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Sobre o Aumento das Execuções Por Pena de Morte no Mundo

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De acordo com reportagem do Estadão, o número de execuções por pena de morte aumentou em relação ao ano passado, mesmo havendo diminuição no número de países que empregam a pena de morte. Ou seja, ou a pena de morte está sendo mais utilizada, ou os bandidos estão sendo julgados de forma mais rápida e precisa nos países em que a pena é estabelecida. Eu duvido que a segunda opção seja a correta.

As informações sobre os países que se utilizam da pena com maior frequência nos leva à um ponto em comum da estrutura dessas sociedades e da relação do indivíduo com a consciência comum. Irã, Arabia Saudita, Iraque, Estados Unidos e Iêmen são os primeiros colocados, ainda constam a Indonésia e a China, que tem seus número sempre duvidosos, mas é uma forma ilógica de se duvidar, pois, de acordo com Jan Wetzel (não há crédito à frase, mas ele é o único citado em todas as passagens da reportagem) “A China executa mais prisioneiros do que todos os outros países do mundo somados, aos milhares, mas não temos informações concretas porque os números são escondidos”.

Se os números são escondidos, como se sabe que a China executa “mais prisioneiros do que todos os outros países do mundo somados, aos milhares”? Qual a fonte disto? Por que a frase é contraditória. Não sei se devo botar a culpa no repórter que teve a infelicidade de dar até destaque com foto para esta passagem, ou na linha editorial do Estadão, que, diga-se de passagem, colabora. É óbvio ululante que eu não defendo a China, ditadura claramente capitalista que conseguiu unir o capitalismo com o totalitarismo sem se transformar num fascismo. Porém, a figura da China na mídia é de país comunista – por mais contraditório que seja, novamente!

Logo, a associação da China com o Comunismo já não existente é a maneira perfeita de perdurar a dicotomia Democracia Liberal x Totalitarismo Fundamentalista (afinal, o comunismo não é fundamentalista, querido liberal?).

Voltando à pena de morte, percebe-se que os países que encabeçam a lista são, em sua maioria, totalitários, com exceção dos EUA que tem uma raiz Lockeana de direito natural auto-declarada: se você fizer algo contra o bem do outro ou contra a propriedade privada (motivo da existência do Estado em Locke), pode ser punido com a morte, se assim necessário.

Percebe-se que no Oriente Médio, onde há a maior porção de países que se utilizam da pena de morte se vê que o que há em comum é o regime totalitário e a representação simbólica do regime pelo ditador. É do ditador que emana a legitimidade do próprio regime, claro, se tratando de pura ideologia. O poder centralizador no ditador faz dele a divindade de onde a ordem emana, vemos isso até mesmo nas regras morais, onde, normalmente, há uma lei que pune aqueles que desobedecem aos costumes, ou então, o abuso do poder para punir informalmente aqueles que desobedecem tais ordens.

Durkheim diz que, quanto maior a relação dos indivíduos com a esfera social de representações, normas, valores e etc, menor é o valor da própria vida individual, em relação à manutenção da ordem vigente.

Nos EUA, a ordem não emana de um indivíduo ou de uma figura, se vê que ela é espalhada, mais passível de escolha, entretanto tem um núcleo firme atrelado à propriedade privada e todos os valores relacionados à dinâmica da propriedade privada num país capitalista cristão: a noção da liberdade de escolha. A vida individual é valorizada enquanto fonte de decisão de consumo, mas pode ser descartada se transgride essa função e passa a ser o inverso: aquele que desregula as relações provenientes da decisão individual.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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