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A Capa De Ateísmo E O Conteúdo De Religião

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Eu gostava de assistir o Atheist Experience, no Youtube, há mais ou menos dois anos. Assistia todos os episódios legendados e quando peguei o inglês, comecei a assistir direto do canal do programa. Ficava extasiado com a quantidade de besteira que uma quantidade absurda de cristãos falava aos dois arautos da justiça que ficavam posicionados em uma bancada com um fundo tosco no cenário. A coisa mais bonita do mundo era sentir a eloquência dos dois âncoras – sempre variavam, sempre haviam pessoas novas e as duplas demoravam pra repetir.

Esses dias eu aproveitei que a internet estava rápida e coloquei no Youtube… Vi alguns vídeos de umas bandas e lembrei do programa ateu. Quando assisti um vídeo típico, onde um cristão que nunca leu a bíblia a utiliza como base moral para descrever as leis gerais da convivência e um liberal ateu eloquente o massacra sem piedade, percebi como eu era um imenso idiota. Isso por que não há nada no programa. Nada.

É uma luta de galinhas: dois galináceos cacarejando sem parar por um pouco de autoridade. De um lado, o cristão-médio-americano, que defende a moral e os bons costumes, mas adora a pena-capital e não perde uma ida ao puteiro, do outro, um suposto intelectual esclarecido que assume a liberdade de pensamento como o guia para ética verdadeira. Que odeia a forma como a religião opera, que odeia a forma como ela dissimula a realidade, entretanto, a tolera, desde que não ultrapasse certos limites. Ou seja, respeita uma religião sem religião.

Assistir ambas as partes é envergonhador. Primeiro o religioso medieval e em seguida o intelectual liberal. Quem vence? Com certeza não é o sujeito que assiste. Os intelectuais do programa cospem argumentos de utilização fast-food. São argumento que você tira do bolso e fala sempre que alguém pensar em qualquer explicação religiosa para algum fato. O problema é que acabam ficando destituídos de qualquer significado. São tão dependentes da crença naqueles que proferiram o argumento (os apresentadores) quanto a religião, seja ela qual for, depende da crença em determinados dogmas.

Pra mim, esse programa não passa de crença na não-crença, de ideologia – uma secularização de ações, de formas de pensar, formas de se relacionar com o conhecimento, que ainda são baseadas na fé. É fazer do Secular uma linha desviada da crença.

Coloquei no início do post um episódio aleatório, legendado.

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Sobre Vinicius

Fascista desde criancinha.

Uma resposta »

  1. Acho que você se equivoca em dizer que os argumentos em que se baseiam os âncoras dependem de crenças pessoais assim como os convidados. Existe uma diferença qualitativa na base lógica de ambos. A validação do método usado pelos cristãos é – na melhor das hipóteses! -Agostiniana, enquanto que a validação do método dos interlocutores é a lógica científica. E posso também afirmar, em base aos autores céticos que já li, que os argumentos de que lançam mão são os mais refinados do gênero! Não vislumbro o que você espera de um confronto dessa natureza! Seria algo sobrenatural? Você é mesmo ateu ou, a esperar algo sobrenatural das coisas, não seria melhor repensar a sua posição no debate?

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