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Anjo Exterminador, Hipocrisia Aristocrática e Ideologia da Caridade

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Anjo Exterminador é um filme de Luis Buñuel, lançado em 1962. O filme retrata um grupo de aristocratas que, depois de um jantar formal, se veem presos em uma sala. Não há portas, barreiras físicas, nada de concreto impedindo a saída, porém, por algum motivo, nenhum deles consegue atravessar a linha divisória entre a sala e o hall de entrada.

Eu creio que esse filme é a representação básica das contradições da aristocracia, de toda sua hipocrisia, enlaçada na rigidez dos costumes. Ao longo do filme, tentativas democráticas de assassinato, incesto, morte e tantas outras artimanhas insensatas são vistas, sem contar a tendência, logo no início, para agrupar somente aqueles que serão criticados e seus guiados. Os trabalhadores da mansão onde o jantar foi dado vão embora mais cedo que o costume, somente o criado “superior” fica na casa, demonstrando sua fidelidade à anfitriã.

Não seria ele, a representação perfeita do trabalhador de classe-média que apoia a exploração econômica por desejar ser, um dia, um chefe explorador? Enquanto fica em sua posição confortável de submisso de luxo, ele pode adorar a lógica de seu chefe sem entrar em contradição com sua própria condição material, e assim se comporta, acreditando num sistema que não dá evidências de sua veracidade, que conquista pelo tapinha nas costas ou pela promessa de um bom futuro caso haja um grande sacrifício no trabalho.

E, a situação se torna extremamente séria quando eles precisam matar um carneiro e cozê-lo num fogueira acesa na sala! Quando a máscara dos bons costumes cai, não sobra espaço para autocensura nenhuma. É talvez essa a demonstração de que bons costumes e moralidade não são nem um pouco naturais, são imposição agressiva. Quando as condições materiais permitem, se é solidário, educado, moral, mas quando se chega à miséria, as regras morais não são tão importantes assim.

Lembro de conversar, há um tempão,  sobre a caridade e suas características, chegamos num ponto muito bacana, a caridade pode ser praticada por qualquer um ou ela é tipicamente burguesa? Isso, por que a caridade só existe quando há quem possa ser caridoso e quem precise de caridade, portanto, ela só existe enquanto houve miséria, exploração econômica e etc. A caridade é, partindo da conclusão anterior, só uma maneira da ideologia se afirmar como hegemônica, meio que nos dizendo, “Vejam, esse problema é natural, eu até estou tentando resolver, mas é inevitavel, é da natureza humana (ganância-egoísmo)” e, assim, confirmando sua própria naturalidade, retirando toda culpa de suas consequências e as colocando na natureza humana, em uma essência humana malvada.

Voltando ao Anjo… No fim, acontece o mesmo que aconteceu no jantar formal, porém, na igreja. É aí que a crítica é reafirmada e seu conteúdo revolucionário é despido. Somos, então, instigados e imaginar a mesma situação acontecendo com religiosos do Séc. XX, a animalidade brotando nos atos do padre, dos crentes e etc. É como uma mensagem dura de que ninguém está fora dessa animalidade.

Creio que aqui a frase de Trotsky se torna verdadeira, “A revolução é impossível, até que seja inevitável”.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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