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Dois é bom, Três é demais, Casamento, Natal e Cavalheirismo

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Dois é bom, três é demais, é um filme dirigido por Anthony Russo e Joe Russo, que trata a história de um solteiro que adora farra, Dupree, morando junto com os recém-casados, Carl, seu melhor amigo, e Molly. Como Dupret perdeu o emprego por tirar uma semana de férias sem avisar, para ir ao casamento de Carl, o mesmo se sente um pouco culpado e lhe dá abrigo temporário.

Esse filme é horrível.

Durante todo o filme acontecem brigas entre o casal e, durante todo o filme, é a presença de Dupree que começa essas brigas (juntamente com as más interpretações ciumentas de Carl, e o senso de privacidade de Molly), porém, no fim, meio que por mágica, quando o casal está praticamente separado, o homem corre em busca da sua amada e mantém o casamento.

O filme é a representação do sagrado matrimônio, onde, você, indivíduo casado, não tem que gostar, você tem que participar. Enquanto Dupree é a representação dos problemas de um casamento e etc, ele também é a ligação que foritifica a instituição casamento, sendo o elo que demonstra o quão sagrada ela é. Repetindo, você não tem que gostar do casamento, você tem que honrá-lo, ou, você sabe que casamento é uma merda, mas, mesmo assim, ele é sagrado.

É uma obrigação fadada ao ostracismo sentimental ou, à separação e, como instituição, já sabemos que ela está acabada em seus moldes antigos, mas continuamos a realizar os rituais antigos – continuamos a reproduzir a crença, assim como com o Papai Noel. Os pais sabem que o Papai Noel não existe, mas não falam para as crianças, por não querer chocá-las em uma idade precoce. Por sua vez, as crianças sabem que não há um Papai Noel, mas não falam para seus pais, com o intuito de ganhar presentes ou não magoá-los. Não existe a mensagem crua: “Papai Noel não existe!” (e nunca vai existir enquanto ele for reproduzido como o símbolo do natal liberal do ocidente e etc).

O Papai Noel não é só um cara gordo que entrega presentes, é muito mais simbólico do que concreto (obviamente), pois ele é o laço da mercadoria e da necessidade da compra de mercadoria. Ele, sendo uma fantasia onde há o dever moral de não destruí-la, ou retirar seu valor real existente, se torna a obrigação máxima da compra de presentes como reprodução da existência de si.

Nós damos presentes no natal por que somos o Papai Noel (somos moralmente coagidos a nos sentirmos a representação do encapuzado), assim, reproduzimos a ideologia do natal consumista que tem como símbolo, o próprio velho gordo.

Isso me lembra do cavalheirismo moderno, onde, por meio de ações já ultrapassadas, o homem demonstra o reconhecimento pela delicadeza da mulher e, assim, reproduz a ideologia machista de sua fraqueza e, ao mesmo tempo, rebaixa o movimento feminista, o colocando como reivindicador de igualdade “desde que respeite a delicadeza intrínseca”. Ou seja, haverá igualdade de gêneros, mas há diferenças “naturais” que não serão quebradas e, por si, já definem o que deve e o que não deve ser feito de antemão. Nós já sabemos que são essas “diferenças naturais” que dão o papel de mãe à mulher e etc.

Um neoconservadorismo romântico, mas tão podre quanto o velho.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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