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Choro, Burka e Expressão

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Quando uma criança chora, um adulto segura o choro. As crianças ainda pequenas não internalizaram todas as normas e valores morais “controladores” (não gosto de usar essa palavra, parece até que há intenção por trás do controle – talvez coercitivos seja melhor, embora meio fora de contexto). Ainda não os cristalizaram, então, não se pode ignorar o que uma criança fala. Crianças não são bobas, não achem isso.

Antes do adulto, máximo representante do aparelho repressivo, fixar determinadas maneiras de fazer, sentir e pensar, a criança é a expressão sincera do mundo, pelo menos a expressão sincera de uma determinada cultura, mas sem as correntes da moral tão ativas quanto em nós. Essas correntes, por sua vez, atuam invisivelmente, mas tem uma expressão material, os aparelhos ideológicos e repressivos – a escola, a polícia, a igreja, a família e etc. Estes minam a chance do sujeito ter consciência real da vida em sociedade.

A lógica da não-lógica é a maneira perfeita de ter a perna amarrada à bola de ferro chamada linguagem. A liberdade é liberdade de consumo, é liberdade de escolha, são os direitos humanos e a democracia. A liberdade é colada na parede e imposta. Mas os limites da liberdade são claros: se você anda de Burka por conta da cultura machista, você é a reprodução da ideologia machista, mas se você anda por que quer, você está expressando sua idiossincrasia. Em um estalo não há mais reprodução da ideologia vigente. Sinto dizer, mas a existência é a reprodução da ideologia hegemônica.

Digo, o pressuposto da vida em sociedade, em âmbito coletivo, é o reconhecimento do próximo como parte de nossa linguagem (que é formada socialmente), em âmbito individual, não há como saber muita coisa. O sujeito é o que expressa, não o que guarda dentro do seu coração. Simplesmente por que o sujeito é aquilo que representa e como é reconhecido – não se é sujeito somente em âmbito individual, a dialética persiste até o fim.

Porém não nasce com a moral escrita na consciência. Então há um limite histórico-social para o sujeito.

Creio que a ação cotidiana deve ser a da negação da própria ideologia hegemônica, seja como for, tentando expressar a negação de todas as maneiras, mas sem cair em armadilhas da própria ideologia. A resposta não é boicotar a Coca-Cola, isso é besteira. Desde quando o boicote minoritário de uma mercadoria de massa vai fazer diferença na sua produção? Esse é exatamente a pele em que os liberais querem que o pessoal da esquerda entre, se preocupando com questão ínfimas como essa.

Eu creio que as questões precisam ser discutidas, antes de discutir as respostas para elas. A própria questão merece ser revista antes de ser tomada como ponto de partido para alguma deliberação. Quando mais se revê a pergunta, melhor ficar saber a verdadeira resposta e a resposta que esperam, mesmo entendendo que a resposta que esperam opera em uma outra lógica, onde o verdadeiro comunista é aquele que mata PM, porém, já que matar PM é fora da lei, o verdadeira comunista é sempre um foragido.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

»

  1. Vinicius Lariel

    chará!!!!

    fica dificil de ler algumas partes do texto por causa do
    barbudo do fundo!

    Responder
  2. Você escreve difícil, moço. hehehe
    Fiquei com a sensação de que não entendi tudo. Mas fiquei pensando um bocado aqui com várias coisas.
    Tenho duas crianças na família, uma de três anos e uma de um ano e meio. A mais velha, na ceia de natal, falou uma coisa que me chocou muito: ela recusou um pedacinho de carne dizendo “não gosto, puque é peto…” Se eu senti um aperto no peito, imagina essa situação na escolinha, com um@ negrinh@ junto, como fica? Claro que ela não tem maldade dela nisso e está só repetindo a forma de expressão que ouviu por aí, mas a expressão também pode machucar alguém. Mas como explicar para uma criança? E pior, como explicar para os pais? Já me conformei em ser a chata politicamente correta das minhas rodas, mas às vezes faltam palavras mesmo.

    Responder
    • Ah, mas esse texto não ficou legal. Ficou todo torto…

      E sim, deve ser complicado essa situação, mas se a criança falou isso, é por que já há essa repulsa ao negro na própria linguagem. Negro já significa algo ruim.

      Responder

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