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Estupro no BBB, Participa Quem Quer, Essência do Político.

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Essa semana aconteceu algo diferente no Big Brother. Creio que não é necessário falar se o BBB é ruim ou bom, se é divertido ou não, se é porcaria ou não, basta olhar qualquer texto do site que já haverá uma ideia do que eu provavelmente esboçaria sobre esse programa, mas, o que eu vou tomar como assunto é referente ao caso que fez um reboliço na casa: o estupro.

Eu não vou explicar o que aconteceu nem mostrar as opiniões de ambos os lados e etc, muito menos tentar ser neutro, não gosto de dar tom jornalístico pros textos, portanto, já vou direto ao ponto (se você não sabe o que houve, entre nos links do primeiro parágrafo): foi realmente um estupro? Eu digo que sim. O sujeito foi até a cama de uma inconsciente e se aproveitou da situação para conseguir algo que não conseguiu durante a festa.

Eu ainda não li nada negando que houve um contato mais invasivo… Nem mesmo os dois participantes. A questão é, houve ou não proveito da situação por parte do rapaz? Agora sim, sobre isso eu li em alguns posts de outros sites, principalmente na caixa de comentários, é que a moça gostou, gemeu, que ela quis, ou que ela é piriguete e etc. Aí eu me pergunto, como alguém que está totalmente bêbada e que, durante a sobriedade, rejeitou continuamente o sujeito, pode gostar do que aconteceu? Charminho feminino? Não é não.

Antes de começar, vale dizer que esta perspectiva de que, no fundo ela gostou, só é embasado naquela mística da mulher difícil, cheia de charme pra tudo, mas que, no fundo só está se reprimindo. Ela quer e fala que não quer. O não é o sim. Por que o não é o sim? O não é o sim no momento em que é necessário ser a representação da mulher imaculada, ideal, virgem-ad-eternum, mas que, no fundo, ainda é uma vadia – ou seja, proclamando a “verdadeira” face da mulher como sendo aquela em que não há regras explícitas de repressão. ‘Damas na mesa e putas na cama’ traduz isso belamente. Um suposto instinto sexual que é reprimido no dia-a-dia, em prol dos bons costumes, mas a noite é libertado, por pura vontade de sua domadora. Nesta dialética, a mulher fica como o produto falso, a enganação, aquela que manipula, já que é aquela que controla seus ‘instintos’ por uma aprovação social, entretanto, que os manifesta quando convém – quando deseja.

Agora vem a parte que eu achei mais tensa ainda. Quando um sujeito falou que quem se inscreve no BBB não pode esperar por muita coisa, afinal, sabe-se do nível e… Se inscreve quem quer. Logo, levando a lógica um pouco mais a fundo, a moça foi estuprada, nisso não há dúvida, mas ela já sabia do risco, então, que culpem a própria inscrita, não o estuprador (este estava fazendo seu papel natural de participante de reality show).

Se simplesmente ‘se inscreve quem quer’, ‘assiste quem quer’, então o programa perde totalmente sua responsabilidade, o estuprador (no caso) não é mais um estuprador, é o fruto natural do programa etc e etc. Esta é uma ótima maneira de se retirar a responsabilidade em tudo que aquilo que causa a apatia social e colocar a culpa diretamente naqueles que sofrem de sua imperiosidade. A culpa dos políticos serem horríveis é por que o povo vota mal, não por que há um histórico de ditadura no Brasil onde o povo, simplesmente, não participava de assuntos políticos e era obrigado a abaixar a cabeça para toda decisão ditatorial, além de haver uma desconsideração dos problemas estruturais, das contradições internas do próprio sistema econômico, sendo tudo transformado em problema cultural ou justificado ontologicamente – o político é corrupto por que o ser humano é mau, ou por que o brasileiro é malandro e etc.

Então, onde eu quero chegar, não importa quem sofreu, não importa se “sabia dos riscos” (e eu descordo completamente com essa lógica do “fez por que quis”) estupro é estupro, racismo é racismo, homofobia é homofobia. Não importa se quem sofre fica sorrindo bobamente. Não é uma questão de opinião.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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  1. Quando eu vi o assunto no Twitter lembrei na hora daquele seu outro post sobre homem estuprador.O mais interessante é como estão colocando toneladas de panos quentes no assunto.

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  2. Seu texto é interessante. Vou espera o próximo.

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  3. ” e se aproveitou da situação para conseguir algo que não conseguiu durante a festa.”

    Falso. Houveram dois momentos embaixo do edredom:

    1- Os dois claramente conscientes se pegam “mão naquilo e aquilo na mão”.

    – nesse meio tempo, um outro BBB chega e eles interrompem

    2 – Cerca de um minuto depois, os dois aparecem denovo debaixo do edredom, dessa vez com Monique imóvel…

    http://www.sonaboa.com/video-suposto-estupro-daniel-e-monique/

    Na verdade, precisaria de um vídeo maior ate p/ tirar algumas duvidas, quase desde eles sairem da festa, até depois do ultimo toque dele nela.

    Responder
  4. Sim, sim. Essa manipulação da mídia esquerdista, né?

    O interessante do comentário é que, claramente, induz a uma manipulação, não da mídia, mas da própria participante. Primeiro ela quis, depois “se fez” de desacordada?

    Ou, então, por realmente estar desacordada, mas, “um minuto antes”, ter estado no amasso por vontade própria, invalida totalmente o abuso de um sujeito consciente à um outro inconsciente. Já que ela quis um minutos antes, pq estar desacordada pode ser estupro, afinal, se ela estivesse acordada, não iria recusar, né?

    Qual o ponto? O mundo conspiracionista ou a defesa cega de um sujeito que claramente abusou de alguém que estava desacordada?

    No fundo, o que dá base ao seu comentário é aquele “Ela gostou”, encoberto por uma falsa neutralidade formal – pois deveríamos ver o video desde o momento do nascimento do Daniel e da Monique até o último toque e blá blá blá.

    Outra…. Durante a festa ele levou vários tocos… Vários. Sabe, eu não acredito que realmente estou discutindo se houve ou não abuso…

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  5. Pingback: Ecobag’s, Sacolinhas de Emprego e As Vítimas das Vítimas. « Cabana de Inverno – Sociedade, Ideologia, Crítica Social, Feminismo, Machismo, Socialismo, Capitalismo, Anarquismo, Vegetarianismo, Comunismo, Marxismo, Slavoj Zizek, Louis A

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