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Políticos Corruptos, Devio de Atenção, Tropa de Elite e Cidadão Médio

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Neste texto vou me apropriar de um tema instigado no blog Contra Cultura.

Ultimamente é fácil escutar um “Enquanto isso os políticos roubam em Brasília!”, ou “Contra a corrupção ninguém faz nada!”, quando qualquer tipo de manifestação ou protesto é feito. Por exemplo, no caso do Rafinha Bastos, foi fácil ver a comoção no Facebook de pseudodefensores da liberdade de expressão em disseminar uma publicação com os dizeres: “Brasil: Levam os humoristas a sério e os políticos na brincadeira”.

Desculpa nenemzada, o fato de haver políticos corruptos não anula o FATO de que ainda há diversos outros problemas que também são importantes e que também merecem atenção. Basicamente, exigir uma atenção contra os políticos corruptos quando se vê protestos contra homofobia, racismo, conservadorismo e etc, só demonstra uma tática ideológica de trocar o verdadeiro alvo das ações.

Enquanto toda atenção for desviada para assuntos insolúveis (pois o problema da política é sistêmico, não dá pra tentar fazer nada só por reformas ou protestos anticorrupção), os assuntos onde pode acontecer um impacto maior (como a legalização da maconha), acabam sendo suprimidos naturalmente, sem intervenção repressiva, somente ideológica.

Ou como foi dito no Contra Cultura:

É o fenômeno do “enquanto isso os políticos roubam”. Essa frase é usada sempre quando se quer desclassificar uma questão importante para determinado grupo, seja os negros, as mulheres, as lésbicas, os gays, enfim, minorias em geral. Nos comentários da notícia sobre o novo vídeo feito pela Caixa, agora colocando o Machado de Assis como ele de fato era, mulato, muita gente diz: “pra que perder tempo com essas bobagens? enquanto isso, tem um monte de político roubando”.

Essa frase pode vir de outras maneiras: “e enquanto isso, tem um monte de crianças sofrendo na África”, ou “e enquanto isso a gente tá destruindo o mundo, poluindo o meio-ambiente” e por aí vai.

Há melhor exemplo de tática ideológica para desvio de assunto? Puro alarmismo liberal.

É como em Tropa de Elite, onde a apresentação do cidadão médio sendo o mais natural possível, sem as amarras da sociedade é apresentada como sendo a solução para os problemas do RJ. Basicamente, se queremos acabar com os problemas, vamos bater em playboy que compra maconha de traficante e vamos matar os traficantes. Porém, o grande problema com as drogas não está na sua venda ilegal, mas está na ilegalidade e nos motivos para tal estado.

Na realidade, não faz diferença se meia dúzia de pseudorevolucionários boicotassem o tráfico. Na verdade, a afirmação de que quem compra maconha está alimentando o tráfico é muito mais carregada de carga ideológica que pode parecer. Basicamente, isso é argumento de quem boicota a Coca-cola, ou de quem acha que acha que o problema das drogas é cultural, ou até, por incrível que pareça, individual (a pessoa que se droga, problema dela, ela é culpada, ela usa por que ela quer). Então, e aqui expresso de forma direta, quem compra droga do traficante não modifica em nada a situação atual, pois ela é sistêmica! O boicote ao tráfico como maneira de acabar com algum mal da sociedade é pura massagem no ego. Vão pensar, cambada.

O Capitão Nascimento e a ideologia por trás do BOPE no filme são, assim como o Bolsonaro, a representação do cidão médio conservador, aquele que ignorou completamente as censuras sociais da democracia liberal e quer ser anti herói, pois a única salvação do país é “se livrar das medidas de proteção que só protegem os bandidos”.

 

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Essa estratégia do desvio de atenção é talvez o jeito mais comum de desqualificar os movimentos contra a homofobia. “Tanta miséria nesse país e ficam discutindo isso”, ou “Essas reivindicações só vão desagregar ainda mais a sociedade” (não é difícil imaginar quais seriam as alternativas que daí decorreriam). Ótimo texto! Atinge em cheio a raiz do problema (a propósito, você viu a capa da última Veja, com a máscara de Guy Fawkes? Ironias e contradições gritantes, que vão passar totalmente despercebidas pelo “cidadão médio conservador”).

    Responder
    • Sim, eu vi. Cara, pra mim isso foi como as Esfirras de Cuba, ou as camisetas de Tent Beach com a foice e o martelo, sacolé?

      Absorver uma oposição e transformá-la em força própria.

      Assim como em Dreamers, o filme de pseudorevolucionários franceses. Superficialmente é um filme alternativo, que quebra tabus, mas analisando um pouquito mais, se percebe que é mais uma bronha comercial com roupagem diferente.

      Responder
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