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Jornal da Cultura, Vladimir Safatle e Julgamentos Categóricos

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No dia 10 deste mês, no jornal da Cultura, o debate sobre a ocupação da USP foi retomado, porém, desta vez, Vladimir Safatle estava presente. O que foi interessante: A outra professora convidada, não recordo o nome, professora de Direito Internacional na USP e a âncora do Jornal, Cristina Poli, eram totalmente reacionárias. Enquanto Safatle acusou a mídia de “destilar preconceitos contra os alunos”, o que a âncora do programa, meio envergonhada fez, foi desviar o assunto e apelar para os argumentos na linguagem liberal democrática de, “Mas eles eras a minoria, né?”, ou, igual o dito pela professora de Direito, representando de maneira perfeita o leitor da Veja, “Manifestação pró-Louis Vitton”.

Esses preconceitos da mídia são como veneno em corpo com imunidade baixa. A massa assimila como sendo uma representação verdadeira do manifesto, logo, o protesto na USP se torna um protesto de maconheiros playboys bancados pelo papai. Com eu já havia dito, é uma maneira eficaz de manter o povo contra o protesto que tem como caráter, manifestações de povo, e não de elite.

Não se deve esquecer da ligação destes protestos com a esquerda brasileira e com a representação máxima do político (e da política): corrupção, malandragem e etc. Os protestos já nascem perdendo moral por conta de sua conjuntura política e terminam com menos moral ainda, por conta do manejo de informações da mídia. Aqui eu volto para a representação falsa da política como sendo algo ruim.

Ela (a representação do diabo chamado política) é até interessante num mundo pós-político, onde a política se limita a uma política administrativa, já que, no mundo pós-moderno, o capitalismo ganhou sua batalha contra o comunismo e não há mais alternativa nenhuma para desbancar sua hegemonia. A esquerda se envereda para o centro, a direita assume as rédeas, e desta forma um capitalismo sadio (e absoluto) é montado.

Logo, o apolítico sendo a representação e, por consequência, a reprodução ideológica, ele é seu maior inimigo. Mas eu acredito que não, que a negação da política e, por exemplo, luta contra a corrupção, feita pelo apolítico, é baseada na profunda crença de que essa luta nunca será ganha. O fato do apolítico identificar certos privilégios ou direitos morais adquiridos com a existência da corrupção no país e, ao mesmo tempo, identificar uma cristalização neste fato, o incentiva a lutar contra essa depravação moral, já tendo a garantia de, embora expressar sua indignação, ser o mesmo medíocre de sempre.

Para terminar, ainda no assunto da representação da ideologia vigente, eu digo que a própria existência do sujeito já faz dele uma representação da ideologia vigente. Antes mesmo do sujeito ser julgado por suas qualidade, expressões diretas e etc, ele recebe um julgamento categórico, onde certas características são levadas como pressuposto de julgamento: etnia, classe-social, vestimentas e etc. Numa sociedade pós-política, o julgamento categórico básico é aquele onde o sujeito já é, só por existir, o sujeito médio, ou deveria ser o sujeito médio. Sem contar que os outros preconceitos… Por etnia, por exemplo, já são a expressão conservadora, racista, daquele que julga.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Pensamento complexo, texto sério. Bem como você já havia me previsto. Mas, eu gostei! O vídeo termina bem na parte que nos interessa… =/ Parabéns pela concretude do seu texto!

    Responder
  2. você vai gostar desse video:

    abraço

    Responder
  3. Logo, o apolítico sendo a representação e, por consequência, a reprodução ideológica, ele é seu maior inimigo. Mas eu acredito que não, que a negação da política e, por exemplo, luta contra a corrupção, feita pelo apolítico, é baseada na profunda crença de que essa luta nunca será ganha. O fato do apolítico identificar certos privilégios ou direitos morais adquiridos com a existência da corrupção no país e, ao mesmo tempo, identificar uma cristalização neste fato, o incentiva a lutar contra essa depravação moral, já tendo a garantia de, embora expressar sua indignação, ser o mesmo medíocre de sempre.

    Não entendi essa parte cara, você poderia me explicar?

    No mais gostei do texto e dos vídeos e apoio o movimento contra a PM no campus. O que não aprovo é a falta de unidade do movimento, sempre tem brigas, discussões e manobras na assembléias.

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    • O apolítico, que participa das marchas apolíticas, já tem a consciência de como o problema é invencível, sua luta é mais pra dizer que “fez a sua parte” do que pra realmente fazer algo. “fazer a sua parte” já é um calmante eficiente. Mas há um motivo óbvio para não fazerem muita coisa, pois o fato de haver quaqluer mudança significativa, significaria que o apolítico também deveria mudar, também deveria começar a agir politicamente, mas o apolítico não quer decidir nada por si. Então se pode lutar contra corrupção que já tida como imbatível ao mesmo tempo que se sabe que é possível continuar a ser o mesmo de sempre, sem fazer nada em relação à nada, botando a culpa de tudo na política e etc.

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