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Eleições no Egito, Democracia Ditatorial e Batman

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Houve a primeira votação no Egito após da queda de Hosni Mubarak e, nestas eleições, há 50 partidos, com socialistas, liberais, conservadores, apoiadores do antigo regime e etc. Ou seja, teoricamente, não há desculpa para uma má votação. Eu digo o contrário: o fato de haver eleições com vários partidos e tendências só é uma forma de legitimar o futuro governo eleito.

Mas, em um país onde não existe uma cultura da democracia, como acreditar que as eleições não vão terminar por eleger um partido parecido ou igual ao último regime? Assim, tomando a crítica da cultura de massa como base, as eleições no Egito são destituídas de seu verdadeiro significado/valor e só são chamadas de democráticas por comparação. Assim como o valor da cultura, quando veiculado por sua modalidade (cultura de massa, popular, erudita) só o é por comparação, em função da superioridade ou inferioridade da outra modalidade de cultura, ou seja, tem, em sua expressão, um valor inconsciente, social e generalizador. As eleições só são (boas e) democráticas se compararmos com o último regime.

Eu digo isso, pois, a tendência é que a massa vote em partidos que sejam, ainda, conservadores, já que o modo de vida conservador era o único enraizado e legitimado, portanto, aquele que ainda mantém as bases morais e os valores da sociedade Egípcia. Uma nova proposta, visionária, não seria muito bem assimilada pela massa, que depende de conforto e facilidade na informação para entendê-la.

É aí que eu coloco uma dúvida: as eleições do Egito não seriam uma forma de legitimar os antigos regimes, porém, agora aceitos politicamente, pois são representantes do capitalismo global, com relações abertas com os países do primeiro mundo? Agora não há mais por que ter vergonha de manter relações com uma país democrático, com presidente eleito pelo povo.

Posso fazer um paralelo com Batman, onde, um sujeito que pratica a justiça na cidade não pode exercer sua atividade por não ser policial. Ou seja, mesmo Batman sendo um aparelho repressivo, não há o controle do Estado, só há a coincidência dos mesmo interesses momentaneamente. Essa falta de controle, essa ausência da burocracia estatal em torno dele, o faz uma ameaça constante. Sendo representado como o sujeito incorruptível, ao contrário do Estado de Gotham City, Batman é a pessoa que pode destruir o Estado, que pode acabar com toda essa corrupção. Ele é o aparelho policial sem sua intrínseca corrupção. Ele é o anti-herói conservador.

Agora apresento uma análise um pouco diferente, mas que converge ao tema: em um determinado episódio da Liga da Justiça, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde e Superhomem precisam se transformar em crianças para entrar em uma realidade alternativa e destruir os planos do vilão, que é o filho eternamente jovem de uma feiticeira. Eles conseguem cumprir a missão e, no fim do episódio, a Mulher Maravilha fala (mais ou menos) isso para Bruce, “Foi bom voltarmos a ser crianças”, então Bruce diz duramente, “Não sou criança desde os oito anos” e sai de cena. Pra quem não sabe, os pais de Bruce foram mortos por um bandido quando ele tinha oito anos na saída do cinema. Ele presenciou tudo.

É a perfeita representação do herói movido pelo senso de justiça e outros valores tradicionais (família, ódio à ladrões e etc). O que nos faz fica ao lado de Batman como um herói, e não anti-herói, é a certeza de que ele nunca trairá o Estado e seus valores. Batman faz parte do aparelho estatal, só não é reconhecido como parte integrante pelo próprio aparelho.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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