liberal.

A sociedade brasileira é do reflexo o sistema democrático-proto-liberal que vive. Ela nunca, como um todo, aprovar, por exemplo, legalização do aborto. Se a decisão política for sempre baseada no que o povo quer, ou nos representante ‘legítimos’ do povo, o Brasil volta pra ditadura em dois tempos.

Eu fico imaginando no meio da década de 60, por exemplo, nos estados do miolo dos EUA, como seria legal um representante público indagando a participação de político antirracismo, pois esses, por sua vez, não eram os representantes legítimos da sociedade racista norte-americana.

Isso me faz pensar em um retrato deprimente da sociedade brasileira (e mundial). Quem seriam os reais representantes da sociedade? Por incrível que pareça, eu creio que o Bolsonaro seja um deles. Bolsonaro é a personificação do cidadão médio ausente de um superego não tão ativo. Assim como a Myriam Rios, e outros deputados e personalidades declaradamente homofóbicas, porém, ”em seu direito de ser”.

É aqui que a expressão de Lacan, “Se Deus está morto, nada é permitido”, entra como possível explicação desse conservadorismo cristão “que luta pela liberdade de todos”.  Se deus está morto, em nossa sociedade multiculral e tolerante, teríamos liberdade para aproveitar de todos os gozos da vida, porém, sempre evitando seus excessos, para que, assim, possamos gozar de tudo um pouco em um longo tempo (ex.: Café descafeinado,  ciber-sexo, política administrativa e etc). Logo, nossa vida seria extremamente regulada, nunca experimentaríamos a verdadeira liberdade.

O inverso também é verdadeiro. Se deus está vivo, tudo é permitido. Tudo que tenha inclinação a ele é permitido e justificado como sendo uma ação ao grande Outro, um fardo necessário (ex.: homens-bomba, racismo e homofobia disfarçados em discursos pró-liberdade, guerras santas e etc). No fim, quem o faz não se sente culpado, nem sente nenhum peso nas costas, pois a ação foi uma determinação do outro, foi um ato à ele e um sacrifício pela causa. Quero dizer, no fim das contas, eles ainda são heróis da causa.

Anúncios

Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

»

  1. Quando se vendem promessas de “liberdade” não se costuma dizer claramente em relação a que seria a tal liberdade. Nos libertaríamos do “pecado”? Do “mundo material”? Da nossa condição econômica de nascimento? Da nossa consciência? Eis o truque – ou melhor, um dos truques.

    Resposta
  2. Pingback: Greves, Todo Mundo Odeia Salário Mínimo e A Espera de Um Milagre « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek, Louis

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: