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United We Stand, Leste Europeu e Cuba Messiânica

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United We Stand é um curta metragem dirigido por Hans Petter Moland, de 2002. Este curta me deixou bem interessado, a história toda é simplesmente bela, pois trata com alegorias a derrota do eixo comunista do leste europeu.

Basicamente, no curta, um grupo de velhos amigos (no sentido simbólico e literal) vão para a área florestal de uma cidade, passar uns dias, só como diversão. Logo no início tem-se a declaração óbvia da crítica, todos os amigos, dentro de uma van, estão cantando músicas da Internacional, e quando chegam à parada, para deixar o carro e entrar na floresta, o amigo jovem e cego é noticiado que alguns dos velhos morreram. Achei essa cena o máximo! É a caracterização da notícia ruim disfarçada, o velho que está conversando com o rapaz cego não fica triste ao avisar sobre, fica sem graça!

Enquanto os velhos são os países associados da URSS, já decrépitos, prontos para falir, o sujeito cego é a representação perfeita do idiota que acredita no sistema falido do leste europeu. Porém, a facada final vem com a reação do rapaz cego ao saber da morte de alguns dos velhos: ele dá um sorrisinho meio sem graça, tentando não perder a motivação na presença do grupo de amigos.

Após esta crítica à camada que, idiotamente, acredita no leste europeu, o fracasso final retorna com a morte de todos os amigos, num pântano.

Ao salvar uma mulher que estava afundando na areia movediça, eles ficam presos no pântano e esperam calmamente por uma ajuda. As falas de cada personagem foram muito bem colocadas: todos reconhecem a beleza da moça, sua jovialidade e sentem-se (ironicamente) gratos por ainda conseguir ajudar alguém, depois disso, reparam que estão na posição dela. Ou seja, aqueles que a ajudaram agora estão prontos para afundar.

Assim como o capitalismo quando as revoluções comunistas começaram, quando pensaram que o mundo todo seria comunista. Entretanto, aconteceu o contrário, os regimes comunistas se tornaram burocracias e caíram.

A espera por ajuda é mais estressante ainda. Todos, calmamente, esperam pela ajuda que não chega e, por fim, cantam uma música. É tão sombria quanto uma marcha fúnebre – é uma música da Internacional.

Depois a câmera mostra somente as mochilas dos rapazes deixadas no lado firme do pântano, enquanto foca o vazio no local onde estavam. A derrota foi comprovada, a morte silenciosa é a morte tragicômica
de uma utopia. Feliz, ideologicamente feliz. Este filme é uma expressão popularmente liberal da Queda do Muro de Berlim.

É a expressão da suposta falta de realidade nas afirmações comunistas onde, cada velho amigo é a representação do comunismo soviético e da mentira na posição de verdade, característica do espetáculo. Todos acreditam piamente na salvação, e esperavam tranquilamente por ela. Quando a mentira passa a ser verdade, a verdade é um lapso da realidade. Acredito que essa seja a mensagem básica do curta.

A certeza na ajuda me lembra até mesmo a certeza dogmática da salvação cristã, quero dizer, a espera do messias para desalinhar o reto e, milagrosamente, refazer a realidade, mostrar o caminho da salvação. Esse estado de inércia, essa espera pelo messias, é a mesma que ocorre, por exemplo, em Cuba, onde a espera pelo evento messiânico é a espera pela morte de Fidel. Todos já sabem que Cuba faliu, que está viva por magia, mas somente quando a personificação cair que o caos da desorganização geral tomará conta da ilha. Depois da morte de Fidel, tenham certeza, Cuba entrará 100% no mercado global, a não ser que uma autoridade que se aposse simbolicamente do sistema cubano entre em cena.

Todos vivem pela espera do evento messiânico, todos estão com os dedos cruzados para seu acontecimento, ao mesmo tempo que essa espera se torna o ópio para revoltas de cunho anticomunistas. Pra que se arriscar numa revolta se, a qualquer momento, o regime cai?

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

Uma resposta »

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