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Consumismo, Propagandas do Governo e Neohippies

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Após anos absorvendo o American Way Of Life nos filmes comerciais dos EUA, não é difícil observar uma certa identidade do cidadão tipicamente americano, defensor da propriedade privada, nacionalista, herói da liberdade e etc. O que me incomoda é ver o Brasil se tornando um EUA, neste aspecto. Ou seja, ver que certas maneiras de ser estão se tornando um Brazilian Way Of Life cristalizado.

Eu digo, é com um pé atrás que devemos analisar o aumento do poder de consumo das classes mais baixas, o site Desinteligência Crônica já observou isso. Basicamente, à maneira como é mostrado, o aumento do poder de consumo é a possibilidade de afirmarmos uma identidade, já que a identidade advém do consumo, em nossa sociedade superficial e etc. Não sou o que faço, sou o que tenho, ou melhor, o que tenho define o que faço.

Quando, nos comerciais do governo, o consumo era sempre afirmado como aquilo que move a roda da economia, não dá pra considerar outra coisa além da armadilha oculta na propaganda caso você consuma, não será só um idiota manipulado pelos publicitários, se você consumir, irá participar de algo maior, que é a manutenção da economia do país.

Então o consumo passa a ser mais do que compra fútil, ele tem um objetivo ético. É como a compra de alimentos de empresas que ajudam crianças famintas da África de acordo com suas vendas anuais. Basicamente, existe a manutenção do sistema que tem como consequência a existência de crianças famintas que precisam ser ajudadas e, no fim das contas, essa ajuda só mantém as crianças em sua situação de miséria por mais um tempo.

Eu, sinceramente, nem gosto do discurso anticonsumismo desenfreado. Na maioria das vezes se trata de um discurso pró-consumo consciente. Nós podemos consumir, desde que seja um consumo ético, respeitando a natureza e exigindo que as fabricas não utilize mão-de-obra escrava  etc e etc. Eu creio que a própria palavra consumo (ou consumismo e as derivações) já está atrelada a vários conceitos liberais ecológicos e de liberdade, é por isso que qualquer discurso anticonsumismo que não seja explicitamente uma crítica à ideologia me faz ficar com um pé atrás.

Depois de tanto neohippie no Parque do Ibirapuera e nas faculdades de ciências humanas, fica difícil confiar num discurso como este, quando vem isento de crítica.

Não seria esta mais uma incorporação da crítica pelo sistema criticado? Agora você também pode criticá-lo, não tem problema, só não contaram que essa crítica é mais uma face da ideologia dominante. Vemos o mesmo com a crítica ao machismo, onde, sua versão ideologizada aparece nos comerciais de produtos de limpeza, cosméticos e roupas, onde a mulher continua a ser o sujeito dependente, mas agora, tem atitude, tem força, tem voz (mas é uma voz que começa e acaba no lar, ou que tem como pressuposto o uso da sensualidade).

A existência de neohippies não seria a própria incorporação do sistema desta que era uma oposição? Afinal, existe a moda hippie, os acessórios hippies, os trejeitos hippies e etc. Você pode comprar sua roupa ecologicamente correta em qualquer loja de departamento!

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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