Assinatura RSS

Comunidade, Subversão e Falsidade

Publicado em

A tentativa de se manter uma boa aparência para conquistar o público local sempre me pareceu uma tentativa de persuadi-los, de maneira grotesca, que “nós” (qualquer grupo) também “somos” da comunidade, que nós temos a mesma identidade e podemos ter uma mesma busca. Em outras palavras, respeita-se a visão de mundo da comunidade exatamente para entrar em seu meio e, por este caminho, mostra-se que não há perigo em confiar.

Pra mim, o problema é que há sim um perigo. Quando tentamos penetrar uma nova “comunidade”, regrada por determinados valores comuns, mas, de modo automático, conservadores, o perigo do outro se mostra realmente existir. Então a pergunta seria: há como não se importar com isso? Como é possível respeitar essa individualidade? É uma individualidade?

Se o comportamento é, na descrição de Durkheim, exterior e força a forma de ação social dos sujeitos, então não dá pra dizer que é só a expressão da idiossincrasia. É de extrema ingenuidade botar “a culpa” nos indivíduos, assim como é de característica notada essa mania de botar a culpa no indivíduo, ao mesmo tempo em que ele é retirado, como sujeito moral, da responsabilidade. O que quero dizer? Caso um sujeito seja um assassino, a culpa da morte das vítimas será dele, somente dele, não há responsabilização dos observadores, da sociedade como um todo, não há nem essa noção de sociedade, mas somente de “soma de indivíduos”. Entretanto, há a crescente condução de qualquer tipo de ação para uma causa genética. O sujeito, como ser humano moral, não é responsável pelo ato transgressor, afinal, ele foi produto de determinismo biológico. Não dependia de nada da sua vida em sociedade.

Mas não seriam ambas as noções, extremamente individualistas? No fim, a culpa ainda está imputada no indivíduo, de uma maneira como sujeito, na outra como ser biológico. Onde quero chegar? Os valores e normas sociais de um determinado grupo social, sociedade e etc, são valores que não tem uma legitimidade absoluta, nem julgamento individual neutro, então, por que esse respeito falso com grupo no qual há uma tentativa de penetrar? Só para não destruir um castelo de cartas?

Novas ideias em grupo velhos só são boas ideias se permanecem num determinado padrão estrutural que a mantenha como “interna”. Ela ainda é da sociedade. Quando não é, precisa ter sua justificação material para acontecer a assimilação nas relações sociais. Então, tentar participar de um grupo sem a sinceridade que a própria subversão proposta precisa ter, não é uma grande roubada?

 

Anúncios

Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: