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Ônibus, Reclamações e Carros

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O ônibus que passa aqui no bairro voltou a funcionar como antes, ou seja, voltou a passar só aqui, no bairro onde eu moro, sem fazer voltas e voltas por outros bairros, demorando pra caramba, ficando lotado a cada viagem e etc. Talvez esse seja o resultado das reclamações que a empresa prestadora de serviços sofreu, tanto do meu bairro, como do outro bairro que também teve seu ônibus retirado e o itinerário fundido com o nosso.

O que me deixou bem cabreiro foi a forma como as situações foram absorvidas pelos moradores do meu bairro. Quando o ônibus passava só aqui, todos reclamavam do horário, que só passava de meia em meia hora, depois, quando foi modificado o itinerário e começou a passar em dois bairros e na avenida, a reclamação foi sobre o horário, que ficava mais difícil de ser obedecido pelos motoristas, e pela lotação a cada viagem. Agora, quando voltou o antigo itinerário, a reclamação do horário também voltou.

É óbvio que não dá pra não reclamar sobre a linha de ônibus do bairro, aliás, Mauá inteira tem péssimos serviços de transporte público, mas, em todos os momentos, havia uma reclamação que, quando era sanada, outro problema aparecia e outras reclamações surgiam junto com ele, quase como resolver a seca do nordeste causando a seca no sul, digo, o problema continua, só está em outra localidade. O problema é estrutural.

Mas a reação do povo me foi interessante por que sempre se pautava em objetivos clássicos nunca alcançáveis. Você luta por algo que não vai alcançar exatamente pra manter a situação como está e se justificar como bom-cidadão, como sujeito moral e etc. Depois, com o passar do tempo, o que eu mais percebi foi a constante migração do pessoal que usava o ônibus, pros carros. A crítica aos ônibus era a justificativa para utilizar carros, para comprar um carro sem ter a grana, etc e etc. Ou seja, era a justificativa para ser anti-meio-ambiente, porém, sem receber as sanções que os compactuadores da destruição do meio-ambiente recebem. É a forma de se livrar das sanções pela agressão á consciência coletiva sem agredi-la de forma declarada, é usar brechas ideológicas pra fazer algo que é contra a própria ideologia..

A indignação dos moradores não é com a causa do problema, mas é somente com o problema, eles não querem modificar nada, só querem que não haja determinados problemas localizados, uns detalhes que não podem ser associados com o sistema “natural” que media nossas relações. ISSO é ideologia.

E eu nem vou falar sobre ditadura de automóveis, o que, no fundo, creio que a maioria das críticas aos automóveis dentro do contexto ambiental e filosófico seja, em si, só uma maneira pós-moderna de expressão pró-consumo consciente, onde o vilão carro seria um câncer pro meio-ambiente, entretanto, não há ações objetivas contra aquilo que faz o carro ser o vilão do meio ambiente, mas só ações contra o próprio carro, etc e etc.

Em suma, o que eu queria expressar se refere ao cotidiano e à ideologia como mediadora de qualquer ação, exprimida naturalmente, como aquilo que já é do mundo e que já é de nós (ou que nós devemos nos adequar por ser a única opção).

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Algo que sempre digo: é muito fácil simplesmente fugir do problema do transporte público, comprando carro para não precisar encarar o ônibus lotado. Mas ao mesmo tempo, as autoridades nada fazem para melhorar a qualidade do transporte público e assim estimular as pessoas a deixarem o carro na garagem. Ou seja, um ciclo vicioso…

    Responder
    • Verdade. Mas a possibilidade de uma revolução nos transportes público é quase a mesma de uma na educação…….. Ou seja, nós temos trabalho pela frente, cara.

      Obrigado pelo comentário!

      Responder
  2. Pingback: Masculinismo, Equilibrio dos Papéis e Doutrina Dogmática « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek, Louis Althusse

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