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Racismo no Caso BBB, Caridade Global e Ação às Avessas

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Dentro deste caso no BBB, o assunto um pouco discutido foi a possível acusação de racismo por parte do programa/público. Basicamente, o programa democrático teve que expulsar um participante após a decisão – dita racista – do público. O público, que manda no programa, foi responsabilizado pelo alvoroço do caso, afinal, não passou de racismo já que o rapaz não fez nada demais. Todo o caso foi construído, desta forma, pelas fantasias racistas do público do BBB.

A minha questão é: onde está o racismo neste caso?

O fato do rapaz ser negro não anula o abuso sexual, pois o abuso foi objetivo. Simplesmente foi um abuso de um sujeito para com outro. Não há o que discutir. Rousseau coloca o soberano como um aplicador cego das regras, ele não aplica as leis a um indivíduo em particular, mas a um indivíduo genérico. O ato é o ato, não importa quem o fez, no entanto, as explicações sobre o ato, as perspectivas, são elas que o legitimam ou não.

Vejamos, o que eu quero avaliar sucintamente é a noção de racismo por parte daqueles que eliminaram o participante, ou seja, o público. Porém, o que eu vejo é o extremo contrário! O racismo está incluso nas atitudes da própria emissora que, ao tentar livrar o programa de acusações diversas, ao tentar desligar totalmente o programa do caso, tenta amenizar a situação, colocando em voga o outro lado da moeda. Daniel não é culpado, é vítima, vítima do preconceito da sociedade brasileira.

Essa reação é da pior possível, pois, ao tratar o caso como racismo, sem ter nenhum tipo de argumento plausível para tal, a própria globo assume uma conduta racista, entretanto, um racismo afetivo, um insulto moral, onde o reconhecimento do negro como um sujeito tão sujeito como os outros (brancos). A degradação do próprio negro como sujeito, como autoridade de sua liberdade é o racismo no caso. O que a globo faz é defender aquele que não consegue se defender. Defender o oprimido, mas… Ele é o oprimido?

Não duvido que ele já tenha sofrido racismo durante sua vida, no entanto, a própria atitude da globo é pontual, então ela se mostra não como verdadeira luta contra as desigualdades estruturais estabelecidas entre negros e brancos, mas, sendo unicamente uma caridade num mundo de miséria, a manutenção do status quo. É passar a mão na cabeça no cachorro e continuar a espancá-lo continuamente.

Destituir o rapaz de sua autoridade como sujeito e ajuda-lo com um pequeno gás de anti-preconceito, mas sem acabar com as estruturas daquilo que gera o próprio preconceito, imputando a culpa no indivíduo (na consciência ruim das pessoas, na falta de ética e etc) e se retirando de qualquer responsabilidade maior, é a base para continuar com uma política social racista. Isso, claro, sem contar com a situação contraditória de proteger o rapaz de algo que não há proteção. Justificar o abuso é quase como naturalizar os comportamentos expressados – o negro selvagem e a mulher manipuladora.

Daniel é objeto da emissora para retirar a própria culpa do acontecido, no entanto, essa maneira de agir reproduz o próprio racismo que tenta ser evitado.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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