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Neutralidade na Mídia, USP Maconheira, Humoristas Levados à Sério e Hope Feminista

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Depois de tratar sobre alguns temas populares, creio que seja hora de falar sobre algo um pouco escondido nestes temas. Primeiramente, quando digo “os temas”, estou falando da propaganda sexista da Hope, do conservadorismo de Rafinha Bastos e dos protestos políticos na USP. Há um ponto em comum nestes três casos, que é a visão distorcida naturalmente absorvida pelo espectador, quando noticiado pelos meios de comunicação de massa.

Foi muito fácil ver opiniões do tipo, “A propaganda, na verdade, mostra como a mulher domina o homem” (que me faz lembrar das teses reacionárias da psicologia evolucionista),”o humorista está sendo levado à sério e os políticos corruptos ninguém faz nada” e “Protesto na USP para retirarem e PM do campus e deixar o uso da maconha liberado” – “Mais parece uma cadeia, todos violentos com rostos cobertos!”.

As formas mais fáceis de absorver alguma informação vem dos meios que compartilham esta visão “neutra”. Em outras palavras, essa naturalidade de se explicar um fato e, também, essa tentativa de não se alinhar em nenhum lado político-ideológico, é totalmente ideológico, conforme o site Cão Uivador já tratou a respeito em uma postagem. Eu digo isso, pois, vejam, se cada conceito carrega um significado histórico-social, não seria diferente com a neutralidade. O neutro é, atualmente, o liberal que precisa ser uma pitada reacionário pra agradar à todos os lados.

Então, o que quero dizer, sendo mais direto, é que a mídia NUNCA vai ser (realmente) neutra e que isso é um sonho.

Por outro lado, reclamar com um discurso pronto sobre a “manipulação da mídia” é tão besta quando reclamar do “maldito capitalismo”. Eu creio que é necessário aprofundar um pouco mais a crítica, simplesmente pra não se tornar uma crítica pró ética na mídia burguesa e se tornar um crítica antiburguesia, assim como com o “maldito capitalismo”, que se torna uma crítica contra as bases antiéticas do capitalismo e etc.

Eu creio que Dreamers é um bom exemplo, que já foi muito bem interpretado n’O Blog de Cinema, onde a revolução é uma revolução dentro de casa, ou, em outras palavras, ela é individual, ela é interna, fora das ruas, fora do espaço público. Não modifica as estruturas da sociedade.

Aqui, entro em outro aspecto: é possível uma revolução interna (que seja a base da mudança externa e etc)? Eu digo que não. Você só é o que você faz, por que você só é o que é socialmente, só o que é reconhecido. Por isso que não adianta agir conforme determinados padrões, porém, dando um significado particular diferente para a ação. Em outras palavras, não adianta eu fazer a mesma coisa que um machista, porém, dizendo que eu não interpreto como algo machista, ou que eu tenho consciência do machismo e, por conta disso, o ato não é alienado.

Você só é o que você expressa. Porém, e mais ainda, você precisa ser reconhecido, então, o reconhecimento também deve ser levado em consideração, logo, você é o que você expressa e como essa expressão é reconhecida.

Assim, tanto a neutralidade da mídia e a forma cômica de como os protestos “Antimaldito capitalismo” são vistos, se dão pelo reconhecimento já calejado pela ideologia dominante. Nós (a massa) sabemos que os manifestantes da USP são maconheiros, esquerdistas, malditos comunistas e etc, mas só sabemos disso, da maneira como sabemos, por haver uma maneira hegemônica “natural” de se pensar e agir à respeito de tais protestos. Essa maneira hegemônica é a mesma que está por trás da descaracterização dos movimentos dentro da USP, como a assembleia (da notícia acima linkada) para decidirem se a ocupação continua ou não.

A própria maneira como o discurso é feito (na reportagem linkada) já é a expressão manifesta disso. Tudo está colocado para fazer o protesto político ser algo cômico. “São comunista, ainda não perceberam que o mundo real não é assim”.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Acho que também cabe nessa análise aquela polêmica sobre a “campanha” pra que o Lula tratasse seu câncer pelo SUS

    Outro exemplo de como as pessoas apenas regurgitam argumentos prontos sem pensar em tudo que está implícito.

    Responder
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