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Racismo, Simetria na Prática Racista e Srta Morello.

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Em um texto da Lola, em seu site, argumentando sobre o racismo em alguns aspectos do dia-a-dia, houve um ponto bacana na caixa de comentários: o racismo de negros CONTRA brancos. Quero dizer, você está andando tranquilamente, de repente, um negro desce a rua jogando pedras e te chamando de “branquelo”! Isso é racismo? Eu não tenho a resposta exata, mas deve-se ter em mente que racismo não é um problema cultural ou uma falta de ética… Não pode ser reduzido à isso.

Racismo é, sobretudo, uma relação de dominação politico-sócio-econômica com referência na etnia. Então, o racismo só existe enquanto relação de dominação, portanto, na sociedade brasileira, por exemplo, não há maneira lógica de haver racismo de negros sobre brancos, já que as relações históricas de dominação são de brancos sobre negros (o que não impede que, em determinados grupos sociais, haja essa relação invertida de dominação, porém, essa situação é incomum).

Não dá pra colocar no mesmo saco qualquer tipo de violência pelo uso superficial da cor. No racismo não há simetria. Chamar alguém de preto tem um significado simbólico diferente de chamar alguém de branco.

Esta face cultural ou ética da problemática racismo, que permite a classificação de qualquer violência que envolva alguma diferença de etnia entre os participantes como racismo, é a face da ideologia atual, onde os problemas econômicos e políticos são transformados em problemas culturais, logo, nunca há por que desconfiar do sistema econômico hegemônico. Eu acredito que devemos colocar os problemas de tolerância, por exemplo, o racismo, não como um problema de tolerância (ou seja, um problema ético ou cultural), mas como um problema de desigualdade política e exploração econômica. Antes de tudo, existe a relação de dominação, é ela que permite todas as desigualdades conseguintes.

Aqui, eu recoloco o exemplo de Todo Mundo Odeia o Chris: a Prof.ª Morello é totalmente racista, incrivelmente racista e, ao mesmo tempo, ela é solidária com a situação inferior de Chris. Ou seja, ela reconhece a inferioridade, porém, tem um ética elevada e não abusa de seu poder.

Ela é a representação do capitalismo de face humana, onde os problemas são mantidos e sua melhora é fomentada por seus maiores causadores, os grande concentradores de renda. Ela é racista e tenta melhorar a situação de Chris sem admitir que há um racismo em sua ética e que nada vai mudar se sua práxis continuar desta forma.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. “Não dá pra colocar no mesmo saco qualquer tipo de violência pelo uso superficial da cor. No racismo não há simetria. Chamar alguém de preto tem um significado simbólico diferente de chamar alguém de branco.”

    Pois é.
    Só que na caixa de comentários da Lola tem gente que crê piamente que seu sofrimento individual na mão de adolescentes na época do colégio, por ser branca, loira, magra, dos olhos azuis; constitui racismo e logo é tão ruim quanto um branco xingando um negro.

    Exercer a superioridade social é uma coisa – é racismo, é machismo, é classismo, que seja. Uma(s) pessoa(s) de classe social inferior (Seja negro, índio, mulher, pobre, proletário) te sacaneando por você ser da classe superior é algo completamente diferente. Eu poderia até dizer que pode ser uma questão de autodefesa. O de classe inferior reage à opressão tentando criar uma ilusão de que tem poder sobre o de classe superior, mas esta ilusão se desfaz como uma bolha de sabão assim que pisam no mundo real.

    Porém, é até má-fé falar que um branco sendo chamado de branquelo (ou uma branca loira de olhos azuis com pouco peito sendo chamada de despeitada por morenas, ou morenas dizendo que os homens preferem elas e não as loiras) é racismo. É como falar que um grupo de gays te xingando por você ser hétero é um crime tão grave quanto héteros xingando um gay por ele ser gay. É como falar que um pobre que despreza ricos é tão grave quanto um rico que despreza pobres. Esquecem completamente das relações de poder existentes. Como se, apesar de tudo, ambos tivessem o mesmo poder um sobre o outro.

    Me soa muito como uma defesa desesperada da classe dominante. Ao se colocar, individualmente, como vítimas de racismo/sexismo/classismo reverso ou heterofobia, criam a ilusão de que a opressão é simétrica e que é apenas uma questão de “tolerância”, “boa educação”, “acabar com os preconceitos de ambas as partes”. E o pessoal que está um patamar acima vai nessa, porque, imagino, com pessoas da sua classe (Seja racial, sexual ou social), que por definição têm mais poder e são mais ouvidas, dizendo que estão sendo vítimas de cruel opressão dos hipócritas dos movimentos sociais, cria-se um espaço confortável.

    Resposta
    • É… Eu vi esses comentários…

      Está cada vez mais difícil sair às ruas do centro de SP sendo branco, hetero, católico e classe-média, sempre há um negro, gay, ateu e comunista pra nos descriminar.

      Às vezes é complicado explicar pra alguém que racismo é fenômeno social, não é individual. Não é uma questão de escolha.

      Resposta
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