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Pseudo-Cientificidade do Ateísmo e Reducionismo da Linguagem

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Dentro de uma tendência já bem consistente das sociedades pós-modernas, seculares etc e etc, a ciência toma uma autoridade sobre-humana – afinal, não seria exatamente esse o objetivo dela? Impessoalidade, objetividade e frieza são adjetivos que acompanham a ciência no senso comum. Ela, por definição, tenta representar a natureza por meio de fórmulas, teorias e explicações que, em si, não devem ter um partido – a ciência seria, desta forma, a resposta final para qualquer questionamento.

Entretanto, a própria ciência precisa de uma perspectiva, de um método para conseguir representar algo, além disso, precisa de um determinado conjunto de pressupostos para, desta maneira, ter este método e o considerar condizente com a realidade e, desta forma, adequá-lo às observações; estes pressupostos são as condições materiais do determinado período histórico onde determinadas “descobertas” ou indagações acontecem, como o mecanicismo newtoniano embasando teoricamente a revolução industrial, ou os cientistas do início do século XIX, que tentavam provar a inferioridade dos negros, e desta forma, justificar a escravidão cientificamente.

Durkheim, num texto chamado Julgamentos de Valor e Julgamentos de Realidade, sendo os primeiros, a forma de se explicar uma determinada preferência que necessita de um embasamento impessoal para comprovar sua validade, por exemplo, “este quadro tem grande valor estético”; e os segundos, afirmações categóricas sobre a realidade, que não precisam de afirmações anteriores por já serem a bases de todas as afirmações e de todo método intuitivo, como, “Os corpos são extensos” ou “o teclado é preto”. A semelhança dos julgamentos é que ambos se relacionam com uma determinada perspectiva dominante, uma ideologia, um ideal, uma cosmovisão vigente que determina as formas de interpretar a realidade, sendo nos julgamentos de realidade, o espaço onde o próprio ideal dominante serve como símbolo para descrever o objeto e nos julgamentos de valor, o objeto serve como símbolo para ser descrito e representado por este ideal às outras consciências individuais.

Isto significa que, para descrever um fato, nós simbolizamos o ideal na coisa, o objeto se torna alvo da aplicação dos símbolos socialmente compartilhados; já na explicação de um valor, o objeto se transforma em um símbolo e o ideal é descrito por ele, ou seja, simbolizamos a coisa no ideal, precisamos exprimir as características que fazem do objeto digno de um determinado valor expressando o ideal através do objeto, e, desta forma, tendo uma expressão impessoal, enquanto no julgamento de realidade, descrevemos o objeto através do ideal, o colocando dentro de nosso campo simbólico.

Mas, a semelhança parece perturbar. Em ambos nós vemos a noção de um ideal vigente, dominante. O que seria este ideal? Seria a esfera onde as consciências individuais se aglutinam e formam uma rede de normas e concepções acerca dos fenômenos e da vida em si que são compartilhados por toda a sociedade e formam uma realidade sui generis. O ideal está localizado na consciência coletiva, é o método imperativo, é a perspectiva verdadeira, aquela que nos faz ver através de Deus, como diz Tomas de Aquino. Se é somente uma perspectiva dominante, como, então, podemos considerá-la verdadeira?

Não há como garantir que um método é verdadeiro somente pelo seu uso contemporâneo, é necessário relacioná-lo com toda as formas de produção e reprodução material existentes e, desta forma, entendê-lo e analisá-lo. A impessoalidade de um julgamento vem através do uso de um ideal coletivo, fora das consciências individuais, onde sua autoridade é afirmada exatamente por não se localizar dentro de nenhuma esfera de opinião individual, mas dentro de nossa esfera de símbolos e conceitos socialmente construídos e aceitos. Como não considerar impessoal aquilo que está em realidade à parte da nossa e que impera, coercitivamente, sobre nós?

É por isso que o cientificismo é uma grande crença. Fruto do atual racionalismo das relações sociais, da redução da linguagem à pura designação, uma alienação tão grande sob o ideal, que a forma de analisar a natureza, a sociedade, a economia e etc, se torna uma maneira cega, sem a noção de que é necessário analisar o próprio método, a própria perspectiva, cosmovisão, que embasa o método.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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