Assinatura RSS

Desocupação da USP, Polícia Repressiva, Bem Público e Equilíbrio na Consciência Comum

Publicado em

Estudantes que haviam invadido a reitoria da USP são rendidos por policial militares

Com a desocupação da reitoria da USP, feita pela tropa de choque da PM, houve a investigação para contabilizar os danos públicos. Esse está sendo o argumento chave pró-polícia e anti-manifestantes: a universidade é pública, bancada por nossos impostos, e, desta forma, não está à mercê de alguns alunos, mas sim, da vontade pública, escolhida democraticamente, representada pelo governo vigente. Logo, a polícia deve estar dentro da universidade.

Mas eu duvido um ponto disto: a USP realmente é pública? Ela realmente é a expressão da universidade pública? Eu digo que não, a USP está pouco a pouco, assim como todas as outras universidades públicas, se tornando uma fabrica de especialistas para o mercado. Posso dar o exemplo nas exatas, onde as indústrias financiam pesquisas que melhorem o seu produto em específico, ou seja, financiam pesquisas que servem como aperfeiçoamento do produto.

Mas o papel do cientista não é, simplesmente, evoluir a ciência? Refazer as perguntas, reorganizar as ideias, questionar a concepção dominante e etc? Por que, ao invés disso, os cientistas estão sendo, na verdade, especialistas de mercado?

A universidade só é pública quando convém realçar essa característica, mas, quando ela não é bem vinda, não há problema em burlá-la em nome do mercado. Aqui há implícito, a hegemonia da ideologia atual, onde o capitalismo democrático ganhou e é incontestável. É aqui que Fukuyama vive.

Principalmente, e aqui falo sobre outro argumento conservador, quando vemos como a mídia, por exemplo, fica inconformada com a permanência dos protestantes da USP mesmo após a decisão da justiça para a retirada (assim como Geraldo Alckmin, que também ficou meio nervoso). A justiça não é a-histórica e os estudantes não saíram com a decisão da justiça por lutarem contra aquilo que determina como as leis e como a justiça é feita.

Basicamente, manter leis, justiça e democracia como incontestáveis, é fazer deles o Grande Outro, àquele que você pode, até mesmo, descumprir algumas de suas regras, desde que seja pela sua sobrevivência.

Eu não nem preciso reafirmar a polícia como aparelho repressivo por excelência, sua atitude já demonstra isso de um jeito bem claro. A polícia, sendo o “braço armado da lei” é, já na expressão, o aparelho que protege a ideologia de seus filhos subversivos.

A ação desproporcional da polícia só demonstra que ela não foi lá para “reintegrar a posse”. Foi para anular a força subversiva dos alunos, desta forma, remontando à USP, uma situação ideológica em equilíbrio. A polícia não foi para desocupar a reitoria, ela foi para equilibrar o “mal” causado pela agressão  dos estudantes à ideologia hegemônica.

Anúncios

Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

»

  1. cara, da muito ódio essa estória, só por ser uma democracia com braço armado, e por alguma coisa ser uma imposição, já foge a idéia boa com relação a democracia. Por alguém não ter direito de protestar ou ter seu protesto regularizado por um poder já se acaba com a liberdade. E isso é o fim da picada, mais ainda, quando a mídia defende e o povo acredita.

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: