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Natal, Feriado Descontextualizado, Anti-Consumismo e Indústria Cultural.

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O feriado de natal foi descontextualizado, hoje é só uma data de compras, tudo comercial e etc. Ok. Mas a gente não trabalha, isso que importa agora.

O que quero dizer? Não importa se o feriado é cristão ou não, estando descontextualizado, já perdeu sua função de reprodução ideológica cristã (no caso do natal) e se tornou só mais um feriado pra comprar e não ir ao trabalho. Na parte de não ir ao trabalho eu concordo e muito, só precisamos recontextualizar um pouco – eu creio que precisamos ter um pouco daquele espírito de “a pobreza dignifica” do cristão clássico.

É óbvio que eu não caio na ladainha anti-ideológica de “vamos aproveitar o natal pra comer muito e vai se foder seu chato anti-consumo”, isso só é parte de um discurso conformista que usa como palanque o “bem comum” – se todos gostam do natal do jeito que ele é, por que você, seu chato, vai querer mudar isso? – mas não sou babaca o bastante pra ir no mesmo fluxo dos discursos anti-consumo de natal, que, no fim das contas, não mostram profundidade nenhuma na análise.

Esse discurso anti-consumo está tão banalizado, perdeu tanto a profundidade, que só se mantem sob uma falsa ética de consumo responsável. É um discurso tão reproduzido pela indústria cultural que, na lógica da linguagem submissa à comunicação, a palavra fica totalmente racionalizada. Ser anti-consumo não é toda a base teórica crítica marxista existente nos trilhões de livros sobre o fetichismo da mercadoria, é somente a designação. Ser anti-consumo é só não gostar dos excessos do consumo. Não há significado simbólico nenhum nisso.

Então ocorre o afastamento do sujeito e daquilo que deveria o representar: quanto mais ele se sente próximo, maior a disparidade provocada pela falta de significação social e maior a imersão no mar ideológico da palavra racionalizada.

Portanto, eu advogo por mais cristianismo no natal, mas o suficiente pra não remeter ao filho de Deus, seu nascimento e etc. E me manifesto por mais feriados! Mesmo os religiosos, que percam seu contexto e se tornem só feriados de descanso – ode ao ócio. Nem ligo o por que do feriado, o brasileiro deixa o suor demais no trabalho.

Simplesmente não ir ao trabalho e dedicar-se a qualquer coisa deveria ser o objetivo do feriado. Não ir ao trabalho é o bem buscado.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Se o feriado é para lembrarmos de algo que agora esquecemos, realmente perdeu o significado, e curtir o “fazer nada” é minha praia. Penso, enquanto cristão, que seu raciocínio é lógico e que tem uma certa profundidade e, olhando do meu ponto de vista, se é apenas um dia no ano que devemos pensar em Cristo, então tudo o mais perde o sentido.

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  2. Pingback: Choro, Burka e Expressão « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek, Louis Althusser, Alienação, Ateísmo, Religi

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