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Homem Estuprador, Poder e Gênese do Masculinismo

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Se um sujeito nasce, cresce, em suma, vive num ambiente de linguagem completamente machista, onde o homem é o dominador, o agente ativo, aquele que delimita as ações dos outros, aquele que tem o poder de fazer o mundo sua imagem, há como fugir completamente disso? Mesmo sendo conscientemente contra tais coisas, contra tais relações de poder, há como ser completamente imune?

Eu, realmente, não sei responder essa questão… O grande problema é que, logo após pensar sobre isso, me veio outra questão clássica, que era quase risível, que comumente é feita por pessoas extremamente idiotas: todo homem é um estuprador em potencial? Se pararmos para ouvir os papos neutros da galerinha da sauna, percebemos que sempre alguém vem com aquela velha ideia da pílula do esquecimento.

Se você desse uma pílula do esquecimento para uma mulher, onde ela não se lembraria de nada que aconteceu e você, por consequência, nunca seria pego por violação nenhuma, você a estupraria? Você cometeria estupro se não houvesse possibilidade de ser pego? – Esse é o conceito da pergunta. E aí, estupraria?

A pergunta parte de um pressuposto de que todo homem já é um estuprador, só que controlado. Todo homem é um estuprador em potencial, porém, com as normas repressivas, não cometem tal ato. Eu sempre achei uma ideia meio idiota – como podem partir do pressuposto de que já somos estupradores?

Porém não consigo achar tão idiota assim, agora.

Se o sujeito assimila uma linguagem na qual ele é o poderoso, na qual somente ele pode ser estuprador e, por convenção heteronormativa, nunca estuprado. Como considerar que ele não será (ainda) um estuprador reprimido socialmente?

Essa é minha pergunta e eu peço pra que respondam, por favor, pois eu queria muito conversar sobre isso. Partindo dessa lógica, o homem seria já um estuprador que se controla pra não realizar o ato, o que não impede a existência do conceito já assimilado. Ou seja, o homem sabe que é poderoso, que é agente ativo, mas tem o bom-senso, a amabilidade, de não exercer seu privilégio.

Não seria essa uma contradição da sociedade atual, onde há o significado simbólico da superioridade masculina, porém, também há repressão formalizada em forma de leis e sanções morais caso o ato seja realizado? Você pode ser um estuprador, pode saciar essa vontade supostamente animal, você tem esse poder, mas, caso o faça, será punido gravemente.

Será essa a fonte do masculinismo, exigindo a supressão das atividades que expressem a mulher como sujeito ativo e, desta maneira, as mantendo de forma passiva, onde não há o desafio do estupro, pois ele é natural, acontece nos pequenos atos e na totalidade da relação, onde há a passividade absoluta da mulher e a atividade absoluta do homem? Agora ele sente que tem o poder, sente que pode utilizar (o estupro) e que não precisa do estupro (o significado popular, sexo e dominação, sem consentimento). Ou seja, sua dominação já está saciada, sua suposta animalidade já está afirmada. O estupro é cotidiano e contínuo, não há necessidade do estupro na forma de sexo e dominação.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Olá Vinicius,
    Achei seu post interessante, dá muito pano pra manga. Por enquanto, queria apenas compartilhar um trecho de um livro de C.S. Lewis, chamado “Cristianismo Puro e Simples”. É um livro bem interessante, me esclareceu muita coisa, embora eu discorde de alguns pontos de vista (bem estreitos e reducionistas) do autor. Há também questões que ele aborda sobre as quais não tenho opinião formada.
    Peço que leia sem preconceito (pois, hoje em dia, percebo que há muito preconceito contra os cristãos, em decorrência do que as pessoas veem na mídia, ouvem falar das igrejas por aí. O pessoal, sem conhecimento de causa, sai criticando todo cristão, sendo que muitos desses que criticam se dizem mente aberta e contra o preconceito.)
    Acho que este trecho que colo aí embaixo resume um pouco do que penso sobre o assunto que você levantou. Acho que independentemente de religião, moral, sociedade (que determinam, juntos, os comportamentos humanos), há uma Lei Natural que transcende regras, normas de conduta, etc.

    O CERTO E O ERRADO COMO CHAVES PARA A COMPREENSÃO DO SENTIDO DO UNIVERSO
    1. A LEI DA NATUREZA HUMANA
    Todo o mundo já viu pessoas discutindo. Às vezes, a discussão soa engraçada; em outras, apenas desagradável. Como quer que soe, acredito que podemos aprender algo muito importante ouvindo os tipos de coisas que elas dizem. Dizem, por exemplo: “Você gostaria que fi¬zessem o mesmo com você?”; “Desculpe, esse banco é meu, eu sentei aqui primeiro”; “Deixe-o em paz, que ele não lhe está fazendo nada de mal”; “Por que você teve de entrar na frente?”; “Dê-me um pedaço da sua laran¬ja, pois eu lhe dei um pedaço da minha”; e “Poxa, você prometeu!” Essas coisas são ditas todos os dias por pes¬soas cultas e incultas, por adultos e crianças.
    O que me interessa em todos estes comentários é que o homem que os faz não está apenas expressando o quanto lhe desagrada o comportamento de seu interlocutor; está também fazendo apelo a um padrão de compor¬tamento que o outro deveria conhecer. E esse outro rara¬mente responde: “Ao inferno com o padrão!” Quase sem¬pre tenta provar que sua atitude não infringiu este pa¬drão, ou que, se infringiu, ele tinha uma desculpa muito especial para agir assim. Alega uma razão especial, em seu caso particular, para não ceder o lugar à pessoa que ocupou o banco primeiro, ou alega que a situação era muito diferente quando ele ganhou aquele gomo de la¬ranja, ou, ainda, que um fato novo o desobriga de cum¬prir o prometido. Está claro que os envolvidos na dis¬cussão conhecem uma lei ou regra de conduta leal, de comportamento digno ou moral, ou como quer que o queiramos chamar, com a qual efetivamente concordam. E eles conhecem essa lei. Se não conhecessem, talvez lutassem como animais ferozes, mas não poderiam “dis¬cutir” no sentido humano desta palavra. A intenção da discussão é mostrar que o outro está errado. Não have¬ria sentido em demonstrá-lo se você e ele não tivessem algum tipo de consenso sobre o que é certo e o que é errado, da mesma forma que não haveria sentido em marcar a falta de um jogador de futebol sem que hou¬vesse uma concordância prévia sobre as regras do jogo. Ora, essa lei ou regra do certo e do errado era cha¬mada de Lei Natural. Hoje em dia, quando falamos das “leis naturais”, quase sempre nos referimos a coisas co¬mo a gravitação, a hereditariedade ou as leis da quími¬ca. Porém, quando os pensadores do passado chamavam a lei do certo e do errado de “Lei Natural”, estava im¬plícito que se tratava da Lei da Natureza Humana. A ideia era a seguinte: assim como os corpos são regidos pela lei da gravitação, e os organismos, pelas leis da biolo-gia, assim também a criatura chamada “homem” pos¬sui uma lei própria – com a grande diferença de que os corpos não são livres para escolher se vão obedecer à lei da gravitação ou não, ao passo que o homem pode es¬colher entre obedecer ou desobedecer à Lei da Nature¬za Humana.
    Examinemos a questão sob outro prisma. Todo ho¬mem está continuamente sujeito a diversos conjuntos de leis, mas a apenas um ele é livre para desobedecer. Enquanto corpo, ele é regido pela gravitação e não pode desobedecê-la; se ficar suspenso no ar, sem apoio, fatal-mente cairá como cairia uma pedra. Enquanto organis¬mo, está sujeito a diversas leis biológicas, às quais, como os animais, não pode desobedecer. Em outras palavras, o homem não pode desobedecer às leis que tem em comum com os outros seres; mas a lei própria da natureza hu¬mana, a lei que não é compartilhada nem pelos animais, nem pelos vegetais, nem pelos seres inorgânicos, a esta lei o ser humano pode desobedecer, se assim quiser. Essa lei era chamada de Lei Natural porque as pes¬soas pensavam que todos a conheciam naturalmente e não precisavam que outros a ensinassem. Isso, evidente¬mente, não significava que não se pudesse encontrar, aqui e ali, um indivíduo que a ignorasse, assim como existem indivíduos daltônicos ou desafinados. Considerando a raça humana em geral, no entanto, as pessoas pensavam que a ideia humana de comportamento digno ou decen¬te era óbvia para todos. E acredito que essas pessoas ti¬nham razão. Se assim não fosse, as coisas que dizemos a respeito da guerra não teriam sentido nenhum. Se o Cer¬to não for uma entidade real, que os nazistas, lá no fun¬do, conhecem tão bem quanto nós e têm o dever de pra¬ticar, qual o sentido de dizer que o inimigo está errado? Se eles não têm nenhuma noção daquilo que chamamos de Certo, talvez tivéssemos de combatê-los do mesmo jeito, mas não poderíamos culpá-los pelas suas ações, da mesma forma que não podemos culpar um homem por ter nas¬cido com os cabelos louros ou castanhos.
    Sei que certas pessoas afirmam que a ideia de uma Lei Natural ou lei de dignidade de comportamento, co¬nhecida de todos os homens, não tem fundamento, por¬que as diversas civilizações e os povos das diversas épocas tiveram doutrinas morais muito diferentes.
    Mas isso não é verdade. E certo que existem diferen¬ças entre as doutrinas morais dos diversos povos, mas elas nunca chegaram a constituir algo que se asseme¬lhasse a uma diferença total. Se alguém se der ao traba¬lho de comparar os ensinamentos morais dos antigos egípcios, dos babilónios, dos hindus, dos chineses, dos gregos e dos romanos, ficará surpreso, isto sim, com o imenso grau de semelhança que eles têm entre si e tam¬bém com nossos próprios ensinamentos morais. Reuni alguns desses dados concordantes no apêndice que es-crevi para um outro livro, chamado The Abolition of Man [A abolição do homem]. Porém, para os fins que agora temos em vista, basta perguntar ao leitor como seria uma moralidade totalmente diferente da que co¬nhecemos. Imagine um país que admirasse aquele que foge do campo de batalha, ou em que um homem se orgulhasse de trair as pessoas que mais lhe fizeram bem. O leitor poderia igualmente imaginar um país em que dois e dois são cinco. Os povos discordaram a respeito de quem são as pessoas com quem você deve ser altruís¬ta – sua família, seus compatriotas ou todo o género humano; mas sempre concordaram em que você não deve colocar a si mesmo em primeiro lugar. O egoísmo nunca foi admirado. Os homens divergiram quanto ao número de esposas que podiam ter, se uma ou quatro; mas sempre concordaram em que você não pode sim¬plesmente ter qualquer mulher que lhe apetecer.
    O mais extraordinário, porém, é que, sempre que encontramos um homem a afirmar que não acredita na existência do certo e do errado, vemos logo em segui¬da este mesmo homem mudar de opinião. Ele pode não cumprir a palavra que lhe deu, mas, se você fizer a mes¬ma coisa, ele lhe dirá “Não é justo!” antes que você pos¬sa dizer “Cristóvão Colombo”. Um país pode dizer que os tratados de nada valem; porém, no momento seguinte, porá sua causa a perder afirmando que o tratado espe¬cífico que pretende romper não é um tratado justo. Se os tratados de nada valem, se não existe um certo e um errado — em outras palavras, se não existe uma Lei Na¬tural -, qual a diferença entre um tratado justo e um in¬justo? Será que, agindo assim, eles não deixam o rabo à mostra e demonstram que, digam o que disserem, conhe¬cem a Lei Natural tanto quanto qualquer outra pessoa? Parece, portanto, que só nos resta aceitar a existên¬cia de um certo e um errado. As pessoas podem volta e meia se enganar a respeito deles, da mesma forma que às vezes erram numa soma; mas a existência de ambos não depende de gostos pessoais ou de opiniões, da mesma forma que um cálculo errado não invalida a tabuada. Se concordamos com estas premissas, posso passar à se¬guinte: nenhum de nós realmente segue à risca a Lei Natural. Se existir uma exceção entre os leitores, me des-culpo. Será mais proveitoso que essa pessoa leia outro livro, pois nada do que vou falar lhe diz respeito. Feita a ressalva, volto aos leitores comuns.
    Espero que vocês não se irritem com o que vou di¬zer. Não estou fazendo uma pregação, e Deus sabe que não pretendo ser melhor do que ninguém. Só estou ten¬tando chamar a atenção para um fato: o de que, neste ano, neste mês ou, com maior probabilidade, hoje mes¬mo, todos nós deixamos de praticar a conduta que gos¬taríamos que os outros tivessem em relação a nós. Pode¬mos apresentar mil e uma desculpas por termos agido assim. Você se impacientou com as crianças porque es¬tava cansado; não foi muito correto naquela questão de dinheiro – questão que já quase fugiu da memória -porque estava com problemas financeiros; e aquilo que prometeu para fulano ou sicrano, ah!, nunca teria pro¬metido se soubesse como estaria ocupado nos últimos dias. Quanto a seu modo de tratar a esposa (ou o ma¬rido), a irmã (ou o irmão) — se eu soubesse o quanto eles são irritantes, não me surpreenderia; e, afinal de con¬tas, quem sou eu para me intrometer? Não sou diferente. Ou seja, nem sempre consigo cumprir a Lei Natural, e, quando alguém me adverte de que a descumpri, me vem à cabeça um rosário de desculpas que dá várias vol¬tas ao redor do pescoço. A pergunta que devemos fazer não é se essas desculpas são boas ou más. O que impor¬ta é que elas dão prova da nossa profunda crença na Lei Natural, quer tenhamos consciência de acreditar nela, quer não. Se não acreditássemos na boa conduta, por que a ânsia de encontrar justificativas para qualquer des¬lize? A verdade é que acreditamos a tal ponto na decên¬cia e na dignidade, e sentimos com tanta força a pressão da Soberania da Lei, que não temos coragem de encarar o fato de que a transgredimos. Logo, tentamos transfe¬rir para os outros a responsabilidade pela transgressão. Perceba que é só para o mau comportamento que nos damos ao trabalho de encontrar tantas explicações. São somente as fraquezas que procuramos justificar pelo cansaço, pela preocupação ou pela fome. Nossas boas qualidades, atribuímo-las a nós mesmos.
    São essas, pois, as duas ideias centrais que preten¬dia expor. Primeiro, a de que os seres humanos, em todas as regiões da Terra, possuem a singular noção de que devem comportar-se de uma certa maneira, e, por mais que tentem, não conseguem se livrar dessa noção. Se¬gundo, que na prática não se comportam dessa manei¬ra. Os homens conhecem a Lei Natural e transgridem-na. Esses dois fatos são o fundamento de todo pensamen¬to claro a respeito de nós mesmos e do universo em que vivemos.

    Resposta
  2. Muito interessante o texto Vinícius. Para que não surja esse “ímpeto” seria necessário ensinar desde sempre sobre igualdade e respeito ao outro. É um problema social sério. Não é a toa que vários dos mascus, se vc for ver são uns losers na vida cotidiana deles. Se sentem tão derrotados que querem a opressão feminina como única chance que teriam de se sentirem vencedores.

    Homens de verdade são aqueles que entendem mulheres como semelhantes e não têm medo de suas conquistas.

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  3. Se tratarmos somente do ponto de vista evolucionista, a resposta é sim. Se inserirmos um ponto de vista social a resposta é não. E ao misturarmos biologia com sociedade sob o ponto de vista da teoria psicanalítica o resultado é exatamente o desequilíbrio dessa relação que deixou de ser regra praticada pelo “macho dominador da espécie” para se transformar numa violência simbólica realizada cotidianamente contra as mulheres. Lembra daquele velho filme “A Guerra do Fogo”? Mostra bem a passagem do ato sexual não consensual para o dividido.

    Resposta
    • Fernanda,

      Mas como não (levando em conta do texto ser da perspectiva social)? Eu digo, onde está o espaço para a fuga?

      Sabe, outra coisa isso me leva: há arte não ideológica? Há arte verdadeiramente subversiva?

      Resposta
      • Se a resposta for “não” do social temos “só” a diluição do biológico em doses de dominação e violência simbólica que você sempre pontua muito bem por aqui. Você se refere à fuga como ato individual ou ligado ao coletivo? Individualmente sempre há a possibilidade de fuga, nossa briga é com os padrões diluídos no coletivo e tidos como “normais”, só temos que tomar cuidado com o determinismo ao pontuar a questão, não é só pela reprodução de modelos machistas que nos tornamos machistas, a maior violência está em considerar tais atos como “normais”.

        Arte subversiva não é considerada arte. SE for considerada arte perde seu caráter de subversividade. Você iria adorar as aulas abertas do Mac com o Tadeu, ele aborda muito bem a questão da arte com caráter subversivo. 🙂 Gosto muito do exemplo dos pintores futuristas italianos que se recusavam a serem institucionalizados, por exemplo. 🙂

        Resposta
      • Esqueci de um detalhe, toda arte é ideológica, mesmo que as que (aparentemente) não pregram ideologia nenhuma acabam se apegando cedo ou tarde a uma ideologia.

        Existem algumas que são BEMMMMM mais ideológicas que outras, um bom exemplo disso é o realismo soviético desenvolvido como política de educação estética na URSS e China durante décadas no século XX. Não preciso ir muito longe, pensando no cinema como sétima arte, basta assistir qualquer filme estadounidense para ser direta ou indiretamente bombardeado por ideologias e neste caso, bem hegemônicas. 🙂

        Resposta
        • Eu tb não vejo perspectiva de arte sem ser uma expressão histórico-social (e ideológica, de alguma forma).

          No entanto!

          Aqui eu acredito que, se a arte é somente a reprodução da ideologia hegemônica, então por que é arte? É puramente ideologia (a não ser que arte seja reduzida à uma determinada estética)

          Logo, acabo concordando com os gritos de guerra dos situacionistas, saca? Onde a arte só é a arte revolucionária (eu sei que não foram só eles a falar isso, mas, pow, eles até criticaram o surrealismo! Olha que peito!).

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  4. Querido Vinícius

    Eu não acho que todo homem é estuprador em potencial, não.

    Existem muitos homens bacanas, que acredito que seriam incapazes de aproveitar uma brecha para fazer algo pavoroso destes

    Acho que é uma questão de caráter individual

    Gosto de você, você é um homem bacana

    Bjs
    Hamanndah

    Resposta
  5. putz..até que que ponto o backlash chegou…gente se questionando se estupro é natural no homem ou não! Bom,vou ser direta: nós mulheres odiamos ser estupradas,isso já basta para por fim neste questionamento insano.Por que ninguém viu por este lado até agora? Não há nada neste mundo que justifique tal violência,muito menos estas teorias “científicas” de evolucionismo,que coloca a conduta socaila cima da segurança e direitos humanos de todas nós( ou seja,é restrição social e não um direito das mulheres viverem sem violência)

    E Talita,vc gostaria de ser estuprada? Se acontecesse contigo,vc seria capaz de vir com tanta “filosofia” sobre natureza,moral e baboseiras afins??

    Lamentável ver gente ainda procurando explicaçãoes para algo que nem deveria existir.

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  6. Levando-se em consideração que antes de sermos homens e mulheres somos machos e fêmeas, posso concordar com a afirmação de que o homem é um “estuprador em potencial”.

    Numa época em que não existiam leis e normas, predominava exclusivamente a lei do mais forte. Quando um homem queria sexo, ele simplesmente tomava a mulher que queria e a violava. Porém, devemos entender que “estupro” é um conceito construído socialmente. Não podemos dizer que a minha gata foi estuprada por um gato de rua, mesmo que ela tenha sido agarrada à força e lutado ao máximo para se desvencilhar dele.

    Quando surgiram as primeiras normas para melhor convívio social (um diferencial que fez uma tribo crescer e evoluir e muitas outras desaparecerem), o sexo forçado passou a ser visto como algo criminoso. Foi mais ou menos na época em que se instituiu a virgindade para as moças e o casamento.

    É muita inocência achar que todas essas leis “opressoras” foram criadas do dia para a noite por meia dúzia de homens e impostas às mulheres contra sua vontade. Como pode um grupo (no caso, as mulheres) passar mais de 5 mil anos sendo oprimidas, reagindo somente agora? Se houve uma reação (feminismo) é porque a situação não mas lhes agradava e antigas normas perderam seu sentido.

    A virgindade veio proteger (tanto o homem que queria ter certeza de sua paternidade e, como conseqüência, a mulher de ser violada) e não para oprimir. Agora, se um homem quiser ter uma mulher, terá de pedir sua mão ao pai e desposá-la. Um homem não pode mais agarrar a primeira mulher que ver na frente e fazer dela o que quiser. A mulher agora apensa se sujeitaria às vontades de um homem só (menos mal). As punições sempre foram muito severas, sendo a mais branda o banimento (o que muitas vezes levava o indivíduo à morte).

    Você que tanto critica o patriarcado, o machismo, deveria saber que uma das regras primordiais na criação dos meninos é a defesa incondicional de sua família, principalmente das mulheres. Como atribuir ao sistema tradicional a violência contra a mulher e o estupro. Me diga um exemplo de pai que ensinou seus filhos homens que eles tem o direito de espancar suas esposas e violentar mulheres.

    O que pode ser associado ao comportamento “machista” é a distorção entre direitos e deveres. É quando o homem acha que seu dever de liderar e proteger sua família lhe dá direitos de fazer o que quiser com ela. É como o policial que bate em trabalhador e coage a população, exigindo propina. Veja, na academia nenhum recruta aprende isso. Seu dever é proteger a população. Se alguns policiais são violentos e corruptos é porque se deixaram corromper por fatores externos às normas da academia.

    Outra coisa, se o fato do homem natural ter em seu instinto praticar sexo à força, à mulher atribui qualquer relutância moral em transar com o homem que quiser. Se isso faz do homem um “estuprador em potencial”, da mulher a faz uma “vagabunda em potencial”. Ok, estupro é crime, libertinagem não. Digo que antes de o estupro constar no código penal, ele já era algo condenado pelos costumes, assim como a vida libertina de uma mulher também era. Em certas épocas e culturas, os dois delitos eram equivalentes para quem os cometia (do homem violador e da mulher que entregava seu corpo a qualquer um).

    O grande problema é que hoje estão querendo transformar qualquer ato mais viril em crime. Se um homem fala grosso com sua esposa é violência doméstica. Se um homem tenta fazer sexo com sua mulher e ela não quer, é tentativa de estupro. Isso está deixando os homens frouxos, cheios de medo e sem iniciativas. Daqui a pouco vai ter mulher acusando o marido de estupro porque ela acordou com ele fazendo-lhe carícias íntimas (sem com consentimento dela, que estava dormindo).

    Todos os dias vemos casos de maníacos estupradores. Olhe bem o perfil dos caras e como eles agem. Muitos são jovens, bem aparentados e inteligentes. São sujeitos que poderiam conseguir sexo sem pagar ou cometer qualquer violência. Então, por que agem assim?

    De acordo com psiquiatras, eles são doentes, sádicos. Tem como prazer o sofrimento da vítima. Não estupram por falta de sexo, mas porque não se realizam de maneira saudável. Isso não tem nada a ver com “machismo” (seja o natural ou social). Não tem nada a ver com o homem das cavernas que tomava mulheres à força para se satisfazer sexualmente. O estuprador é um psicopata. Somente em alguns casos, homens cometem estupros por puro desejo sexual, nestes casos quase sempre tem algum entorpecente no meio.

    Nem vou falar sobre estupros na cadeia, onde o motivo lá é mais para o estabelecimento de hierarquias, sendo que este caso talvez seja o que mais tem a ver com “machismo”. Ironicamente o estupro contra homens e não mulheres.

    Concluindo, o homem tradicional (patriarcal, machista, como queira) é tão estuprador quando o homem moderno (antenado, descolado, igualitário). Isso significa que tanto um quanto outro não foram ensinados a violentar mulher alguma, a diferença é que o primeiro tem como dever proteger a mulher da violência e o segundo lava suas mãos, já que as relações para este são igualitárias.

    Resposta
    • Primeiramente, a condição de macho e fêmea é unicamente biológica, sendo somente a classificação biológica. Em termos sociais, que é o que importa na análise e até mesmo em qualquer real análise social, o que devemos nos ater são os significados simbólicos. Homem e mulher são as classificações que regem as normas sociais.

      Ainda sobre as normas sociais, é necessário entender que sempre houve normas e leis, porém, não institucionalizadas. Durkheim estabele uma ótima explicação das sociedade mais primitivas com o conceito de consciência coletiva e solidariedade mecânica. Simplesmente a falta de aparelhos repressivos não torna uma sociedade sem normas. Você disse que quando um homem queria sexo, simplesmente tomava a mulher que queria e a estuprava. Prove.

      O estupro é a conseqüência básica da relação de poder entre homem e mulher, como exposto no texto. Eu não to a fim de discursas sobre sua gata, mas sim sobre sujeitos sociais.

      Eu, nem ninguém daqui, acredita que leis foram criadas do dia para noite, conforme sua insinuação, porém, diferente do seu exposto, não somos inocentes o bastante para acreditar que o machismo se trata de um problema individual que, por coincidência, afeta uma sociedade, uma civilização inteira. Machismo é problema social, ele não se manifesta como vontade individual, mas se reproduz como ideologia, como interesse geral, como natural.

      E não tenta imputar um certo “respeito” ao patriarcado pela proteção da família, não é necessário muito estudo para deduzir que essa proteção à família é a proteção aos valores e à estrutura da própria instituição, ou seja, a proteção à família, às mulheres e etc, só manifesta uma falta de maneira da mulher se defender, o que é, por conseqüência, a afirmação de uma suposta superioridade masculina. Essa própria proteção é produto da [suposta] superioridade masculina – é produto do machismo, é sua conseqüência básica e seu discurso é uma das maneira de tentar inverter essa situação de dominação para uma [também suposta] responsabilidade social e blá blá blá.

      Novamente, péssimo exemplo e péssima tentativa de proteger o direito do homem de ser um líder. A própria liderança precisa ser provada, não tomada como pressuposto para proteção, o que nos revela um problema: não há provas para uma liderança masculina. Assim como os policiais não aprendem a ser ‘caras malvados’ os machistas (em sua maioria) também não, o problema é a linguagem. Ela própria é machista e vc não está reconhecendo este tipo de violência, a violência simbólica. A maneira como trata o machismo reduz à violência subjetiva – onde há um agente de fácil observação e uma vítima de fácil observação, em que a violência ocorre da maneira direta e simples.

      Ao tentar justificar uma suposta desigualdade entre homens e mulher, onde as mulheres tem muitos privilégio, afinal, não vão às guerras, o que os machistas fazem é reproduzir essa linguagem, essa ideologia, e, no fim, sem nem ter consciência de que a verdadeira crítica não está em fazer o discurso dentro de uma base, mas sim, poder modificar esta base.

      Seu discurso da “criminalização dos atos viris” é só um discurso de reivindicação da liberdade para reafirmar a superioridade masculina. Isso é puro entitlement.Tem como pressuposto já a cristalização eterna dos papéis sociais e os utiliza, no discurso, sem os justificar.

      E a tentativa de dissociar o machismo do estupro é sem base teórica nenhuma. Repare, eu mesmo escrevi no texto, estupro não é só a penetração, mas sim tudo que há neste fenômeno.

      Ser o homem tradicional já é um estupro e é exatamente esse o ponto.

      A negação das representações simbólicas já é uma ação individual para subverter esses valores. Socialmente, a ideologia é reproduzida pela própria existência do sujeito, porém, em âmbito individual, a negação da representação pedestalizada masculina é a negação do potencial de estuprador. Em suma, eu não falei isso no texto, exatamente pra deixar a brecha pras postagens, mas eu não acredito que, em âmbito individual, cada homem já seja um estuprador, exatamente pela negação a essas representações, porém, para não ser um sujeito imerso na ideologia é necessário nega-la, primeiramente.

      Resposta
    • “O grande problema é que hoje estão querendo transformar qualquer ato mais viril em crime. Se um homem fala grosso com sua esposa é violência doméstica.”

      Humm, “bobo” sagrado, então o homem “prova” sua virilidade agredindo verbalmente quem é mais fraco, fisicamente, é claro, do que ele, pois, se gritar com outro macho, pode levar um soco na cara, não é isso?

      Sabe que acho? Você deveria ser um daqueles fracotes que apanhava na escola dos valentões e o pai enchi de porrada porque “filho macho meu não apanha e nem chora”

      É, faltou uma mãe acolhedora em você e um pai menos machista, ou nem um pouco machista

      Então, você precisa gritar com sua noiva para ser respeitado, hein? Você não confia na sua virilidade que você se gaba tanto? Sim, pois um homem verdadeiramente seguro de sua virilidade e macheza não precisa causar medo em ninguém , nem impor autoridade a ninguém, com gritos e ameaças, como sugere esta frase que você escreveu acima.

      Mas, parece que, para você, relações igualitárias e de respeito mútuo não existem, não é mesmo

      Ah, quanto a resposta a meu comentário, você não está no seu blog para vomitar suas agressões verbais a qualquer mulher que discorde de você, ouviu? Então, melhore o nível, Baixar o seu nível só comprovará a minha tese inicial

      Isso até me faz lembra uma frase ótima de um livro de Louis Hay:

      “as atitudes de arrogância não denotam amor por si mesmo, denotam medo, insegurança, necessidade de auto-afirmação. Pense nisso sempre que uma pessoa arrogante tentar humilhar e diminuir você” ( Aprendendo a gostar de si mesmo, por Louis Hay)

      Ok, seu “bobo sagrado”?

      Resposta
    • Um post “tradição, família e propriedade”. Interessante. Repleto de conceitos vazios que se perpetuam nas relações de gênero, tenta aproximar o comportamento de homem humanizado do comportamento vilanesco, questões de ótica tênues e que dão base à miopia.

      “…a virgindade para as moças e o casamento.” Só para contextualizar a exigência de virgindade e obrigação do casamento é uma tradição judaíco-cristã que ganha força no final na Idade Média para ALGUMAS mulheres, as mulheres nobres. Os costumes da nobreza são assimilados pela classe burguesa emergente e ESSES valores passam a se perpetuar na sociedade moderna em todas as classes.

      Resposta
  7. O problema não são os nossos sentimentos estupradores, mas sim nossos homens hipócritas.
    Todo homem já se sentiu ansiando algo do gênero. O que nos impede de extrair nossos desejos primitivos são nossas bússolas morais.
    Esse mundo que vive de “politicamente incorreto”, mas dá risada de quem come a mãe e o bebê trava todo o cérebro. Emburrece, contraevolui, intimida e nos deixa mais burrocráticos (nessa grafia: BURROcráticos). Seu post pode ser levado em consideração meu caro não pelo termo “estupro”, mas pelo termo geral: “Você se horroriza só com o que não é você quem faz?”
    Parabéns.

    Resposta
  8. Pingback: Masculinismo, Equilibrio dos Papéis e Doutrina Dogmática « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek, Louis Althusse

  9. Quando a mulher obter a dominação do mundo , o homem não seguirar mais regras, não respeitarar as leis, mas porque isso? Simples imagina as mulheres dominando o mercado de trabalho, faculdades, etc… o que vai sobrar para o homem? isso mesmo serviços braçal, com isso logo ele se sentirar acuado e ai que vai começar a usar sua força fisica contra as mulheres. Estupros aumentaram, pedofilia, roubos, isso porque o homem não tem mais espaço no mercado de trabalho, então os mesmo pensarar porque trabalhar? A massa feministas devem ser aniquiladas para o proprio bem dá sociedade.

    Uns vão criticar minha ideia, mas duas pessoas acima que parece enteder mais do assunto vai enteder o que estou dizendo.

    Abraço A87

    Resposta

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