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TCC, Fazer, Não-Fazer e Extremos Políticos

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Estou chegando ao fim do TCC e creio que será legal postar uma coisa que eu reparei.

Enquanto eu estava com o compromisso de terminar o TCC, eu não conseguia ler nada. Não conseguia assistir filmes, não conseguia fazer nada sem sentir culpa, remorso e tudo de ruim. Entretanto, e vale ser dito, eu realmente não estava a fim de fazer o TCC. Não é minha praia, não é minha preferência, já desisti faz tempo de tentar ser um bom tecnólogo de polímeros. Realmente não me dá prazer nenhum pensar nisso.

No fim das contas, eu ficava sem fazer nada em frente ao computador com o arquivo .odt do TCC aberto… Nada saía.

Ao mesmo tempo em que havia culpa por não fazer o TCC, também havia a repulsa em fazer algo nele. Eu realmente não queria nem encostar no TCC. Resultado: metade do tempo que eu gastei com este trabalho de conclusão foi de pura enrolação. Agora vem a parte legal da coisa. Como meu TCC precisava só de edição e etc, não dava pra fazer no ônibus, no trólebus e etc, portanto, quando eu abria o livro pra ler no transporte público, a culpa desaparecia. Acabei perdendo a leitura de dois livros dessa forma, pois ler no transporte público é uma merda.

Algo me leva a crer que o debate político atual é a mesma coisa, quando considerado os extremos. Os conservadores não agem por saber que têm a imagem manchada por conta de todas as reivindicações idiotas, que perpetuam o racismo, a homofobia e o patriarcado. Na outra face da moeda, a esquerda não age por medo de ser acusada de totalitarismo. No entanto, nenhum dos dois deixa sua posição de extremista. No fim das contas, nenhum faz algo que realmente preste.

É aí que vemos o discurso conservador tomar sua forma quando o espaço de debate muda. Quando o caráter deixa de ser político (partidário), se tornando moral, por exemplo, não há problema em iniciar um movimento ultraconservador anti-leis contra homofobia. A imagem política é conservada, não é associada pelas massas com o fascismo, por exemplo, e a imagem moral (conservadora) é posta em debate (como se fosse hegemônica).

Não há problema em ser misógino, desde que não seja no campo representado pela política partidária e etc., desde que não se use argumentos fundamentalistas dentro de uma câmara de vereadores, por exemplo, porém, no campo moral a autoridade para debate ainda é respeitada (e caso não for, acusações de censura serão destiladas). A esquerda, com os velhos jargões, até perdeu espaço no debate de âmbito moral, exatamente pela aproximação da política. Não há um Deus do marxismo, uma religião ou qualquer coisa em que a gente pode mudar o foco da conversa, mas continuar com as mesmas bases de argumentação.

Esse é um resultado da própria dualidade mente-corpo já consagrado. Nâo há problema em não associar o discurso à prática, é até cauteloso. Você pode deixar a palavra no ar e esperar que a massa assimile e pratique, sem ter a pretensão (manifesta) de querer isso.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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