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Reblog – Gota d’água: o bom mocismo sem um pingo de vergonha

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Vou republicar este post do blog KimParanoid.

Gota d’água: o bom mocismo sem um pingo de vergonha

Seguem trechos. Veja na íntegra clicando acima.

““Ambientalismo de boutique”

Como já nos idos dos anos 1970 apontou André Gorz, em Dois tipos de ecologia, a defesa do meio ambiente, por si só, não diz nada a respeito do que queremos de fato. Afinal, queremos um capitalismo adaptado às restrições ambientais; ou uma mudança profunda na relação do homem com o ambiente, com a sociedade e consigo mesmo?

O movimento ambiental mainstream, no entanto, parece não ter respondido, nem sequer ter se colocado essa pergunta. Coincidência? Falta de atenção? Ou a pergunta não faria o menor sentido?

O problema, a meu ver, é que o movimento ambiental mainstream se tornou um fim em si mesmo. Da mesma forma que — injustamente ou não — muitos sindicatos são acusados de terem se constituído numa burocracia quase autônoma, afastando-se dos “verdadeiros” anseios dos trabalhadores que deveriam defender, o grande movimento ambiental corporificou-se na forma de ONGs.

E, não custa lembrar, esse tipo de organização proliferou durante a era neoliberal, na qual o Estado foi colocado numa posição quase antagônica em relação à sociedade civil: o Estado, “grade demais e ineficiente”, passou a estar sob constante suspeita de malversação e de má gestão dos recursos públicos. Diante da “ineficiência” do Estado, a sociedade civil organizada (ou seria ONGanizada?) teria que, doravante, ocupar o vazio deixado pelo poder estatal.

E, essa lógica, ao que tudo indica, mais do que nunca se faz presente — o Gota d’Água que o diga. O problema dela é que cria-se a ilusão de que por meio das ONGs é possível intervir na realidade (social, ambiental) sem depender da política — nada melhor num mundo em que se tem asco da política –, garantindo uma gestão mais eficiente dos projetos de intervenção. O que é uma ilusão porque as ONGs não vivem de ar e, como qualquer organização, dependem de recursos — e quadros — para manter sua estrutura de funcionamento. E de onde saem esses recursos? Ironicamente, boa parte vem do Estado. Mas as ONGs, como qualquer entidade privada, não têm preconceitos quanto à origem dos recursos: podem vir também da iniciativa privada (inclusive multinacionais), de organismos internacionais, etc. Desse modo, uma nova finalidade — conscientemente ou não — se inscreve na missão institucional das ONGs ambientalistas: além da defesa do meio ambiente, a defesa dos próprios interesses.

Desse modo, e retomando as ideias de Gorz, vemos que o ambientalismo mainstream se tornou uma peça importantíssima no quadro do capitalismo contemporâneo. Isto é, a causa ambiental pode ter se apresentado no início com um certo potencial subversivo, mas hoje está plenamente integrada ao processo de valorização do capital, em sua forma mais sofisticada. Se, por um lado, as ONGs vivem em busca de recursos para financiar suas atividades; por outro, fornecem uma espécie de “legitimidade verde” ao capital, para que este possa agradar aos “consumidores conscientes” — e, assim, garantir a continuidade de suas atividades lucrativas.

Pensando bem, acho que o movimento ambiental mainstream respondeu àquela questão de alguns parágrafos atrás — e escolheu a primeira opção.” 

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Esta campanha é uma campanha vinculada as massas, as massas possuem grande apreço aos artistas da globo, mas se levarmos em consideração a desigualdade social brasileira, é normal que as classes menos abastecidas nutram um ódio a elite burguesa.

    Mas a questão é a globo, devido a sua pseudo-neutralidade não se posicionou em nenhum momento em relação à construção da usina de belo monte. Deve até ter incentivado os atores a participar de tal campanha, mas uma questão que eu levanto é! como esta campanha se reflete na opinião popular? Já ouve campanhas deste tipo no ultimo referendo sobre o desarmamento, a campanha a favor do desarmamento foi mobilizada por atores da globo, qual foi a opinião das massas: “os artistas da globo estão seguros em suas mansões”, ou mesmo quando alunos da USP (que tem o privilegio de frequentar uma faculdade publica) protestam invadindo a reitoria, a primeira reação das massas é sempre de repudio. Tais campanhas nunca são para obter o apoio popular mas o seu contrario.

    Resposta
    • Assim como a Rebeca Black e a música Friday. Foi feito pra ser odiado e formar elitização da música, enquanto rebaixa o restante à seu nível. Sem contar que a Rebeca Black também foi uma ótima forma de desviar a atenção dos reais protestos pelo mundo.

      Resposta

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