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Esquadrão Zumbi: A Repressão Extra-Estatal em Stallone Cobra

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Esta é uma seção do ensaio que estou fazendo sobre o filme Stallone Cobra, vejam como está:

O Esquadrão Zumbi

Definir o Esquadrão Zumbi somente como parte da polícia seria um erro. Eles são articulados com a polícia somente por serem a manutenção da ordem vigente, entretanto, eles ultrapassam o próprio aparelho policial. A polícia tem limites, o Esquadrão Zumbi é onipotente. Umas das preocupações do departamento policial em relação à forma de combater ao grupo nazista que aterroriza a cidade de Los Angeles é não ser pego pela corregedoria. Cobretti é sempre evitado por ser violento, por utilizar métodos autoritários para eliminar o inimigo, a recusa por Cobretti é a recusa de uma sanção, é a conformação com os limites impostos pelo aparelho burocrático estatal. Isso nos leva a um ponto: o departamento de polícia, desta forma, não é menos violento, ou menos alucinado que Cobretti, eles só são submissos ao poder coercitivo do Estado. O monopólio da violência é poder do Estado, não do depto de polícia, este, por sua vez, é a ferramenta democraticamente utilizada para exercer a violência.

A chave da submissão dos policiais ao sistema burocrático que autoriza sua ação é o fato do Estado ser democrático e, portanto, nunca agir de maneira arbitrária. O Estado precisa respeitar os direitos individuais que ele mesmo postulou, direitos sagrados numa sociedade moderna liberal.

Desta forma, o Esquadrão Zumbi não está dentro do aparelho estatal, entretanto, sua ação é totalmente voltada para a manutenção da ordem, então não se pode dizer que está fora do Estado. É importe dizer que o Estado, sob a forma de aparelho estatal, é a forma de um determinado grupo, que detém o poder estatal, se utilizar dos aparelhos estatais, como a polícia, a escola e a igreja, para disseminar sua ideologia, a legitimar teoricamente e a garantir pela repressão. Esta perspectiva Althusseriana do Estado nos permite identificar o Esquadrão Zumbi como parte do verdadeiro aparelho repressivo. Enquanto a polícia age sob as normas do Estado, sob a moral liberal e sob os preceitos básicos de respeitos aos direitos humanos, como na cena do roubo ao supermercado, onde a tentativa da negociação é falha, porém, a presença de Cobra, o [chamemos, por enquanto] fora-da-lei, também não é bem-vinda, mesmo sendo a única opção. O Cobra é necessário, mas não apreciado.

Ao ultrapassar os limites do sistema para aplicar a lei ou, até mesmo, para realizar o ato socialmente aprovado, como matar o ladrão, Cobra (e todo o Esquadrão Zumbi) agem como um excesso do sistema. Ele não deixam de ser parte integrante dos aparelhos estatais, porém, sua função é ser o aparelho informal. Ele é a nuvem coercitiva da sociedade, é o que garante a sanção social. Por outro lado, ele não sofre sanções, não liga para nenhuma tipo de corte que possam fazer em relação ao seu poder. O Esquadrão Zumbi é um excesso permitido e, ao mesmo tempo, envergonhador do sistema vigente. Mas não é qualquer um que pode fazer parte deste grupo necessário, é preciso ter certas características básicas.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

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