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Branquitude, Arte Surrealista, Linguagem Homofóbica e Escola Ideológica

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Eu li um artigo interessante na revista Sociologia, sobre o racismo inerente na não-discussão do branco. Ou seja, ao mantermos o branco como normal ou referência, já afirmamos o racismo. Vale dizer que a ação de manter o branco como normal é natural, já é parte integrante da linguagem as classificações do branco como o cidadão médio, enquanto o negro é novo-cidadão, ou seja, a distinção por cor está impregnada na linguagem (e nas estruturas que formam/modificam os símbolos).

Um bom exemplo é o conteúdo das piadas sobre negros. Eu creio que a piada é a expressão máxima de que há um problema estrutural supostamente reprimido: contar a piada seria a forma delicada de expressar esse conteúdo imoral sem receber as sanções que deste ato derivam (ou repressões do Superego). O problema é que hoje, ser racista está se tornando uma questão de escolha filosófica, com os avanços da frente neoconservadora que luta pela livre-expressão (desde que seja uma liberdade de expressão sem análise histórica – totalmente positivista).

Dentro desta tentativa de fugir dos significados simbólicos de um determinado período histórico, nós vemos as dificuldades de se ler, por exemplo, Hegel, autor que tem um texto muito rígido, de definições variadas e pontuais. Existe essa necessidade de ser rigoroso pela necessidade de fugir da linguagem já anacrônica do período correspondente. Lacan é julgado da mesma forma. Não há maneira fácil de expressar um conceito novo, subversivo ou revolucionário em qualquer área, sempre será difícil de ser entendido em todos os aspectos.

Tomemos como exemplo o Surrealismo e o Dadaísmo. Ambos ainda são infantilizados pela forma renascentista de reconhecimento da arte, onde só é arte o que é belo, que à massa é apresentada como via única de assimilação de arte. Basicamente, os discursos Surrealistas e Dadaístas não são reconhecidos naturalmente por que não há linguagem para articularmos algo maior que o riso ou a perplexidade perante ao estranho que quer ser chamado de arte.

Mas essa forma de reconhecer os objetos e seus significados simbólicos está dentro do espaço da ideologia. Não há discurso neutro e o discurso para as massas é aquele reprodutor da ideologia.

Ainda nesta perspectiva, posso citar o episódio de Todo Mundo Odeia O Chris, onde a Srta. Morello, quando Chris (como presidente de turma) reivindica que não haja mais a necessidade de ficar depois das aulas, fala com certa indignação, “Como você vai aprender a se virar nas ruas se não ficar depois da aula, Chris?”. Só o fato do Chris ser negro já lhe imputa julgamentos categóricos desta espécie: ele terá que sobreviver nas ruas. Isso não é à toa, as minorias são excluídas historicamente.

Não seria este um exemplo claro de que branco e negro não são só etnias, mas são classificações com todo um histórico social e, por consequência, já com um conceito por trás da própria cor? Não está aí um exemplo de que uma camiseta escrito “100% Branco” não é o mesmo que uma escrito “100% Negro”?

Ainda inclui nesta lógica do debate (excludente) dos excluídos os homossexuais. Sempre é debatido a naturalidade ou não da homossexualidade, mas não a naturalidade da heterossexualidade. A linguagem já é tão homofóbica que o espaço para questionamento da heterossexualidade é nulo, se você é hetero, você não precisa se justificar, pois não há nada de “ruim” carregado no conceito.

E os símbolos racistas e homofóbicos que impregnamos as coisas são passados, em sua maior parte, pela família e pela escola, depois pelo trabalho e grupos diversos, mas as estruturas do racismo e da homofobia já são colocadas na pessoa em seu círculo mais íntimo ou maior, a escola pode até ser os dois, íntima e proporcionando 5 horas diárias de ideologia. Agora fica fácil entender o por que de deixar os alunos “fora das ruas” em SP, colocando todos para uma jornada de 8 horas diárias nas escolas.

Eu realmente não acredito que há um complô do mal que sabe que estão utilizando a escola como aparelho ideológico, mas sim, que há pessoas que realmente acreditam na mentira atual, a colocando como uma verdade incontestável. Não seria essa a mais desejada forma de assimilação da ideologia, a considerando natural, sem proporcionar dúvidas?

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Então, acho que não é que o homossexual tenha que se explicar (mesmo porque quem tem personalidade assume o que é sabendo não dever nada a ninguém e sem se importar com os pensamentos alheios) mas que a sociedade é em sua maioria assumida até hoje composta de heterossexuais. Dai tira-se que o homossexualismo é algo “novo” para a sociedade que ainda tem que entender e se adaptar… penso assim…

    Resposta
    • Não é que ele deva se explicar ou não, ele tem que se explicar pelo próprio significado simbólico de o que é o homossexual e etc. Caso não se explique, estará batendo de frente com este significado, mas ele (o significado) continua sendo uma referência.

      Resposta
  2. Pingback: Natal, Feriado Descontextualizado, Anti-Consumismo e Indústria Cultural. « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek,

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