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Prisão de Nem, Leis e Presença do Estado

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Quando o traficante Nem foi preso, além da própria notícia, outra coisa me veio: a própria questão do crime e da sua razão. Digo, Nem procurou traficantes para pagar o tratamento de seu filho, assim como várias outras pessoas procuram uma autoridade como a de um traficante na favela, para ter grana e pagar as contas, ou simplesmente entram por essa ser a única perspectiva viável que é declarada. Não há outra saída, você precisa fazer isso ou viver na miséria.

É óbvio que existem milhares de motivos para agir contra as leis, mas, primeiramente, agir contra a lei é necessariamente errado? Se a lei não é a-histórica, mas, e muito pelo contrário, só a formalização de uma moral ideológica, não garante nenhuma justiça objetiva. Digo, dentro da linguagem liberal, por exemplo, suas leis são sempre lógicas, mas, contrariando os significados simbólicos já consagrados de cada palavra ou expressão (como liberdade, direitos humanos, solidariedade e etc) conseguiremos perceber o quão podre se torna o sistema de leis. Ele é a defesa clara dos interesses de uma classe que é a representante do modo atual de produção.

Sendo assim, primeiramente, digo que não vou afirmar que tudo que é da lei é correto, mas vou dizer que o que ocorre, por exemplo, em favelas sob o controle de traficantes é consequência da anomia, ou seja, em última instância, da falta de aparelhos estatais na favela (ou a existência de uma consciência coletiva pouca consistente). Quando há essa falta, a autoridade se torna outra, tanto que Nem foi procurar traficantes para pagar o tratamento de seu filho. É um Estado dentro de um Estado.

Quando a autoridade é local e, ao mesmo tempo, mais forte que a Estatal, ela será máxima. Será o Grande Outro (O Traficante, O Tráfico).

É aqui que eu coloco como exemplo, a própria família, onde, dentro do espaço de autoridade, a violência é permitida, a humilhação é permitida, é feita pela autoridade, porém, mesmo assim, a autoridade é protegida. Enquanto haver relações de dominação, o próprio abuso é só uma manifestação legítima da autoridade, por permitir a existência de seus inferiores (filhos, filhas, aposentados, mulheres e etc). Sobre as mulheres, há uma questão boa.

Se a participação delas no trabalho social era o que faltava para acabar com as relações de dominação por gênero, por que isso ainda não ocorreu? O fato das mulheres participarem da produção não indica que o modo de produção de modificou. Ainda existe a contradição das relações do produção com as relações sociais, e a questão dos machismo/patriarcado se encontra aí. Ainda é uma herança anacrônica que luta para se manter em pé.

A própria família, com a estrutura clássica, é totalmente anacrônica. O filho não é mais o ser que irá assimilar totalmente a ideologia (o papel de aparelho ideológico está nas mãos na escola, atualmente), a mulher já participa/pode participar da produção social e não há mais argumento pseudocientíficos e pseudofilosóficos evitando tal coisa. Há somente o anacronismo das relações sociais.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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