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Orgulho Ateu, Fabrica de Feriados e Minorias

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Embora eu não classifique na mesma faixa do dia do orgulho hétero, o dia do orgulho ateu é muito classe-média-sofre.

Em toda história os ateus nunca formaram um povo, nunca constituíram uma nação, não eram um grupo de pessoas associadas em um território com determinada cultura comum (língua, tradições e etc). Nunca houve, portanto, uma opressão ao “povo ateu”. Dentro desta perspectiva, a consequência justa básica, seria criar dias para todas as crenças minoritárias que nunca tiveram grande importância (se comparadas com as grandes) em nosso Estado, sua formação e transferência de poderes.

Não estou dizendo que, por serem minoria, ateus não merecem um dia. Não. Mas estou dizendo que a proposta do dia do orgulho ateu sem ter uma relação histórico-social, fora de todo contexto, é fazer do Estado uma fabrica de Dias. Os feriados perdem seu significado e todos ficam à margem do ridículo, basta comparar o dia do orgulho hétero e o dia do orgulho gay. Qual o real significado do dia do orgulho gay? Uma afirmação de que gays não são a escória da humanidade, como sempre foram tratados, uma demonstração de que há desigualdade social, política e econômica em relação à homossexuais, e que esse dia é um dia de luta, pelo contrário, o dia do orgulho hétero é um dia destituído de significado. É a celebração do grupo que sempre foi dominante por sua… Dominância?

Então, dentro desta perspectiva, o dia do orgulho ateu seria uma mobilização pelos direitos ateístas? Uma onde indignação pela maneira desigual como ateus são tratados historicamente? Olhando no fundo do movimento pró-Dia, o objetivo é só peitar a religião. Só ter um espaço ilegítimo para balançar a própria bandeira como orgulho idiossincrático de uma nata sem crença, totalmente disfarçado sob um argumento pseudo-democrático, pois, se eles podem, por que nós não?

Esse argumento está no mesmo alicerce conservador para reivindicar o dia do orgulho hétero… Mas onde está a democracia nestas posições? Que tal ser socado na rua por ser hétero, só pra começar a democratizar a situação histórica? Se existem dias particulares à algumas religiões dominantes e esses dias são só um jogo político de manifestação pública da bandeira, destituído de significado, então o programa ateu deveria se direcionar ao combate e não a compactuação.

Qual o problema em ser publicamente algo? Digo, a campanha ateu nos ônibus foi muito boa, ao meu ver. O problema é ser pseudo-democrático e exigir, por exemplo, que haja símbolos de todas as religiões em instituições públicas somente pelo senso democrático, sendo que, a real democracia laica seria não haver símbolo nenhum – isso é laicidade.

O culto é particular, é de âmbito individual, em um Estando laico, não deve haver a intromissão de nenhuma religião. O próprio símbolo religioso é um expressão simbólica de poder. Há um cão que marcou seu território e se expressa como natural, como inato – é autoridade sem causa.

Então, a base da crítica precisa ser positiva, não uma defesa pelos, supostos, direitos iguais, democracia e etc.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Sou ateu, acho ridículo criar um dia do orgulho ateu. Tenho orgulho TODOS os dias de ser ateu.
    A comemoração de um data é assumir que éramos ou ainda nos consideramos inferiores, como vários outros grupos que destilam um falso orgulho. Acho que os ateus nunca foram inferiores, muito ao contrário, foram sempre superiores, por isto eram perseguidos, pois nunca tiveram argumentos para superá-los.

    Dia do orgulho ateu, na verdade dos ateus que se consideram inferiores, não é meu dia.

    Resposta
    • Cara, vc não entendeu o que eu quis dizer.

      Primeiro, a atribuição de um feriado a um determinado grupo não significa que eles são inferiores. Indica (pelo menos na maioria dos casos onde há grande manifestação e etc) uma reafirmação da identidade.

      Segundo, ateu não é superior nem um pouco, um exemplo claro são os novos ateus liberais que destilam bobagem humanista com um suposto tom cientifico-moral (por mais contraditório que pareça).

      Resposta

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