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Paranoia, Vingança dos Protetores dos Animais e Individualismo Ilusório

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Pelo amor dos céus, se você conhece algum paranoico, não tente convencê-lo de que ele é paranoico, é mais fácil ele te convencer de que você que é uma pessoa desligada. Essa é uma coisa que tenho reparado diversas vezes, seja por textos na internet, ditando maneira de ajudar um paranoico, ou na vida prática, mesmo. Sempre há um pseudo-salvador do espírito humano.

Mas o problema está aí exatamente aí. Se o paranoico sabe que o que ele está concluindo é paranoia, então ele não é paranoico. A paranoia se encontra em ligar todos os pensamentos e conclusões com a realidade. Perceba, todas as conclusões paranoicas são altamente lógicas, racionais e estruturadas, por mais absurdas que sejam. Quando o paranoico cai na real, quando ele percebe que teve uma crise ou que sua conclusão era fantasia, ele deixa de agir/pensar como paranoico neste assunto particular.

Quanto mais o salvador tenta retirar o paranoico de sua paranoia, mais ele mesmo se coloca na fantasia como um agente do mal. Vale lembrar que o conceito de mau e bom não são prejudicados. Um paranoico sabe que estuprar é mau e que ajudar idosos a atravessar a rua é bom e etc e etc. Isso não é problema, o problema é a maneira como os fatos marginais são colocados como centrais, quero dizer, como cada detalhe aleatório ganha uma roupagem de ação com ligação com o paranoico.

Mas é fácil encontrar alguém chamando outro de paranoico, porém, a palavra assumiu outro significado. No dia-a-dia, diferente do distúrbio, ela colocada como um hábito ruim, não como caso grave. Diferente da depressão e da timidez, que não ganharam outro significado, simplesmente foram racionalizadas e passaram a ser designação, relação direta entre um efeito e o sujeito que o manifesta. É até cool ser depressivo, bipolar ou tímido. Tá aí uma coisa que depressão não deixaria alguém ser: cool.

Isso também é muito incrível. Ser cool, ser diferente, ter uma personalidade fora da massa é totalmente massificante, um exemplo é essa nova publicação do facebook onde um sujeito sangrando, morto, é retratado como agressor de animais – ou seja, a justificação de sua morte é a sua agressão aos animais, etc e etc. Olho por olho nesse mundo cão, não? Não sei, vamos ver.

Essa ideia do olho por olho, da justiça feita com as próprias mãos, do linchamento público como sendo a expressão do povo sobre o acontecimento e, por conta disso, ser legítimo, é a balela mais comum nas democracias com moralidade conservadora. O bandido é morto pela população, já que esta sabe exatamente o que é certo e o que é errado para a ordem social. Eu diria que não, diria que a população só fez isso pelos mesmos motivos que se manifestou contra a enfermeira, no caso do Yorkshire. Não foi defesa dos animais, foi só reestabelecimento da ordem moral.

Então, essa desforra pró-animais nada mais é que uma atitude conservadora, mais de manutenção do status quo do que de confronto. É aqui que o indivíduo e sua individualidade se tornam massa sem nem perceber. Eu diria o mesmo para a depressão e sua localização “privilegiada” dentro dos distúrbios da classe-média. Eu não duvido que a depressão seja o mal da nossa época, e isso é explicado sócio-psicologicamente, minha crítica está no fato de, exatamente por ser um mal da nossa época, se torna uma forma de preencher a própria falta de personalidade. O sujeito, para se diferenciar das massas, acaba absorvendo uma característica superficial, racionalizada (afinal, tristeza não é depressão) e classificatória. É massificante enquanto se passa por exclusivo… É estar dentro da massa exclusiva, da massa individualista, da massa “autêntica”.

Minha questão é, onde nós podemos realmente falar em autenticidade num mundo de reprodução descontrolada e pseudodemocrática de cultura transformada em mercadoria (e mercadoria transformada em cultura)? Enquanto se é depressivo, se é classificado, racionalizado, existem as formas de se expressar a depressão, como o gosto por música ou filmes, assim como por roupas. Porém! Não seria esta forma de expressão, na verdade, o consumo racionalizado da depressão? Não seria isso a cultura transformada em mercadoria e a mercadoria transformada em cultura?

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

Uma resposta »

  1. A imposição dessa alegria hiperforçada e comercializada, transformou a tristeza em um crime. o sujeito não pode passar por uma fase triste que é taxado de depressivo, vendo dessa forma, acho que dá para concluir então que todos somos depressivos, esquizofrênico e etc

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